Eu não havia nascido e já havia guerras, muitas guerras, por estas bandas. Talvez daí venha esse sentimento de pertencimento do gaúcho em relação à sua terra. Se podemos enfrentar os imperiais, se podemos defender este chão, por que não desejar que este Estado seja um país?
Fui um guri de cidade, um gaúcho a pé, nascido no Interior, crescido nas capitais. Nunca me passou pela cabeça não ser um brasileiro. Minhas maiores preocupações eram as letras e as notas musicais. Com elas exteriorizava minhas emoções, minhas preocupações, meus desejos de ver este país crescer e se transformar em uma verdadeira democracia.
Mas lembro que, para muitos, e por um bom tempo, bastavam-lhes os nossos limites. Para que atravessar o Mampituba se aqui tínhamos tudo? Autossuficientes por imaginarem que nada lhes faltava e nem faltaria.Tínhamos uma das maiores e melhores livrarias/editoras deste país: a Livraria Globo. Autores reconhecidos nacionalmente, atores, músicos, intérpretes. Um Estado em pleno desenvolvimento econômico, social, educacional. O que mais se poderia desejar? O que houve com o Estado pujante e admirado? O que o fez chegar ao estágio atual?
Ainda esta semana um amigo chegou para me convidar, que as eleições se aproximam. Eu disse não. Não quero mais planejar o que nunca será realizado. Não quero sonhar com o que não será feito. Prefiro me deixar nesta terra inexistente, Passa Passa Quatro, ao lado dos meus livros, minhas escritas e meu radinho de pilha. E um apara-barro na porta de entrada.