
Uma das vozes fundamentais do rock gaúcho, Julio Reny vai inaugurar um novo ciclo em sua vida e carreira nesta quinta-feira (5). É a estreia da turnê Oceano de Bondade no palco do Opinião, em Porto Alegre, a partir das 21h (veja detalhes sobre ingressos ao final). Muito além de um show, será a celebração do recomeço. De uma nova chance.
Trata-se da primeira apresentação do músico após a agressão que sofreu em 8 de novembro. Ele conta que na ocasião, ao chegar em casa depois de realizar um show em Viamão, foi atacado com pancadas, inclusive com um troféu do Prêmio Açorianos.
O suspeito é seu ex-empresário e ex-colega de apartamento Sandro Ineu, que foi denunciado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) nesta terça-feira (3) por lesão corporal grave.
Comovidos com o ocorrido, os fãs se fizeram presentes: uma vaquinha para custear os tratamentos do músico arrecadou mais de R$ 151 mil reais.
Como será o show

Acompanhado de Jeff Gomes (guitarra, teclados e harmônica), Guilherme Wurch (baixo), Márcio Camboim (bateria), Gabriel PC (sax e trompete) e IuroSan (violão), Julio repassará no palco seus mais de 45 anos de carreira, sendo 67 de vida. Para isso, contará com ajuda dos amigos.
Em Amor e Morte e Tenha Fé, haverá a participação de Adriana Deffenti. Outro destaque será a reunião histórica do projeto Cowboys Espirituais, com Frank Jorge e Marcio Petracco, apresentando hits como Jovem Cowboy — também com participação do rapper Piá — e O Mundo É Maior que o teu Quarto.
Além de sucessos como Não Chores Lola e Cine Marabá, Julio tocará novidades. Pretende abrir a apresentação com Compulsivo, single lançado no último 22 de fevereiro (assista ao clipe abaixo).
Vêm aí dois álbuns
Com novo empresário e animado pelo apoio dos fãs é que surge Oceano de Bondade. O nome da turnê é inspirado em uma frase que Julio disse em entrevista a Zero Hora em novembro ao refletir sobre a agressão: "O que é uma gota de maldade em um oceano de bondade?". É uma maneira de retribuir tudo que fizeram por ele.
— Minha vida é realmente capaz de dar 180 graus de virada. Em uma semana, muda de A a Z. Não à toa que já virou filme e livro. Já estou me acostumado com isso, de tempos em tempos acontece. Que bom que desta vez foi para o bem — avalia.
Apesar das limitações que sofreu após as agressões (leia mais abaixo), o artista segue criando. Para 2026, pretende lançar dois álbuns. O primeiro é um novo registro em parceria com Jeff Gomes, cujo primeiro single é justamente Compulsivo. O show desta quinta também deve se tornar um disco a ser lançado ainda neste ano, segundo o cantor:
— Já compus com a ajuda da minha secretária e cuidadora, Simone, que virou minha mão e meu olho. Eu ia dizendo os versos, e ela ia anotando. Na hora de gravar a voz-guia no estúdio, ela ia citando frase por frase para eu ir decorando e encaminhar a gravação da música. Todo o disco talvez precise dessa ajuda. Vou precisar de tremenda capacidade de concentração para memorizar as letras.
Depois da agressão

Por conta da violência que sofreu em novembro, Julio teve as duas retinas descoladas. Também ficou com escoriações nos braços e ferimentos na região da cabeça, pescoço e rosto, e foi submetido a um delicado tratamento dentário. A visão do cantor é bastante limitada, necessitando de cuidados e atenção constante.
Conforme relata sua filha, a artista e produtora cultural Consuelo Vallandro, o olho direito do pai já tinha uma deficiência. Ele teve um derrame que tapou toda a parte central da visão, e só enxergava pelas laterais. Apesar de uma catarata, a visão do olho esquerdo era mais eficiente, tanto que o cantor o usava para ler, fazer as tarefas diárias e tocar. A catarata foi retirada, mas houve uma ruptura na retina considerada grande por conta da agressão. A cirurgia foi realizada, e a retina foi colocado no lugar, sendo injetado um óleo para segurá-la até que cicatrize.
— Esse processo todo de regeneração demora e impede a gente de saber exatamente o que vai ficar de sequelas. O pai vai ter de retirar o óleo ainda — diz Consuelo.
Ajuda dos fãs

Uma corrente de solidariedade abraçou o cantor recentemente. Antes mesmo da agressão, uma postagem de Julio nas redes sociais mobilizou os fãs. Em dificuldades financeiras, o porto-alegrense decidiu colocar à venda, em outubro, seu único violão: um Strinberg modelo jumbo folk. Com as contribuições recebidas via Pix, pôde permanecer com o instrumento.
Na ocasião, reportagem de Zero Hora mostrou a situação precária em que se encontrava o cantor. Estava começando a reerguer a carreira — conseguiu até uma permuta de implantes dentários que faria posteriormente —, agendando apresentações, até que veio o baque.
Após a agressão, foi criado o financiamento coletivo. Os mais de R$ 151 mil estão sendo destinados para os tratamentos de saúde de Julio e para a cuidadora. Com a visão prejudicada, o cantor ainda não consegue ler, escrever ou executar muitas tarefas do dia a dia. Mas a vida e a música continuam, atesta ele:
— Estou vivo, ativo e me renovando. E com uma longa estrada prometida pela frente.
Julio Reny e convidados em "Oceano de Bondade"
- Nesta quinta-feira (5), a partir das 21h, no bar Opinião (Rua José do Patrocínio, 834), em Porto Alegre
- Abertura: Rádio Melodias (Lendas do Rádio Gaúcho)
- Ingressos a partir de R$ 45 (solidário, mediante doação de 1kg de alimento não perecível)
- À venda na loja Planeta Surf Bourbon Wallig (Av. Assis Brasil, 2.611), das 14h às 21h (sem taxa, somente em dinheiro), e pela plataforma Sympla (com taxa)
- Sócios do Clube do Assinante e um acompanhante têm 50% de desconto





