
Um dos maiores nomes do southern rock irá se apresentar pela primeira vez em Porto Alegre. Lynyrd Skynyrd subirá ao palco do Auditório Araújo Vianna nesta terça-feira (7), a partir das 21h.
Formada nos anos 1960 em Jacksonville, Florida, a banda ganhou notoriedade a partir dos anos 1970 com sua fusão de rock, blues e country, consolidando-se também como um símbolo cultural do sul dos Estados Unidos. O grupo acumulou sucessos como Sweet Home Alabama, Simple Man e Free Bird.
Porém, em outubro de 1977, um acidente aéreo interrompeu a trajetória ascendente da banda. Na tragédia, morreu o líder e vocalista, Ronnie Van Zant, além de outros integrantes.
Formado em Jacksonville, na Flórida, em 1964, o Lynyrd Skynyrd alcançou projeção mundial nos anos 1970 sob a liderança de Ronnie Van Zant. Em outubro de 1977, no auge do sucesso, um acidente aéreo interrompeu drasticamente a trajetória da banda, marcando para sempre sua história.
O irmão de Ronnie, Johnny Van Zant, retomou o projeto em 1987 e assumiu os vocais. O último sobrevivente da formação, o guitarrista Gary Rossington, morreu em março de 2023.
Entre os integrantes da atual formação está Rickey Medlocke, que atua como guitarrista na banda desde 1996. Porém, ele chegou a ser baterista do Lynyrd Skynyrd no começo dos anos 1970, vivenciando duas eras do grupo.
Em entrevista a Zero Hora, Rickey falou sobre o atual momento do Lynyrd Skynyrd e a expectativa em tocar no Brasil.
Lynyrd Skynyrd passou por mudanças significativas e perdas ao longo dos anos. Como essas experiências moldaram a formação atual?
Algumas pessoas gostam de ir para a internet dizer que o Lynyrd Skynyrd de hoje é apenas uma "banda tributo". Bem, leve em consideração que esta é a minha segunda passagem pelo grupo. Estive na banda por quase três anos no início dos anos 70 e agora já estou de volta há 30 anos. Somado a isso, o Johnny está no posto desde 1987. Johnny e eu fazemos parte do Lynyrd Skynyrd desde sempre. Existem muitas bandas tributo ao Skynyrd por aí hoje em dia, mas nós não nos consideramos uma delas. Nós somos o grupo real. O que as pessoas não entendem é que o Gary Rossington, antes de falecer, fez eu e o Johnny prometermos que nunca deixaríamos esta banda se tornar apenas uma memória. Ele nos fez prometer que continuaríamos, que manteríamos a música viva, pois ele a escreveu, ajudou a criá-la e tinha orgulho disso. Então, seja o material clássico ou as músicas que gravamos depois que voltei, nós somos o Lynyrd Skynyrd. Ninguém pode tirar isso de nós. É assim que nos sentimos. Se outros não sentem o mesmo, não posso fazer nada.
Apesar dos detratores, os fãs continuam lotando os shows.
Com certeza! Quando você recebe esse dom e sai para tocar à noite, você toca um pouco por si mesmo e pela sensação de realização, mas os fãs são os mais importantes. São eles que te colocam onde você está. Eu gostaria que muitas outras bandas pensassem sobre de onde vieram, talvez pensem, não posso falar por todos. Penso nos fãs o tempo todo.
Quando me param na rua para conversar, nunca digo que não tenho tempo. Reservo esse tempo, porque os fãs fizeram tanto por mim na vida que eu lhes devo isso. Nós devemos isso a eles. Espero que as pessoas entendam isso sobre o Lynyrd Skynyrd. Enquanto tantas outras bandas vêm e vão, nós continuamos aqui.
RICKEY MEDLOCKE
Guitarrista do Lynyrd Skynyrd
O que torna a música de vocês tão especial a ponto de continuar mantendo essa base de fãs?
As pessoas se identificam com elas. O Ronnie (Van Zant) tinha um dom incrível de escrever sobre coisas reais, fosse sobre uma namorada, sobre a mãe dele, sobre o Gary batendo o carro em That Smell, ou sobre o Alabama em Sweet Home Alabama. Em Free Bird, ele pergunta: "Se eu partir amanhã, você ainda se lembrará de mim?". Ele escreveu sobre a vida e tinha uma forma única de colocar isso em palavras. Eu coloco o Ronnie no mesmo nível de caras como Bob Seger ou Beatles. Trabalhei com ele, eu sei disso, sinto no meu coração. O que mantém a banda viva é que essas canções estarão aqui muito tempo depois de eu partir. As pessoas sentem a música. Quem não se emociona com Simple Man? Quem está lutando na vida, talvez contra um vício, não sente o peso de That Smell ou The Needle And The Spoon? Ronnie escreveu sobre a realidade. Era um cara extremamente talentoso.
Então, você sente a obrigação de estar sempre tocando clássicos como Simple Man e Free Bird?
Sim, acredito que existe uma obrigação. Poderíamos tocar meia dúzia de músicas dos discos que gravamos desde 1996, mas acho que o público não quer isso. As pessoas querem ouvir os clássicos. É o que tentamos fazer, mesclando algumas coisas mais novas para criar um setlist equilibrado. Geralmente conseguimos atingir esse objetivo.
Você foi baterista do Lynyrd Skynyrd e, mais tarde, passou para a linha de frente na guitarra. Qual o seu balanço dessa jornada?
Começar como baterista da banda foi uma honra. Depois tive sucesso com o Blackfoot, que foi incrível. Mas voltar em 1996 como guitarrista... uau! Me senti honrado por ter a confiança do Gary. Ele me disse: "Não tenho mais o Allen (Collins), e você é o mais próximo que consigo imaginar para ocupar o lugar dele". Allen era um guitarrista especial, tanto que acho que não recebe o crédito que merece. Sigo feliz e orgulhoso de estar aqui tocando essas músicas. Dediquei 30 anos da minha vida a isso. É muito tempo. A diferença é que, como baterista, gravei e compus coisas que saíram depois nas compilações do Muscle Shoals (Skynyrd's First and... Last e Skynyrd's First: The Complete Muscle Shoals Album). Eu até cantava os vocais principais em algumas faixas. E aqui estou de volta, sendo o guitarrista. E com três guitarras no palco, por favor! É bom demais.
Após décadas na estrada e 76 anos de vida, o que continua te motivando a viajar e a gravar?
No fim das contas, é porque eu amo música. Sou um músico de verdade. Amo a arte do entretenimento e a arte de criar música. É tudo o que sempre quis fazer, e as turnês fazem parte disso. Quando uma turnê está para começar, eu já estou pronto muito antes. Se pudesse, faria turnê quase o ano inteiro. A diferença de antigamente para agora é que os tempos mudaram: viajar é diferente, os locais onde tocamos são diferentes, o estilo de vida é outro. Fico feliz por ter passado por aquele processo de aprendizado lá atrás, pois agora já conheço tudo. Às vezes as viagens são exaustivas, os voos não são mais como costumavam ser, e eu só espero que cheguemos aos destinos em segurança (risos). Eu amo estar em casa, mas também amo estar na estrada.

Como será o show que vocês vão trazer a Porto Alegre?
Olha, eu tenho que te dizer, provavelmente será um acontecimento de alta voltagem e muita energia. Escolhemos um setlist que vamos apresentar e garanto: vai ser muito bom. Acho que as pessoas ficarão bem felizes, fechando com Free Bird. E vou te falar uma coisa: quando vimos essa agenda, ficamos empolgados, porque amamos ir para aí. Adoramos fazer turnê no Brasil e na América do Sul como um todo. Os fãs são incríveis. Ficamos radiantes ao saber que voltaríamos e estamos ansiosos desde então. Estou pronto para começar agora mesmo! É a nossa terceira vez no Brasil. Pelo que entendi, ficaremos por aí uns 10 dias, fazendo outros shows além do Monsters of Rock. Se dependesse de mim, ficaria várias semanas tocando em todos os lugares, mas nem sempre as coisas saem do nosso jeito.
Será a terceira vinda do Lynyrd Skynyrd ao Brasil. Entre as outras passagens pelo país, do que você gosta de lembrar?
Uma das maiores memórias que me vêm à mente aconteceu em um rodeio que vocês têm todo ano (Festa do Peão de Barretos). Tocamos depois do rodeio e, quando foi a vez de Simple Man, havia um cara na plateia que passou a noite toda segurando um cartaz que dizia: "Meu sonho é cantar Simple Man com o Lynyrd Skynyrd". Nós nunca deixamos ninguém subir para fazer isso, mas, por alguma razão, o Johnny (Van Zant) se sentiu compelido e chamou o rapaz. No fim das contas, descobrimos que o cara era cantor bem popular (Nando Fernandes, vocalista veterano da cena hard rock e heavy metal, com passagens por Sinistra, Hangar, Brother Against Brother, Cavalo Vapor, entre outros projetos). Ele subiu e estava transbordando felicidade, foi incrível. Olhei para o lado uma hora e o sujeito estava de joelhos, emocionado. O cara mandou muito bem.
Lynyrd Skynyrd
- Terça-feira (7), às 21h, no Auditório Araújo Vianna (Avenida Osvaldo Aranha, 685)
- Ingressos a partir de R$ 515 (solidário lote 3, mediante doação de 1kg de alimento não perecível) pela plataforma Bilheteria Digital.



