
O clássico absoluto Deu pra Ti, de Kleiton & Kledir, foi o grande vencedor da votação A Música de POA, que perguntou a 200 artistas qual canção melhor representa Porto Alegre. Mas outras 79 músicas também foram lembradas.
São composições que despertam um sentimento afetuoso ou de identificação com a capital gaúcha. Ou simplesmente remetem à cidade.
Para festejar o aniversário de 254 anos de Porto Alegre, completados nesta quinta-feira (26), o especial busca enaltecer as músicas que refletem a identidade da capital gaúcha.
As mais votadas

Além de Deu pra Ti, de Kleiton & Kledir, campeã com 18% dos votos, o ranking também teve Porto Alegre É Demais (em segundo lugar, com 9% dos votos), de José Fogaça, imortalizada na interpretação de Isabela Fogaça.
Empatadas em terceiro lugar ficaram Amigo Punk (Frank Jorge/Marcelo Birck), da Graforréia Xilarmônica, e Ramilonga, de Vitor Ramil, ambas com 8% dos votos.
Em seguida, vieram Pegadas (em quarto lugar, com 5% dos votos), de Bebeto Alves (1954-2022), e Horizontes (em quinto lugar, com 4% dos votos), composta por Flávio Bicca Rocha, interpretada na peça Bailei na Curva e célebre na gravação de Elaine Geissler.
Júri popular
Em enquete com leitores de Zero Hora, Porto Alegre É Demais ficou em primeiro lugar, com 36,8%. Em segundo, veio Deu pra Ti, com 32,1%.
Variedade de gêneros

Entre as demais canções lembradas pelo júri oficial, há diferentes gêneros musicais.
Há, por exemplo, o bailão Pegando o Ônibus (composição de Cleiton Borges), sucesso do Musical JM lembrado por quatro votantes.
Com três votos, Povoado das Águas foi composta por quatro grandes nomes da música popular gaúcha — Antonio Villeroy, Bebeto Alves, Gelson Oliveira e Nelson Coelho de Castro — e gravada por eles no projeto Juntos.
Ainda na seara da música urbana, Feito um Picolé no Sol, de Nico Nicolaiewsky (1957-2014), teve o mesmo número de votos. Nico ficou conhecido pelo grupo Saracura e pelo espetáculo de humor Tangos & Tragédias, ao lado de Hique Gomez, desenvolvendo carreia solo como compositor e intérprete.
Da cultuada banda de rock Atahualpa y us Panquis, comandada pelo músico e produtor Carlos Eduardo Miranda (1962-2018), Shoobidabiduba também recebeu três votos. A composição é de Miranda com Carlinhos Carneiro.
Com o mesmo número de lembranças, o clássico regionalista Desgarrados foi composto por Mario Barbará (1954-2018) e Sergio Napp (1939-2015). No ano passado, a faixa ficou em nono lugar na votação A Música do Rio Grande, que elegeu as composições regionalistas mais representativas.
Completando a lista das que tiveram pelo menos três votos está Pealo de Sangue, composição de Raul Ellwanger que já teve mais de 30 gravações em cinco países e quatro idiomas.
As demais faixas tiveram dois votos ou apenas um.
Memória afetiva
Lucas Silveira, vocalista e guitarrista da Fresno, foi com a roqueira Sob um Céu de Blues (Flávio Basso/Nei Van Soria/Luciano Albo), de Os Cascavelletes. Silveira lembra:
— Sob um Céu de Blues figurava nas rodas de violão da minha turma da escola. É uma baladona muito linda, com uma linguagem muito local, que me faz lembrar da cidade. Toda vez que ouço eu volto um pouquinho para lá.
Essas memórias afetivas permearam os votos do projeto. No caso de Silveira, a canção faz parte de sua relação com Porto Alegre, aonde chegou ainda aos três meses de idade, no colo da mãe, vindo do Ceará.
— As vivências da adolescência e o contato com a cultura local é que começaram, de fato, a me trazer essa ideia do que é ser porto-alegrense. Para mim, isso se deu pelo contato com o rock produzido na Capital.





