
Na série de homenagens que a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) tem feito a compositores gaúchos, não poderia faltar Lupicínio Rodrigues, cujo centenário é celebrado em 2014. Convidada pelo projeto Unimúsica, Adriana Calcanhotto montou uma banda especialmente para o tributo que terá apresentação única quinta-feira, às 20h. Os ingressos estão esgotados.
Chico César interpreta canções de Vitor Ramil, pelo projeto Unimúsica
Lupicínio é uma influência antiga para Adriana, que lembra de andar de bicicleta e escutar as músicas do compositor escapando pelas janelas dos vizinhos. No início da carreira, passou a interpretar aquelas composições em bares de Porto Alegre, onde conviveu com músicos que haviam tocado com Lupi. Em 2011, a cantora assumiu a influência ao batizar o disco Micróbio do Samba com uma expressão que o compositor usava para falar da sua relação com o ritmo carioca. Mas, apesar dessa convivência permanente com a obra do gaúcho, foi há pouco tempo que Adriana identificou em que ponto a influência era mais forte:
- O Lupicínio tinha uma inteligência musical para juntar a nota certa com a sílaba certa, dizendo o que as pessoas não tinham coragem para dizer. Cantando as músicas, pensando no universo dele, fui entendendo como a influência dele se instalou na minha música. Diziam que o Lupicínio tinha uma vozinha, mas cantava barbaridades, de um jeito doce - aponta Adriana, lembrando que o mesmo já foi dito a respeito dela.
Do Rio de Janeiro, onde vive, ela reuniu uma banda especialmente para o show de hoje: César Mendes (violão), Jessé Sadock (trompete), Alberto Continentinho (baixo) e Beto Carvalho (violão). A cantora também chamou convidados que farão intervenções durante a noite: Arthur de Faria tocará gaita e, de São Paulo, virão Arthur Nestrovski e Cid Campos, com seus respectivos violões. Segundo Adriana, o grupo não pretende desconstruir as canções de Lupi:
- Não estamos enfeitando nada. Queremos trazer o clima de como as músicas foram feitas, por isso essa formação que dá para ter em um bar. É tudo dentro do universo dele.
A cantora também explica que, na seleção do repertório, começou por títulos significativos para a música brasileira, mas, na hora dos cortes, seguiu critérios pessoais:
- Algumas são gravações que ouvi na voz da Maria Bethânia, da Elis Regina, mas nunca toquei nem cantei. São "minhas", por diferentes motivos.
Por enquanto, não há previsão de que o show tenha desdobramentos como gravações ou outras apresentações. A noite de hoje é parte da programação comemorativa dos 80 anos da UFRGS, que já homenageou os compositores Radamés Gnattali, Octávio Dutra, Nei Lisboa, Armando Albuquerque e Vitor Ramil. O encerramento, no dia 17, terá Yamandú Costa e Camerata Pampeana lembrando Barbosa Lessa.
Provável repertório do show:
-Loucura
-Eu Não Sou Louco
-Castigo
-Esses Moços
-Nervos de Aço
-Cadeira Vazia
-Se Acaso Você Chegasse
-Felicidade
-Volta
-Homenagem
-Ela Disse-me Assim
Homenagem a Lupicínio Rodrigues por Adriana Calcanhotto
Quinta-feira (04/12), às 20h. Ingressos esgotados.
Salão de Atos da UFRGS (Av. Paulo Gama, 110), em Porto Alegre, fone (51) 3308-3058.





