
Um dos nomes mais proeminentes do power metal, o Helloween volta a Porto Alegre para celebrar 40 anos de trajetória. A banda alemã se apresenta no dia 16 de setembro, a partir das 21h, na KTO Arena.
O grupo traz à capital gaúcha a 40 Years Anniversary Tour, em que repassa sua trajetória com as canções mais importantes — Eagle Fly Free, Future World, I Want Out e Power —, além de novidades de seu trabalho de estúdio mais recente, Giants & Monsters, que saiu no ano passado.
— É um show fulminante, com muito "headbanging" e entusiasmo — promete Kai Hansen, guitarrista e vocalista do Helloween. — Tocar na América do Sul é sempre marcante porque há muito fervor por parte dos fãs, que são muito apaixonados pela música e por demonstrar o seu amor pela banda. Nós nos damos bem em todos os lugares, mas isso aqui é definitivamente fora do comum — acrescenta.
Hansen é um dos fundadores do Helloween, que foi criado em 1984 em Hamburgo. A atual formação traz também Markus Grosskopf (baixo) e Michael Weikath (guitarra) dos membros originais. Completam a banda Andi Deris (vocal), Sascha Gerstner (guitarra), Dani Löble (bateria) e Michael Kiske (vocal).
Em 1989, Hansen saiu do Helloween e montou o bem-sucedido grupo Gamma Ray, também seguindo a linha do power metal. Ao longo dos anos, ele integrou outros projetos — como Iron Savior e Unisonic —, mas retornou ao Helloween em 2016. No mesmo ano, Kiske também voltou à banda.
O vocalista entrou no Helloween em 1986, onde permaneceu até 1993. A partir disso, seguiu por diferentes projetos — como Unisonic e Avantasia. Mas também voltou a compor o grupo que o lançou para o mundo e passou a dividir o vocal com Deris, que assumiu o posto justamente na saída dele, nos anos 1990.
Desde 2016, o Helloween é uma banda com sete membros. Segundo Hansen, desde que houve a reunião — que culminou na turnê Pumpkins United World Tour, o mesmo show que lotou o Pepsi On Stage em 2017 —, houve uma reaproximação de todos os integrantes.
— Hoje em dia somos como uma família de verdade. O clima é muito harmônico dentro da banda — descreve. — Todo mundo sabe o seu lugar. Tivemos que resolver algumas coisas no começo, onde não estava tão claro, mas agora todos nós sabemos muito bem como definimos o Helloween. Estamos no mesmo barco agora.
O primeiro fruto da reunião veio em 2021, com o álbum homônimo. Em relação às dinâmicas de criação, Hansen destaca que os integrantes se completam. Há quem seja mais da tecnologia, que entenda melhor dos equipamentos, e outros que trabalham mais o lado criativo ou fantástico.
O amadurecimento dessa formação, como atesta Hansen, veio com Giants & Monsters:
— Enquanto o primeiro disco foi um pouco diferente, havia um tipo estranho de diálogo entre os músicos da banda, desta vez foi muito mais fluido. Tudo se encaixou no lugar. Aprendemos uns com os outros e também evoluímos juntos. Então, em comparação com o álbum de 2021, este foi moleza.
Peso, melodia e velocidade
Helloween foi fundada visando misturar peso e melodia, inspirada em grupos como Rainbow e Iron Maiden. Só que o grupo adicionou velocidade à fórmula.
A receita se solidificou com a dobradinha de discos Keeper of the Seven Keys Part I e Part II, lançados respectivamente em 1987 e 1988. Aliás, quase metade da apresentação da turnê tem trazido faixas dessa dupla de álbuns.
Os elementos do que convencionou chamar de metal melódico ou power metal estavam ali: bateria acelerada, guitarras melodiosas e arranjos épicos. O impacto não foi imediato, mas a influência do Helloween seria vista na década seguinte em grupos como Rhapsody, Blind Guardian, Nightwish e até brasileiros como Angra e Shaaman.
Ao refletir sobre a manutenção do Helloween, Hansen pontua que a banda deu um grande passo para frente nos últimos anos, especialmente pela ampliação das gerações que têm ido aos shows do grupo.
— Agora que sou mais velho, passa pela cabeça um pensamento de “até quando conseguimos fazer isso" — pondera. — Daqui a 10 anos, se estiver se sentindo ridículo no palco, talvez seja a hora de parar. Mas, até agora, estamos nos mantendo muito bem e vejo que ainda ficaremos por aqui por um bom tempo.
Confira mais perguntas para Kai Hansen
Keeper of the Seven Keys Part I e Part II se tornaram marcos no heavy metal. O que você lembra do clima dentro da banda quando esses discos estavam sendo criados?
Do Keeper I, lembro que todo mundo sabia que estávamos fazendo algo especial. Tinha um sentimento diferente. Foi um pouco complicado porque teve um fator que talvez não tenha sido tão bem recebido. Nós tínhamos muitas músicas. A intenção era fazer um álbum duplo, mas a gravadora disse: "Não, não, vamos fazer dois que é melhor". No primeiro, a maioria das minhas músicas foi escolhida e o Weiki (Michael Weikath) só teve uma música no disco. Isso gerou um pouco de atrito dentro da banda, basicamente entre o Weiki e eu, porque ele não gostou disso na época. Porém, ele ficou feliz com o sucesso que tivemos. Rolou um acordo de que, no segundo álbum, eu daria um passo para trás e Weike ficaria com a maioria das músicas. Isso criou uma situação um pouco complicada, eu diria. Mas, além disso, estávamos muito entusiasmados com o resultado de ambos os álbuns, Keeper 1 e Keeper 2. Tínhamos a seguinte sensação: "Uau, estamos fazendo algo fora do comum, com uma qualidade diferenciada". Sentíamos que seria grande de alguma forma, mas não havia ideia do quão grande se tornaria no final.
O heavy metal mudou bastante desde que o Helloween surgiu. Qual você acha que foi a maior mudança na cena?
Essa é uma pergunta muito difícil. Houve tantas mudanças. No começo, o heavy metal era apenas heavy metal, direto ao ponto. Mas hoje em dia ele se misturou com todos os tipos de estilos e gêneros. Quer dizer, orquestra, música clássica, corais, funk, pop etc. O metal se tornou muito diverso, enquanto nos anos 1980 havia pouco espaço para desvios. Podia ser algo mais speed metal, thrash metal, metal tradicional, mas não se misturava com outros gêneros. Isso veio depois. Gosto dos dois lados. Gosto da abordagem direta e selvagem dos anos 1980, em que você sabia o que esperar. Hoje, as coisas são mais polidas, muito mais comerciais. Às vezes sinto falta um pouco desse espírito rebelde porque tudo é extremamente estruturado. As produções são muito limpas. Bem... eu gosto dos anos 1980.
Você acha que é mais difícil para uma banda jovem de rock ou metal se tornar internacionalmente conhecida hoje do que quando o Helloween começou?
Com certeza. Por uma razão: a quantidade de bandas que existe hoje não existia nos anos 1980. Havia apenas algumas que tinham uma qualidade que justificava gravar um disco e alcançar o sucesso. Hoje em dia, por causa dos meios de produção e dos tutoriais do YouTube, os jovens aprendem muito rápido, entendem as estruturas das músicas e as replicam. Está sendo mais "pintar por números". Existem tantas bandas boas por aí que você nem sabe se elas são realmente boas ou se é a produção que as faz soar melhor do que realmente são. São tantos álbuns e tantos nomes de bandas que chega a ser confuso. É complicado para uma banda se destacar, até porque muitas coisas já foram feitas. É mais difícil soar especial hoje em dia. Algumas pessoas conseguem, algumas bandas ainda alcançam isso, mas é um caminho espinhoso.
Alguma memória favorita do Brasil?
Eu amo caipirinhas e, não sei, para mim tem sempre um clima de férias. Sei que é diferente para quem mora e trabalha no Brasil. Para a banda, é sempre ótimo estar aí. É um dos meus países favoritos para tocar. Os fãs são incríveis, as pessoas são ótimas.
Helloween — 40 Years Anniversary Tour
- Dia 16 de setembro (quarta-feira), na KTO Arena (Av. Severo Dullius, 1.995), a partir das 21h
- Abertura dos portões: 19h
- Ingressos a partir de R$ 213,30 (solidário, mediante doação de 1kg de alimento não perecível)
- Ponto de venda físico: Chocólatras Anônimos (Rua Dinarte Ribeiro, 155 - Moinhos de Vento), das 10h às 20h, de segunda a segunda. Venda somente em cartão e pix. Não há cobrança de taxa de serviço
- Ponto de venda (com taxa): pela plataforma Bilheteria Digital


