
Conquistando o público em seu primeiro voo, a Fly 51 foi inaugurada neste sábado (28), na Zona Norte de Porto Alegre — junto ao Aeroporto Internacional Salgado Filho. A abertura do complexo começou no meio da tarde e se estendeu noite adentro, com apresentações de DJS (Hans Ancina, DJ Cabeção, Willian Neto, Netto DJ e DJ Vepo) e contando com a dupla Zé Neto & Cristiano como atração principal.
Criada por uma sociedade formada pelo Grupo TE2 Hospitality, Greenvalley (Grupo GV), GDO Produções e Grupo Prime, a arena multiuso deve abrigar shows e eventos com capacidade para mais de 11 mil pessoas — de acordo com que foi ressaltado à GZH, o número pode ser ampliado conforme eventos excepcionais e mediante alvará específico.
No caso, a Fly 51 surge para preencher uma lacuna existente na capital gaúcha de estrutura fixa para shows de público intermediário — por volta de 10 mil pessoas. A expectativa é de reposicionar a cidade no circuito dos grandes eventos nacionais e internacionais.
A inauguração recebeu milhares de pessoas — o número total não foi informado pela organização — de diferentes faixas etárias, embora o público acima dos 30 predominasse. Parte do público vestia chapéu de cowboy, em comunhão com o espírito sertanejo da atração de abertura. Era comum ver mulheres com chapéu rosa e cabelo liso, escuro e comprido, remetendo à cantora Ana Castela. No geral, a vestimenta variava entre o casual e o festivo.
Falando em festa, antes de Zé Neto e Cristiano subirem ao palco, os DJs colocaram os presentes para dançar com uma notável variedade musical. Quem esteve na Fly 51 ouviu de Tim Maia ao Tokyo Drift (Fast & Furious), de Teriyaki Boyz, tema do terceiro filme da franquia Velozes e Furiosos. De Baitaca a Perigosa e Linda, do Corpo e Alma. De Ludmilla ao Tim Maia. Talvez seja a demarcação de um possível espaço eclético na capital.
Zé Neto e Cristiano subiram ao palco às 21h37min já garantindo a vitória na casa nova com hit Barulho de Foguete. O que se repetiria em outros momentos, como Largado às Traças. Foram as primeiras vezes que o público da Fly 51 entraria em êxtase. As primeiras de muitas, quem sabe.
A nova casa conquista o público
Contudo, o som de Zé Neto e Cristiano às vezes soava abafado ou embolado. Às vezes, era difícil entender o que a dupla cantava. Não era algo que diminuísse a animação dos presentes, mas para se observar nas próximas vezes.
A visão para o palco era tranquila na maior parte da arena, com exceção nas partes laterais que se tornam um ponto cego por conta do camarote.
Boa parte da circulação pelo local foi satisfatória — só fica mais complicada no setor chamado frontstage, próximo ao palco, já que parte da plateia, naturalmente, se aglomera por ali. Esse espaço fica embaixo da tenda fixa, que tem cerca de 4 mil metros quadrados e 16 metros de altura.
Aliás, na parte do frontstage, o calor era grande. Na hora do show, a temperatura marcava por volta dos 27ºC na rua, mas aumentava consideravelmente na tenda. O público suava nesse setor. O uso de leques era constante pelas mulheres presentes (embora sem a bateção).
A porto-alegrense Katiuscia Franco, 39 anos, observou:
— Só deveria ter alguma ventilação lá dentro, está muito quente. O dia está muito abafado. Por outro lado, a coordenadora de RH elogiou a organização da Fly 51, destacando ser um espaço muito bem sinalizado e aberto. Katiuscia estava acompanhada de sua irmã, Katiéli Franco, 27 anos, técnica em radiologia. Sobre a arena, a irmã mais nova pontuou:
— É um lugar amplo, com uma iluminação muito boa. Gostei também do som.
Um ponto que foi positivamente unânime entre todas as pessoas que a reportagem ouviu foram os banheiros — limpos e espaçosos, bem espalhados pela área do complexo. Porém, algumas pequenas poças se formaram dentro ou fora de pelo menos dois banheiros.
Outro ponto positivo é que não havia formação de filas longas ou de tempo prolongado. É o que observa a porto-alegrense Heloisa Silveira, 58 anos, que trabalha com serviços gerais. Por lá, ela estava acompanhada da filha e amigos.
— Até que os preços não estão muito altos. A segurança também está muito boa. A circulação é bem tranquila. Acho que passou no teste — disse Heloisa.
Por sua vez, o jornalista Rafael Menezes, 40 anos, veio de Santa Maria para acompanhar a abertura. Dormiria em um airbnb. Segundo ele, a Fly 51 era um espaço que estava fazendo falta não só para a população da cidade, mas que pode atingir o público do interior do Estado.
— Com certeza pela logística, fará toda diferença. Deve ajudar a fomentar a economia da região. Tudo bem servido, bem distribuído. Há bastante informação e acessibilidade — avaliou Menezes.
Já o coordenador de eventos Felipe Garcia, 43 anos, aproveitava um raro sábado de folga para conhecer o novo espaço. Para ele, a Fly 51 já poderia ser considerada uma das grandes casas de eventos da cidade — onde vive há 10 anos, sendo natural de Bagé.
— Estou fascinado com o tamanho do local, com o atendimento e com o show que está recebendo — celebrou. — Para nós, ter mais uma casa assim, é um presente e tanto. É bem localizada e aconchegante, um povo muito lindo. Quero vir mais vezes.



