
Tiago Iorc vai trazer a Porto Alegre a turnê comemorativa de 10 anos do álbum Troco Likes (2015). O cantor subirá ao palco do Auditório Araújo Vianna no dia 5 de setembro. As informações sobre vendas de ingressos serão divulgadas nos próximos dias.
Na última sexta-feira (27), Iorc lançou nas plataformas digitais o disco Troco Likes – 10 Anos, em que reinterpreta as faixas com convidados especiais. Há nomes das mais variadas vertentes musicais: Menos É Mais, Ney Matogrosso, Iza, Lauana Prado, Marina Sena, Melly, Jota.Pê, Os Garotin, Vitor Kley e até o projeto infantil Mundo Bita.
Iorc acumula quase 20 anos de trajetória e 10 álbuns em sua discografia, mas foi com Troco Likes que o cantor se consagrou nacionalmente, justo em seu primeiro registro composto inteiramente em português.
Com o álbum ao vivo do projeto, lançado em 2016, conquistou seu primeiro Grammy Latino, na categoria de Melhor Álbum Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa.
Nascido em Brasília (DF), Iorc chegou a morar no Rio Grande do Sul, em Passo Fundo, dos oito aos 11 anos. O que foi suficiente para assimilar algumas influências que podem até ser ouvidas em Troco Likes. A faixa de abertura, Alexandria, foi composta em parceria com Humberto Gessinger, enquanto Bossa é um cover de Cidadão Quem, presente no disco Spermatozoon (1998).
Em entrevista a Zero Hora, Iorc falou sobre essas influências, os 10 anos de Troco Likes e o show da turnê que trará a Porto Alegre.
Leia a entrevista com Tiago Iorc

"Troco likes — 10 Anos" traz as faixas do disco de 2015 recriadas com parcerias de diferentes vertentes. Vai de Menos É Mais a Ney Matogrosso. Qual foi o critério para selecionar e convidar esses diferentes artistas para cada faixa?
A escolha está muito baseada na minha história mesmo. São artistas que admiro e que fazem parte, de alguma forma, dela. Ou aqueles com quem eu tinha vontade de fazer uma parceria e estava só faltando a oportunidade.
Foi uma escolha muito pontual e verdadeira com o meu sentimento. E o encaixe de cada um nas faixas foi definido pelo que era melhor para cada canção.
Houve dois filtros: primeiro, quem eram artistas possíveis que eu gostaria que participassem. Depois, entender quais desses artistas se encaixavam nessas canções.
E o Mundo Bita, como entrou?
Conheci o Chaps Melo, que é o idealizador do Mundo Bita, há muitos anos. Lá por 2017, conversamos sobre a possibilidade de fazer uma versão de Coisa Linda para o Mundo Bita. Por ventura da vida, não deu certo naquele momento. Depois, veio a pandemia, enfim, se dispersou um pouco esse contato.
Agora, quando a gente resgatou a oportunidade de regravar essa canção, reabriu esse diálogo. Essa faixa naturalmente tem uma conexão com esse universo do sentimento, da troca materna, da mãe com seus filhos e das próprias crianças se identificarem muito com essa canção.
Há uma pureza em 'Coisa Linda', como um amor num lugar puro, que se relaciona muito com esse lugar maternal.
TIAGO IORC
Cantor e compositor
Só confirmou o que a gente já vinha sentindo há muitos anos, de fazer essa releitura de uma das canções principais do meu repertório, da minha vida. Existe esse cuidado para essa participação, que trouxesse esse elemento lúdico, esse elemento da pureza. Quando foi pensado no Bita, fez muito sentido.
Em "Troco Likes", há a canção "Alexandria", composição em parceria com Humberto Gessinger, e uma releitura de "Bossa", da Cidadão Quem. Pode falar um pouco sobre esses nomes da música gaúcha que te influenciaram?
Foi uma influência total na minha formação. Meus anos fundamentais foram em Passo Fundo, então cresci mergulhado nesse movimento da música gaúcha. Tanto a música regionalista, que ouvi também, quanto esse movimento natural do pop rock gaúcho.
Ouvi muito Nenhum de Nós, Cidadão Quem, Papas da Língua, aquele momento anos 1990 e início dos anos 2000, que foi um movimento bem bonito de bandas do Estado. O próprio Engenheiros (do Hawaii) também.
Esse universo de compositores gaúchos sempre esteve muito presente na minha formação musical.
TIAGO IORC
Cantor e compositor
Duca (Leindecker) talvez tenha sido um dos alicerces da minha educação como compositor. Ao longo da minha trajetória, sempre gostei de enaltecer o Duca. Tem diferentes versões de diferentes músicas que já gravei dele. Também tive a oportunidade de compor com ele depois.
Foi por meio de uma participação de um show do Duca que eu conheci o Humberto (Gessinger), em Porto Alegre. Nos conhecemos ali nos bastidores dessa apresentação, em 2014. A partir dali, surgiu o nosso contato e o meu convite para a gente compor uma música, que foi Alexandria.
E como "Bossa" se encaixava nesse repertório de "Troco Likes"?
Adoro as composições do Duca. Sinto que em algum momento talvez eu faça um álbum só disso, só para enaltecer as composições dele. Aliás, já tinha gravado Dia Especial um pouco antes.
Bossa traz um discurso enaltecendo a singularidade, que se tornou uma grande questão naquele movimento inicial das redes, essa dissipação da singularidade, de se confundir o que cada um era, de tentar se encaixar muito dentro de uma estética. Ao mesmo tempo, enquanto essa singularidade se dissipava, havia uma ampliação do julgamento, de uma qualificação em relação comparativa mesmo a uma pessoa ou outra.
A internet uniu mundos diversos, distantes. Antes, quando a gente era uma tribo um pouco mais isolada, vivia mais em bolhas, isso não estava tão escancarado. Agora, como a gente está conectado com o mundo inteiro, essas diferenças nos colocam mais a nossa necessidade empática.
Sinto que essa canção ('Bossa') celebra a individualidade de cada um, a beleza de ser o que cada um é. Por isso, essa vontade de incluir no disco naquele momento.
TIAGO IORC
Cantor e compositor
O que está planejando para o show da turnê "Troco likes — 10 Anos"? O que veremos em Porto Alegre?
A vontade fundamental é celebrar esse projeto. Olhar para essa história, olhar para essas canções.
O primeiro movimento foi com o álbum, celebrando junto com amigos e artistas. O segundo momento será junto das pessoas que se conectam com essa obra, se conectam com o que eu faço.
A minha ideia é fazer um show muito comemorativo e bem produzido. Haverá uma banda grande, vai ser uma coisa bem especial, um momento de comemoração mesmo com as pessoas.
Eventualmente, o pessoal que colaborou com as faixas pode participar do show?
É possível, é possível. Vai depender. Obviamente não é esse o intuito da turnê, porque aí envolve uma logística que é muito mais complexa, de casar a agenda de todo mundo. Mas sempre que possível, vou gostar de trazer essas participações para o palco.



