
Paulo Renato Ribeiro Iribarrem, 56 anos, transita pelo seu ateliê com o avental manchado por diferentes cores de tinta. Localizado na Cidade Baixa, em Porto Alegre, o espaço de 48 metros quadrados abriga peças em madeira ressignificadas a partir da reciclagem.
Venezianas viram bancos ou mesas, portas são transformadas em móveis para chapéus e janelas recebem nos vidros pinturas de celebridades como Frida Kahlo, Charlie Chaplin, Albert Einstein, Salvador Dalí, Elis Regina, Amy Winehouse e Jimi Hendrix.
— Trabalho só com materiais de reciclagem. Por exemplo, o que encontro em contêineres ou os recicladores trazem até aqui. Janela, madeira, marco de porta e a própria porta. Qualquer coisa que for descartada, eu transformo em pequenos móveis, quadros e objetos de decoração. Faço a sustentabilidade — explica Renato Ribeiro, como prefere ser chamado.
Natural de Camaquã, na zona sul do Estado, o restaurador de móveis parece um artista. Além de recuperar as peças em madeira, costuma pintá-las com cores vivas e trazê-las de volta à vida. Os quadros, por exemplo, são feitos nos vidros das janelas. O público do ateliê, aberto há três anos, é formado especialmente por moradores do bairro em busca de móveis menores para ambientes também restritos.
— Na verdade, eu sou designer de móveis de sustentabilidade. Tenho curso disso e dei aula em escola. Também fiz intercâmbio dentro do Brasil estudando e pesquisando sobre sustentabilidade, dando palestras e cursos de pintura — enumera o profissional, que, há 20 anos, trabalha com materiais recicláveis.
Durante a enchente de maio de 2024, o ateliê de Renato Ribeiro precisou ficar fechado por 12 dias. A água chegou a 1,5 metro de altura dentro do estabelecimento e danificou as peças. O designer recebeu doações da igreja para conseguir se restabelecer e reabrir as portas. E sua relação com as peças, como demonstra, mistura-se com o amor pelo trabalho realizado.
— A peça conta uma história e conversa. Às vezes, uma pessoa me traz uma janela e diz "isso aqui pertenceu à casa da minha avó." Então, eu aproveito e faço um banco ou outra coisa e a pessoa leva de volta para casa. Pelo menos ela vai ter uma lembrança, não digo eterna, mas ainda assim uma lembrança perto dela — compartilha.
No ateliê, Ribeiro ressignifica as peças com o auxílio de um primo. O que mais sai são pequenos móveis, como mesas, aparadores e biombos para divisórias, além de cantoneiras. O trabalho engloba decorar locais como bares e cafeterias. Em relação à origem do material, ele vem de diversos lugares.
— Tenho uma parceria com uma empresa que coloca persianas. E a preocupação deles também é com a sustentabilidade. Essa empresa me repassa alguns materiais — conta.
O designer dá cursos e palestras sobre sustentabilidade em eventos organizados em diferentes municípios, e recebe encomendas de peças. O contato pode ser feito pelo Instagram (@RenatoRibeiroAtelier).



