O recital Cantos do Brasil vai reinaugurar o piano do Teatro Renascença (Av. Erico Verissimo, 307), em Porto Alegre, que foi danificado pela enchente de maio de 2024 e passou por restauro.
Após turnês com o espetáculo por Alemanha, Holanda e Luxemburgo, as cantoras Angela Diel (contralto) e Carla Maffioletti (soprano) se apresentam acompanhadas pelo pianista Fernando Rauber em duas sessões: nesta terça-feira (5) e na quarta-feira (6), ambas às 20h.
A entrada é gratuita, mediante retirada de senhas duas horas antes do início de cada apresentação (veja detalhes ao final).
Localizado no Centro Municipal de Cultura Lupicínio Rodrigues, no bairro Menino Deus, o Teatro Renascença passou recentemente por uma manutenção emergencial em partes do telhado que haviam sido danificadas com as chuvas.
Como foi o restauro
Fabricado em 1977, o piano de cauda da marca Yamaha foi restaurado em um processo que durou seis meses. Como registrou a colunista Juliana Bublitz, foi preciso fazer a recuperação total do móvel, além de manutenção mecânica, regulagem de pedais, limpeza dos teclados (que mofaram e mancharam), substituição das cordas e afinação, entre outras melhorias.
O trabalho foi executado pela Pianos Puggina, de Viamão, na Região Metropolitana. Custou R$ 76,8 mil e foi financiada por meio de termo de contrapartida da CFL Incorporadora junto à prefeitura da Capital.
Um piano versátil
Professor no Departamento de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e experiente solista, recitalista e camerista, Fernando Rauber vai tocar o instrumento em sua reestreia. Ele explica que se trata de um piano japonês de concerto utilizado em palcos e estúdios, considerado de "excelente qualidade e durabilidade":
— A marca desse piano é a versatilidade. Por isso, é muito adequado para um teatro. Com ele se pode tocar música de concerto, jazz ou instrumental.
Rauber observa que a enchente não chegou ao centro do piano, mas "a umidade o afetou bastante":
— Fico muito feliz que tenham conseguido fazer o restauro desse instrumento. É muito importante para a cidade.
Repertório brasileiro

As cantoras Angela Diel e Carla Maffioletti antecipam que o recital Cantos do Brasil será uma imersão na paisagem, na história e na mitologia do país. O programa engloba canções clássicas de compositores como Heitor Villa-Lobos, Marlos Nobre, Chiquinha Gonzaga e Waldemar Henrique. Entre os gaúchos, serão interpretadas obras de Radamés Gnattali, Dimitri Cervo, Flávio Oliveira e da própria Carla Maffioletti. É ela quem contextualiza:
— Fizemos uma turnê em março por oito cidades da Europa. Trouxemos esse espetáculo pronto e adaptamos com canções de compositores gaúchos. Incrementamos com iluminação e movimentações cênicas.
Experiência com André Rieu
Porto-alegrense residente da Holanda, Carla apresentou-se como solista ao lado do violinista André Rieu. A ópera também faz parte de sua trajetória, com performances no Brasil, na Suíça e na Alemanha.
Criadora do selo Almeh Music na Holanda, a cantora produziu a turnê de concertos A Dream e lançou quatro álbuns, atuando também como violinista e arranjadora. Em 2022, protagonizou como compositora duas estreias: a ópera Pássaro do Paraíso, em palcos europeus, e o ciclo de canções para soprano e orquestra de câmara O Voo do Vagalume, junto à orquestra Sonoridades em Porto Alegre.
— Viajei o mundo inteiro em turnês. Foram 12 anos intensos cantando para multidões e até para 300 mil pessoas no Ibirapuera, em São Paulo. Essa experiência me trouxe uma vitrine mundial e brasileira. Sou muito grata por essa grande vivência internacional — compartilha a soprano.
Atuação na enchente
Laureada com o prêmio de Melhor Voz Feminina no Concurso Nacional Carlos Gomes, Angela Diel ostenta uma carreira exitosa com incontáveis performances em óperas. Carmen, de Bizet, Il Trovatore e La Traviata, ambas de Verdi, estão entre suas atuações. A cantora fala sobre as diferenças entre o público europeu e o nacional:
— Tambores, efeitos, canções amazônicas e urbanas são exóticos para os europeus. Eles não têm a oportunidade de ouvir isso anualmente ou alguma vez na vida. No Brasil, principalmente no Rio Grande do Sul, fazemos o possível para levar isso ao público. Temos que divulgar as canções de câmara brasileiras.
Angela recebeu o Prêmio Açorianos de Música de Melhor Intérprete Erudita em várias edições. Fundadora da Casa da Música de Porto Alegre, cidade onde reside, integra a Companhia de Ópera do RS (Cors) e é curadora de projetos de música. Sua intensa atividade como recitalista a levou a numerosas salas de concerto pelo mundo.
Questionada sobre como é se apresentar em um local impactado pela enchente de 2024, a artista revela que acompanhou de perto a pior tragédia climática do Estado:
— Vivi intensamente e sei bem o que se passou. Temos 260 crianças de escolas públicas nos grupos da Casa da Música e os levamos para se apresentar em abrigos. Depois, vencemos a PNAB (Política Nacional Aldir Blanc) para levar um festival de música para igrejas inundadas de Porto Alegre e de outros lugares do Rio Grande do Sul.
Os músicos foram convidados para as duas apresentações pela Secretaria Municipal da Cultura (SMC) da Capital.
Recital "Cantos do Brasil"
- Nesta terça (5) e quarta-feira (6), às 20h
- Teatro Renascença no Centro Municipal de Cultura Lupicínio Rodrigues (Avenida Erico Verissimo, 307 — bairro Menino Deus), em Porto Alegre
- Entrada gratuita, mediante retirada de senhas distribuídas duas horas antes de cada sessão
- Duração estimada: 75 minutos





