
Marcelo Camelo surgiu fazendo rock com os Los Hermanos. Mallu Magalhães, dedilhando um folk pop. Depois que juntaram os trapinhos, em 2008, começaram a trabalhar com samba, bossa nova e tropicalismo. Com a Banda do Mar, seu primeiro projeto juntos, o casal vai para a praia. Literalmente.
A Banda do Mar nasceu no litoral português, em Lisboa, onde Marcelo e Mallu se estabeleceram há um ano. Na capital portuguesa, ficaram próximos de Fred Ferreira, baterista e amigo de longa data de Camelo. Entre jams e trocas de ideias à beira-mar, começaram a trabalhar nas primeiras faixas.
- Um projeto entre nós três aconteceria uma hora ou outra, isso era certo - diz Mallu, que reveza guitarra, violão e vocais com Marcelo. - Demoramos um ano entre o início dos trabalhos e o lançamento. Tudo aconteceu naturalmente, sem pressa.
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A proximidade com o litoral não serviu de inspiração apenas para o nome do grupo: também norteou as composições. Nas 12 faixas do seu disco de estreia, a Banda do Mar homenageia o oceano em letra e música. Camelo explica:
- Consigo identificar nossas intenções diretamente relacionadas com o resultado final, que ficou mais comunicativo e ensolarado.
O trio entra em turnê em outubro, e a cidade escolhida para o primeiro show foi Porto Alegre, com apresentação marcada para o dia 10, no Araújo Vianna (veja informações sobre preços e pontos de venda no roteiro da página 8).
- A gente gosta demais da cidade. Fiz shows aí que ficaram na memória, e o Marcelo gravou um DVD aí (Mormaço, no Theatro São Pedro em 2013). É um público exigente e que realmente gosta de música. É o lugar certo para começar a mostrar nosso trabalho.
Francisco Dalcol
francisco.dalcol@zerohora.com.br
Você não precisa conhecer os discos solo de Marcelo Camelo e Mallu Magalhães para gostar da Banda do Mar. Mas estará em vantagem se for um ouvinte dedicado dos Los Hermanos. Por isso, os saudosos da pegada mais roqueira do finado grupo carioca serão fisgados de imediato.
A Banda do Mar é sob medida para quem se amarra em jovem guarda, surf music, guitarrinhas espertas e baterias que levam as mãos a bater nas pernas. É pop dos bons: desencanado e deliciosamente grudento. Entre as 12 músicas, há sete de Camelo, cantadas por ele, e cinco de Mallu, cantadas por ela. Predominam o clima ensolarado (Cidade Nova, Solar) e a atmosfera de sonho (Seja como For, Vamo Embora), mas com espaço para o romantismo (Hey Nana, Pode Ser, Dia Clarear, Faz Tempo).
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Quando Mallu canta, parece Best Coast em alguns momentos (Muitos Chocolates, Mais Ninguém), em outros soa como Rita Lee (Mia, Me Sinto Ótima). Ela está com um vocal, digamos, menos infantil. Camelo reaparece com aquela empolgação lírica, meio bêbada, meio desengonçada, que ele não mostrava desde as faixas mais embaladas dos Los Hermanos. Aliás, ele redescobriu a guitarra depois de dois discos solo em que se concentrou no violão. Desse reencontro com o instrumento, vem o ponto alto do disco.
E, com formação de trio, completado pelo baterista português Fred Ferreira, ainda há o fator banda. É natural que, fora dos Los Hermanos, Camelo e Rodrigo Amarante lancem discos intimistas. É natural também que, estando em grupo, façam uma música mais festiva.
Ouça a música Hey Nana:

