
Entra em cartaz nesta quinta-feira na Sala Eduardo Hirtz mais um título que comprova o vigor do cinema pernambucano atual: A História da Eternidade (2014) foi eleito o melhor filme pelo público da 38ª Mostra Internacional de São Paulo, além de ter levado no Festival de Paulínia os prêmios de melhor filme, direção, ator (Irandhir Santos) e atriz (compartilhado por Marcélia Cartaxo, Zezita Matos e Debora Ingrid).
Estreia do diretor Camilo Cavalcante no longa-metragem, a produção acompanha as trajetórias de três mulheres que vivenciam batalhas particulares entre desejo e repressão, tendo como cenário uma pequena localidade esquecida no sertão.
A História da Eternidade é dividido em três partes, intituladas Pé de Galinha, Pé de Bode e Pé de Urubu - como se fossem tipos de árvores. As belas imagens estão na tela desde o começo: um longo plano-sequência com a câmera parada mostra um homem sob uma grande árvore seca tocando na sanfona um tema melancólico, antes que o cortejo fúnebre de um recém-nascido passe pela sua frente.
O bebê morto parece ser filho de Querência (Marcélia Cartaxo), mulher de meia-idade desgastada pela vida, dividida entre o luto e o assédio do sanfoneiro cego Aderaldo (Leonardo França), que se posta na frente de sua casa esperando que a amada lhe dê uma chance. Já a caridosa senhora Das Dores (Zezita Matos) fica atormentada com a chegada inesperada e em circunstâncias suspeitas do neto, vindo de São Paulo, por quem ela passa a sentir uma forte atração sexual.
Por fim, a adolescente Alfonsina (Débora Ingrid) sonha em conhecer o mar, mas vive presa à rotina doméstica, onde faz as vezes de mãe, cuidando da casa e preparando a comida para os irmãos e o austero pai (Claudio Jaborandy). A garota só encontra apoio no tio esquisitão Joãozinho (Irandhir Santos), considerado louco e vagabundo pelo irmão vaqueiro.
A fotografia rebuscada de Beto Martins, inspirada nas cenas noturnas dos quadros do pintor Caravaggio, e a trilha sonora dolente, assinada por Dominguinhos e Zbigniew Preisner - compositor polonês autor das músicas dos filmes do cineasta Krzysztof Kieslowski -, ressaltam o registro plástico e poético de A História da Eternidade.
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Apesar de centrado nos embates íntimos de três figuras femininas com nomes carregados de referências - Querência, Das Dores e Alfonsina -, o ponto alto do filme é a performance catártica de Joãozinho: um dos melhores atores brasileiros da atualidade, Irandhir Santos aparece dublando no meio do vilarejo a linda canção Fala, do grupo Secos & Molhados, enquanto a câmera acompanha o personagem em um movimento circular hipnótico.
A HISTÓRIA DA ETERNIDADE
De Camilo Cavalcanti
Drama, Brasil, 2014, 120 minutos, 16 anos. Em cartaz às 15h e às 19h na Sala Eduardo Hirtz.
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