Se o Brasil ficou desolado com a morte dos cinco integrantes da banda Mamonas Assassinas em 2 de março de 1996 — há exatos 30 anos —, o legado deixado por Dinho, Bento Hinoto, Júlio Rasec, Samuel e Sérgio Reoli foi de alegria. Inclusive, com passagens marcantes pelo Rio Grande do Sul.
Uma das primeiras vindas do grupo ao Estado foi justamente no ano em que ele foi fundado: em 1995. Era 21 de outubro, um sábado, e os músicos se apresentaram para cerca de 6 mil pessoas no ginásio do Gigantinho, marcando a sua ascensão meteórica. Matérias de Zero Hora da época detalham que o show durou 80 minutos e deixou o público hipnotizado.
E não era para menos. Os jovens eram pura energia e não paravam quietos em cima do palco. A irreverência era o fio condutor das apresentações do grupo, que foi criado em Guarulhos, São Paulo. Outro registro marcante dos Mamonas no Estado foi na primeira edição do Planeta Atlântida, em Xangri-lá, no Litoral Norte.
No maior festival de música do sul do Brasil, o quinteto detonou — com Dinho subindo ao palco com a icônica fantasia de Pernalonga.
Em entrevista recente para Zero Hora, o advogado Giancarlo Chiapinotto, 44 anos, relembrou que assistiu de perto à apresentação dos Mamonas Assassinas naquele 9 de fevereiro de 1996. Ele foi ao primeiro Planeta, levado pela mãe.
— Eu e meu irmão éramos muito fãs dos Mamonas, tínhamos tudo deles. Foi o primeiro show que eu fui na vida, aos 14 anos, e foi incrível. Pulamos o tempo todo, cantamos todas as músicas. Lembro de termos ficado muito perto do palco. Logo depois, infelizmente, houve o acidente com o avião — contou.

Zoeira pelo Interior
Depois de lançarem o primeiro disco, em junho de 1995, "os Mamonas" nunca deixaram de viver o auge da popularidade. Os músicos enfileiravam cerca de 30 shows mensais — e com quase 2 milhões de álbuns vendidos. Um fenômeno. E isso não impediu que eles entregassem performances épicas também pelo interior do Estado.
Era uma quarta-feira, 14 de fevereiro de 1996. Naquele dia, o Mamonas Assassinas chegou a Passo Fundo para um dos últimos shows de sua carreira. A apresentação ocorreu no Estádio Vermelhão da Serra, às 21h e reunindo milhares de fãs. Durante o evento, houve um blecaute, mas isso não interrompeu a animação.
Com menos de 20 minutos do show, o vocalista Dinho chamou as pessoas que estavam nas arquibancadas para o gramado:
— Eu queria saber de quem foi a ideia de colocar aquela galera lá longe. De quem é que foi a ideia? Teve alguém muito inteligente aqui, foi o Manoel da Suruba que fez isso? Eu queria pedir para o pessoal da organização que, por favor, liberassem as pessoas que estão lá em cima para poder vir aqui perto da gente. Por favor, libera eles. Porque eu não consigo ver eles daqui e eu duvido que eles estejam conseguindo me ver de lá. Vem para a festa vocês também.
Foi uma grande festa. Naquele mesmo mês, na noite de 29 de fevereiro, a banda fez pular e gritar as mais de 20 mil pessoas que foram aos Pavilhões da Festa da Uva, em Caxias do Sul, naquele que seria o antepenúltimo show dos Mamonas Assassinas.
Para alegria dos presentes, o tecladista Júlio Rezek surgiu no palco com uma camisa do Juventude, que no ano anterior havia estreado na primeira divisão nacional. A apresentação durou pouco mais de uma hora e fez o público vibrar com os hits do grupo.

O acidente
No ápice da carreira, a banda partiu para cumprir mais um compromisso de sua agenda. No entanto, o destino foi interrompido na noite de 2 de março de 1996, quando o avião que levava os músicos, parte da equipe técnica, o piloto e o copiloto colidiu contra a Serra da Cantareira, em São Paulo, vitimando todos a bordo.
O acidente aéreo chocou o Brasil. A despedida dos músicos foi um evento histórico: 30 mil pessoas prestaram suas homenagens no Ginásio Paschoal Thomeu, enquanto mais de cem mil fãs acompanharam o cortejo até o Cemitério Parque das Primaveras I.
Agora, 30 anos depois, os corpos dos cinco integrantes do Mamonas Assassinas foram exumados e parte dos restos mortais servirá de adubo para o plantio de cinco árvores no BioParque Cemitério de Guarulhos, cidade onde o quinteto morava.

