
Uma nova temporada da história de 26 anos da Fresno chega às plataformas digitais nesta sexta-feira (24), com 10 músicas que compõem o álbum Carta de Adeus. São nove faixas próprias e uma releitura da canção Pessoa, de Dalto.
O fã — acostumado a ter novos trabalhos de Lucas Silveira (vocal), Gustavo Mantovani, o Vavo (guitarra) e Thiago Guerra (bateria) a cada dois anos em média — vai acompanhar letras que, como os próprios músicos dizem, tratam de um aceno de tchau bem resolvido para versões passadas de si mesmos.
Ao contrário do temor compartilhado entre alguns admiradores, o nome do 11º álbum da carreira não trata de um adeus de fato, pois a Fresno já adiantava, em trabalho anterior, que não foi e não iria embora. Sobre esse receio que permeia os fãs de bandas de emocore, que já viram muitos grupos acabando, Lucas Silveira, o vocalista, é enfático e garante que a Fresno soube cultivar seu público mesmo que não intencionalmente:
— O fã acompanha os discos da banda como quem acompanha uma série que gosta. O que vai vir na próxima temporada? Qual é a próxima era? A gente conseguiu educar o fã de uma maneira fazendo o quê? Um disco um atrás do outro — responde Lucas.
— As músicas surgem porque surgem, não tem ninguém obrigando a gente contratualmente a fazer álbum, a gente faz porque é o que a gente mais gosta de fazer — complementa.
A gente conseguiu educar o fã de uma maneira fazendo o que? Um disco um atrás do outro.
LUCAS SILVEIRA
Vocalista da Fresno
Carta de Adeus remete às versões passadas de histórias dos próprios integrantes da Fresno. Há nuances que vão desde um encontro cotidiano entre um passageiro e um motorista — em O Cantor e o Taxista — até uma tentativa recorrente de esquecer alguém — em Tentar de Novo e de Novo — música em que o eu lírico faz um pedido de desculpas a si mesmo, em uma forma de adeus.
— A gente nunca começou um disco com um nome ou um conceito antes das músicas existirem. A Fresno tendo 11 álbuns, a gente percebe que cada álbum tem músicas que vão surgindo conforme o que se vive naquele momento. E fazendo as músicas do Carta de Adeus, eu percebi um clima de uma despedida que, por vários momentos, não é melancólica, porque é um adeus resolvido. Eu fui percebendo que cada adeus era como se fosse uma carta não escrita para algum momento, para alguma pessoa, para alguma versão até de mim mesmo. Jogando esses pesos para fora, tu fica mais leve — conta Lucas.
"Som mais puro"
Quanto à sonoridade, diferentemente de álbuns que ficaram mais marcados por serem mais voltados ao pop, outros mais ao rock, Carta de Adeus une ritmos e não foi pensado em ter um conceito pré-estabelecido.
— O processo é muito natural, porque, às vezes, algumas pessoas podem pensar que esse álbum tem que ser com uma pegada mais pop, ou com uma pegada mais rápida, ou mais hardcore, mas as músicas vêm naturalmente e não são feitas de um dia para o outro. A gente não se tranca no estúdio e faz todas as músicas, elas vão acontecendo ao longo de um período, de uma turnê. A gente vai ouvindo bandas diferentes, a gente está na estrada, conhece bandas novas, tudo acontece muito naturalmente — exemplifica Vavo.
Ao passo que surgiam as composições, percebia-se, conforme Vavo, que o tom era de "despedida para momentos que já aconteceram na vida". Lucas reforça que, inicialmente, a ideia era trabalhar com um "som mais puro", sem se utilizar de ferramentas para realizar modificações.
— Com esse álbum a gente manteve até o final a intenção de que os instrumentos tivessem o som deles mesmos. Tu vais ouvir muita guitarra limpa, e isso em contraponto com os momentos em que as músicas explodem. Quase todas as músicas do disco têm uma dinâmica de um começo suave que depois explode. Fica parecendo até que é mais pesado, que é mais rock, justamente por essa explosão entre as dinâmicas. Tu vais ouvir ali um pouco dos timbres que a gente encontra em músicas da Legião Urbana, de coisas dos anos 80, de bandas inglesas, um cuidado com a guitarra limpa no rock. Buscamos um som mais processado em outros álbuns, e nesse os sons talvez sejam menos processados — observa o vocalista.
Dia 16 de maio, na Redenção: "A ideia é eternizar esse show"
Junto ao lançamento de Carta de Adeus, a Fresno vive a expectativa daquele que poderá ser o maior show da história da banda, segundo os integrantes. No dia 16 de maio, no Parque Farroupilha (Redenção), em uma parceria com a Fecomércio, a Fresno realiza um show gratuito para apresentar o novo álbum, sem deixar clássicas que os próprios nomes já falam da importância do evento, como Redenção e Porto Alegre.
— A ideia é eternizar esse show na história da Fresno — reforça Vavo.

A realização do evento, comenta Lucas, é a concretização de um desejo antigo. Apresentar as músicas novas e clássicas em um lugar emblemático como a Redenção, de forma gratuita, veio como um encontro "cósmico":
— Há muitos anos que eu quero fazer um show de graça em Porto Alegre. Eu precisava da oportunidade e agora ter esse casamento cósmico de ser um show de graça em Porto Alegre, na Redenção, e de ser no lançamento de um álbum, é muito louco. É incrível, de ajoelhar, agradecer, e também rezar para ter um tempo muito bom. O potencial é muito grande, e eu acho que pode ser o maior show da história da banda.
O setlist ainda não está definido. O que se sabe, por enquanto, é que vai mesclar fases da banda:
— Tenho uma vontade pessoal de que todo show aconteça alguma coisa única, várias vezes não precisa nem pensar nisso, ela simplesmente acontece, mas quero preparar algo para Porto Alegre. Sem dúvida, não pode faltar várias como Redenção, Porto Alegre, Cada Poça Dessa Rua, músicas lá do começo da carreira e músicas mais recentes. Estou bem otimista e muito ansioso para que esse dia chegue — diz Lucas.
As músicas de Carta de Adeus
- Eu Não Vou Deixar Você Morrer
- Carta de Adeus (Bye Bye Tchau)
- Tentar de Novo e de Novo
- Sóbria
- Pessoa
- Logo Agora Que o Meu Mundo Girou
- Tudo o Que Você Quer
- Se Foi Tão Fácil
- O Cantor e o Taxista
- Eu Não Sei Dize Não



