
Um sino missioneiro em bronze, datado de 1756, será exposto ao público na Escola de Humanidades da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre. A partir das 17h30min desta quarta-feira (29), a campana poderá ser visitada. A entrada é gratuita.
Em outubro de 2024, o sino foi retirado da Praça Coronel Manoel Viana, no centro histórico de São Francisco de Assis, na Fronteira Oeste, e levado ao Laboratório de Arqueologia integrante do Museu de Ciências e Tecnologia (MCT) da PUCRS. Lá, foi submetido a processo de restauro sob supervisão do professor Edison Hüttner.
— Observei esse sino na praça sem muitos cuidados e com o risco de ser furtado. Tinha rachaduras e estava solto em cima da pedra. Pedi para fazer o restauro à prefeitura e resgatar a história do sino — relata Hüttner, que coordena o projeto Arte Sacra-Jesuítico-Guarani da PUCRS.
Amostras da peça foram encaminhadas para análise técnica no Instituto do Petróleo e dos Recursos Naturais (IPR) da PUCRS — que desenvolve atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação na área de petróleo e derivados, energia, recursos naturais e meio ambiente — e para o Laboratório Central de Microscopia e Microanálises (LabCemm) da mesma instituição. O objetivo era identificar a origem e a composição do sino.
Descobriu-se que foi fundido em 1756 na Redução de Santa Maria Maior, na Argentina, e o material confirmou-se ser bronze. O objeto possui 50 centímetros de altura por 44cm de largura. E pesa 43 quilos. Também possui uma rachadura visível.
— O sino rachou logo nas primeiras badaladas em consequência da má fundição dele e dos elementos a mais que colocaram em sua forja. Tudo indica que rachou com a batida do badalo — explica Hüttner.
Há inscrições em latim no sino — "Sancta Maria, Mater Dei, ora pro nobis", que, na tradução, significam: "Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós".
O sino ficará um mês em exibição na PUCRS. Em seguida, será encaminhado ao Museu Municipal Cônego Hugo de São Francisco de Assis, que ficará responsável por sua guarda. O artefato integrará a coleção de arte sacra barroca jesuítico-guarani do local.
Espólio de guerra
Segundo o professor Hüttner, o sino foi furtado dos espanhóis pelos portugueses durante as Guerras Cisplatinas entre os anos de 1817 e 1818. Chegou em São Francisco de Assis como espólio de batalha.
Relatos antigos dizem que uma mulher, conhecida como tia Madalena, ficou responsável por resguardar a peça em São Francisco. O objeto ficava na capela situada no quintal da casa dela.
Em 1950, o sino foi doado para a prefeitura. Ficou na capela particular da família Aguiar, no Hotel Aguiar, onde permaneceu até 1977. Naquele ano, foi doado pelo Poder Executivo para o município e instalado na praça.
O trabalho de restauração durou um ano para ser concluído. Foi realizado em parceria pelo Grupo de Arte Sacra-Jesuítico-Guarani da PUCRS e pelo Núcleo de Pesquisa Itajuru (NPI) de São Francisco de Assis.
Serviço:
- O quê: Exposição do Sino Missioneiro (1756): Patrimônio Cultural de São Francisco de Assis
- Visitação: De segunda-feira aos sábados (das 8h30min às 21h)
- Local: Escola de Humanidades da PUCRS (Prédio 9) – Avenida Ipiranga, 6.681, em Porto Alegre
- Entrada: Gratuita




