
Quando decidiu colocar uma orquestra de 17 integrantes atrás de uma mesa de escritório e realizar a apresentação com mais músicos da série de shows intimistas Tiny Desk Brasil, Tim Bernardes pretendia fazer algo "maluco e especial".
É esse mesmo sentimento que o levou a promover uma turnê de despedida do seu segundo álbum de estúdio, Mil Coisas Invisíveis, lançado em 2022.
A primeira apresentação será nesta quinta-feira (7), às 21h, no Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre (veja detalhes sobre ingressos ao final).
A última vez que Tim esteve na capital gaúcha foi em 2024, durante a turnê de O Terno, trio paulistano do qual faz parte. Antes disso, em 2022, realizou um show solo no Theatro São Pedro.
— Porto Alegre sempre foi um lugar forte, com um público atento. Então, voltar agora em um palco em que eu nunca toquei solo vai ser legal. Acho que é um show que muita gente que vai estar lá não viu ainda — diz em entrevista exclusiva a Zero Hora.
Com um público que cresce organicamente, Tim comenta que os lugares onde se apresenta pela segunda vez normalmente têm pessoas que estão ali pela primeira vez.
— É a última chance para a galera ver esse repertório nesse show e nesse formato. Porque depois, quando muda de álbum, costuma mudar o conceito da coisa como um todo.
Confira a entrevista com Tim Bernardes

Como surgiu a ideia de fazer uma turnê de despedida do álbum "Mil Coisas Invisíveis"?
Não sei o quão perceptível isso é para as pessoas, mas com o tempo o show vai amadurecendo muito. O jeito que eu vou tocando as músicas, o quanto estou à vontade com o repertório, o quanto vou aprimorando o setlist. E de 2022 para cá eu fiz uma leva grande de shows solo no Brasil, depois Estados Unidos, Europa, Japão e tudo mais.
Depois, teve a turnê do O Terno. No ano passado, fiz o meu show de orquestra, que é com canções dos dois discos, mas com arranjos orquestrais completos. E aí neste ano já estou querendo virar a página, trabalhando em novas músicas. Mas a gente reparou que tinha muita demanda e que o público cresceu muito daquele primeiro momento no final de 2022 para agora.
Minha obra acaba sendo uma ponte entre esse período e o presente, e vejo que meu público também percebe isso.
TIM BERNARDES
Cantor e compositor
Qual a expectativa de se apresentar no Araújo Vianna, um palco maior do que os anteriores em que você tocou solo em Porto Alegre?
Estou bem animado. Esse show solo tem um clima de intimidade, e eu tinha dúvidas de como funcionaria em lugares maiores, mas reparei que funciona superbem.
Existe uma coisa maluca que é o silêncio coletivo em um teatro grande. É uma experiência muito forte. E Porto Alegre é uma cidade com a qual tenho muita relação desde o início do O Terno.
Você sempre reverencia grandes artistas, mas sente que existe uma conversa geracional entre o seu trabalho e a tradição de grandes compositores?
Isso acaba entrando na minha música naturalmente porque é o que eu amo ouvir e o que cresci ouvindo. Sou fascinado pelo que foi feito nos anos 1960 e 70. O Tropicalismo, o Clube da Esquina e o jeito que os instrumentistas brasileiros tocavam naquela época.
Minha obra acaba sendo uma ponte entre esse período e o presente, e vejo que meu público também percebe isso.
Acho que minhas músicas tristes buscam uma redenção, transformando uma experiência dura em algo bonito.
TIM BERNARDES
Cantor e compositor
Suas músicas são românticas e reflexivas. Como você lida com os títulos de compositor romântico ou melancólico?
Eu me uso como cobaia para minha investigação de autoconhecimento, elaborando sentimentos e questões existenciais. Minhas músicas são um substrato de um processo de busca pessoal.
Gosto muito da canção de amor e da sofrência, como a de Lupicínio Rodrigues, que é um grande mestre dessa canção sangrenta. Pessoalmente, não me intitulo melancólico. Acho que minhas músicas tristes buscam uma redenção, transformando uma experiência dura em algo bonito.
Quando ouço um compositor triste, me sinto menos sozinho, e é isso que busco passar.

De onde veio a ideia de colocar uma orquestra no Tiny Desk?
Eu estava ensaiando para shows orquestrais em São Paulo e quis fazer algo icônico e maluco. O pessoal do programa achou que não caberia por ser pequeno, mas eu insisti e foi divertido justamente por ser apertado. Foi uma sessão de música muito bonita e totalmente acústica.
E o que vem após o fim desta turnê?
O Terno está em hiato no momento e eu vou passar o resto deste ano no estúdio gravando novas composições solo que já estão escritas. Elas devem ganhar forma para o ano que vem.
Tim Bernardes — Despedida "Mil Coisas Invisíveis"
- Nesta quinta-feira (7), às 21h
- Auditório Araújo Vianna (Avenida Osvaldo Aranha, 685), em Porto Alegre
- Ingressos a partir de R$ 95. Ponto de venda com taxa: Sympla (online). Pontos de venda sem taxa: loja Planeta Surf Bourbon Wallig (Av. Assis Brasil, 2.611, loja 249), somente em dinheiro (de segunda a sábado, das 14h às 21h), e na bilheteria do Araújo Vianna, em dinheiro e no cartão (aberta duas horas antes do início do show)
- Desconto de 50% para sócios do Clube do Assinante e um acompanhante





