
Almir Sater e Gabriel Sater se apresentam em Porto Alegre neste sábado (1º), às 21h, no Auditório Araújo Vianna. Eles trazem a turnê Pai e Filho, em que dividem o palco em família, com clássicos da música raiz e pantaneira de seus repertórios (veja detalhes sobre ingressos ao final).
Almir e Gabriel contracenaram no remake da novela Pantanal, em 2022, protagonizando um duelo de viola que surpreendeu o público e repercutiu nas redes sociais.
Em conversa com Zero Hora, pai e filho falaram sobre a turnê e a relação entre ambos. Almir também revelou o conselho que deu a Gabriel quando percebeu que ele queria ser músico:
— Eu falei para ele estudar, não ser "analfabeto" igual ao pai. Qualquer lugar do mundo a que você chegar, vai conseguir conversar musicalmente com qualquer pessoa.
Confira a entrevista com Almir Sater e Gabriel Sater
O que motivou os dois a realizarem essa turnê juntos?
Almir: Foi um convite de uma produtora. Nós fizemos um show uma vez em São Paulo (SP) em que cada um realizava uma apresentação individual no mesmo espaço. O cara viu o cartaz, achou interessante, só que pensou em um show juntos. Fez uma proposta. Aí saímos para a estrada juntos.
Gabriel: Juntamos uma superbanda, que tem meu tio Rodrigo Sater (violonista) e meu irmão Ian Sater (guitarrista). Da minha equipe, levei o meu produtor musical, o multipremiado João Gaspar.
Almir: Na verdade, o show devia ser chamado Amigos, Irmãos, Pais e Filhos (risos). Fizemos um repertório legal, um pouco de instrumental e um pouco cantado. Resultou em um belo show.
Essa ideia de um show juntos nunca tinha passado pela cabeça de vocês?
Almir: Meus filhos não gostam muito de tocar com o pai (risos). O Ian, por exemplo, quando o chamei para tocar comigo, ficou invocado. Propus não falar que era o meu filho. Aí topou (risos). Ele não achou ruim, então comecei a anunciar como meu filho. Eles sempre quiseram ter o próprio caminho, o que acho bonito. Cada um construir sua história. Brincadeiras à parte, sempre tocamos juntos aqui em casa.
A partir de 'Pantanal', fui apresentado para um grande público, que jamais com a minha música eu chegaria.
ALMIR SATER
Músico
Gabriel: Essa parte do Ian ele pode dizer por si (risos). No meu caso, não teve nada disso. O grande precursor da família é o pai. Poder tocar com ele sempre foi maravilhoso, pois era uma forma de revisitar minhas origens e inspirações primárias. Felizmente, depois de Pantanal (2022), a agenda para os dois se intensificou. Quando veio esse convite, foi realmente algo para realizar um sonho de infância. Nunca imaginei que faria uma turnê com ele. A gente nunca sabe quando vai acabar, então aproveito cada dia.

A novela Pantanal (2022) aproximou ainda mais o público da família Sater. Depois dela, vocês perceberam mudanças no perfil de quem vai aos shows?
Almir: Por ser uma novela de sucesso, que atingiu o Brasil inteiro, começaram a vir aqueles que nos conheceram pela televisão. Misturou um pouco a coisa: fãs da música e de Pantanal. A minha carreira teve um impulso muito grande após a primeira versão da novela (em 1990). A partir dela, fui apresentado para um grande público, que jamais com a minha música eu chegaria. O Brasil é um continente, é difícil você colocar a cabeça para cima do muro. Meu som não é muito popular, não era assim, mas se popularizou no rastro da novela. E com o Gabriel aconteceu um pouco isso também na segunda versão.
Sinto que quanto mais ficamos juntos, mais elo é criado. Espero que a gente consiga realizar esse projeto por mais alguns anos.
GABRIEL SATER
Músico
Vocês dois puderam contracenar em Pantanal, especialmente naquele memorável duelo de violas. Como foi a construção daquela cena?
Almir: Trabalhamos quase um mês no duelo. Todo dia a gente tocava. "Essa frase é boa, essa não é." O bacana é que os caras ficaram em dúvida se colocariam um duelo de oito minutos na novela. "Será que a gente corta?", nos questionaram. Respondemos: "Nós fizemos a nossa parte, agora é com vocês". Não tiveram coragem de cortar.
Vocês ensaiam como pai e filho ou como dois colegas? Durante os ensaios e apresentações, existe uma hierarquia?
Almir: No palco, somos brothers. Ninguém manda em ninguém aqui. A música é que manda. Se ele tocasse a música e não funcionasse, estava fora. Ela tinha que de cara já se mostrar. No fim, nosso critério foi esse.
Para você, Almir, o que muda ao dividir o palco com seu filho? E a pergunta vale para o Gabriel: o que muda ao dividir o palco com seu pai?
Almir: Se apresentar com o Gabriel é muito bom. É um show fácil de fazer: quando você divide a responsabilidade, já tem 50% garantido (risos). Os dois lados acrescentam um no show do outro.
Gabriel: Como falei para ele, tinha que ser algo muito prazeroso. Na atual conjuntura em que ele já está, nesse Olimpo musical, realmente tem que motivar. Sinto que quanto mais ficamos juntos, mais elo é criado. Espero que a gente consiga realizar esse projeto por mais alguns anos.
Almir: Quando funciona musicalmente, é bom de fazer. Não é só por ser pai e filho. O musical é bonito, e o show é prazeroso.
Quando percebi que o Gabriel queria entrar nesse universo musical, eu falei para ele estudar, não ser 'analfabeto' igual ao pai.
ALMIR SATER
Músico
Como você, Almir, se sentiu ao perceber que seu filho estava indo para o lado da música, que ele iria seguir seus passos?
Almir: Venho de uma geração que não tinha muito acesso ao estudo musical. A não ser se você fosse tocar piano, que era uma coisa óbvia. Eu era um violeiro, então não tive como estudar. Quando percebi que o Gabriel queria entrar nesse universo musical, eu falei para ele estudar, não ser "analfabeto" igual ao pai. Qualquer lugar do mundo a que você chegar, vai conseguir conversar musicalmente com qualquer pessoa. Então, o Gabriel estudou e se dedicou. É um cara que toca bonito. Fiquei feliz com o conselho que eu dei lá atrás, só isso, o resto é mérito dele.

Gabriel, você lançou em maio o disco "25 Anos de Música", com oito faixas autorais e dois clássicos de outros compositores. Como foi a construção desse álbum?
Gabriel: Queria fazer um disco que trouxesse novidades e temas autorais que eu sempre trabalhei. Tive a honra de ter nesse álbum Ivan Lins, que é um grande mestre também e topou gravar uma música inédita chamada Me Ajuda. E também o produtor do meu pai e um grande amigo, Eric Silver, tinha uma faixa muito especial que estava guardada, chamada Brisa de Outono, um rock rural que fiz na viola e tem inspiração de Sá e Guarabyra. O disco visa homenagear o meu passado, com faixas que eu não consegui gravar ao longo dos 25 anos, músicas novas e algumas poucas que desejava fazer uma nova versão.
Soube que você, Gabriel, deve gravar com a cantora gaúcha Tatiéli Bueno. Como será esse projeto?
Gabriel: Ela é uma grande amiga, sou muito fã do trabalho dela. Uma artista super incrível, com uma voz linda e que faz um trabalho de pesquisa exuberante. Faz tempo que estamos combinando de gravar alguma coisa juntos. Tati já gravou uma música minha no passado e agora devemos nos reunir no segundo semestre. Está na lista de prioridades aqui, só ainda não sei qual canção vai ser. Estou muito feliz com isso.
Há espaço para gravar um álbum ou registrar esse encontro de pai e filho em vídeo? Ou vocês preferem que esse show exista principalmente ao vivo?
Almir: Deixa rolar (risos). Trabalho de disco é um pouco complicado. Show é espontâneo, a gente faz ali. Talvez grave um show ao vivo, pode ser, né? Mas não tem nada ainda em mente.
Gabriel: Eu acredito na lei da atração. Temos que jogar para o universo aquilo que sonhamos. Eu, como filho e fã do meu pai, esse show está tão bonito... Não precisa gravar o show inteiro, mas se topasse gravar um ensaio em casa, algo simples, que a gente possa fazer com calma e gravando esse repertório tão especial. Mesmo os temas que ele já gravou no passado, quando a gente canta junto, parece que a música toma uma nova vida.
Almir: Fazer disco é muito bom, gosto muito de trabalhar em estúdio. Se for para fazer um disco, até prefiro fazer em estúdio do que gravar ao vivo. Tem que deixar rolar pra ver se cola.
Gabriel: Vou usar a sua pergunta para tentar plantar essa semente (risos). Seria um sonho mesmo.
Almir Sater e Gabriel Sater em "Pai e Filho"
- Neste sábado (1º), às 21h, no Auditório Araújo Vianna (Av. Osvaldo Aranha, 685), em Porto Alegre
- Ingressos: a partir de R$ 230 (mediante doação de 1kg de alimento não perecível)
- Desconto de 50% para sócios do Clube do Assinante e um acompanhante
- Ponto de venda online (com taxa): plataforma Sympla
- Pontos de venda físicos (sem taxa): loja Planeta Surf Bourbon Wallig (Av. Assis Brasil, 2.611 – Loja 249), das 10h às 22h, somente em dinheiro; e na bilheteria do Araújo Vianna, que abre duas horas antes da apresentação, em dinheiro ou cartão




