
Foi festa, foi carnaval, foi São João. Foi a vez do homem do ano fazer sua estreia no Planeta Atlântida.
Depois do trap de Veigh, entrou em cena o piseiro no Palco Planeta. João Gomes mostrou por que é o homem do ano.
Aos 23 anos, o cantor pernambucano chega ao festival no auge, com uma carreira que ascendeu significativamente em 2025. Não faltam exemplos: ele levou para casa quatro troféus no último Prêmio Multishow, incluindo o de Artista do Ano. Venceu o primeiro Grammy Latino da carreira na categoria Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa com o projeto Dominguinho (que foi sucesso de público e crítica no ano passado), em parceria com Mestrinho e Jota.Pê.
Além dos prêmios, João foi o primeiro artista convidado para inaugurar o Tiny Desk Brasil, com repercussão extremamente positiva. Também foi escolhido como “Homem do Ano na Música” pela revista GQ Brasil, realçando sua influência na cena musical brasileira. Aliás, ele tem agradado aos mais variados públicos e já gravou com nomes de diferentes estilos — Gilberto Gil, Wesley Safadão, BK, entre outros.
Portanto, João estreou no Planeta com status de “queridinho do Brasil”. O cantor subiu ao palco às 19h31min e, imediatamente, colocou a Saba para dançar piseiro com Dengo — hit na ponta da língua dos planetários.
O mesmo aconteceu pouco depois em Aquelas Coisas. E se repetiu em Me Ama Sem Pausa (Aquelas Paradas). O Planeta virou uma baile de piseiro. Tanto que, em determinado momento, João aconselhou:
— Quem não souber dançar o piseiro, faz que nem eu: só balança o corpo!
Além disso, os trabalhadores e sonhadores também tiveram vez no show. Antes de Eu Tenho a Senha, João fez uma dedicatória:
— Para você que é guerreiro e vai para a batalha todos os dias, atrás de seus sonhos.
Quando foi a vez de interpretar o sucesso A Noite, cover de Tiê, João só deu a deixa e o público cantou por ele à capella: “E quando chega a noite, eu não consigo dormir/ Meu coração acelera e eu sozinho aqui/ Eu mudo o lado da cama, eu ligo a televisão”. Na sequência, dois covers de Kid Abelha: a versão piseiro do relacionamento tóxico retratado em Como Eu Quero, emendando Nada Por Mim. Ainda no bloco de versões, rolou Amada, da Vanessa da Matta.
O bloco seguinte conteve músicas do projeto Dominguinho, com forró ganhando protagonismo aqui. A primeira música dessa parte, a romântica Lembrei de Nós, fez alguns casais na Saba se beijarem (e solteiros se desesperarem), em uma interpretação suave de João.
No mesmo bloco, o cantor incluiu Pontes Indestrutíveis, do Charlie Brown Jr., em uma versão que flerta com o rock. Também homenageou o vocalista:
— Viva Chorão! Viva o Charlie Brown!
O piseiro voltou com força com o hit Meu Pedaço de Pecado, com os planetários retomando o baile.
Mete Um Block Nele foi outra entoada com força pelo público, com direito a solo de guitarra roqueiro e baterista utilizando o pedal duplo. Ainda, o cantor orientou a plateia a expulsar os vacilões do coração.
Então, virou festa. João prestou tributo aos seus conterrâneos de Pernambuco, com covers de A Praieira, de Chico Science & Nação Zumbi, e Anunciação, de Alceu Valença.
Antes da versão de Copo de Vinho, ele deu outro conselho à plateia:
— Chega no seu amor e fala: não sou o Homem-Aranha, mas hoje você vai subir pelas paredes.
Esse bloco ainda contou com Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar), do Tim Maia, transformando o Planeta em um bloco de Carnaval (ou naquele momento em que a festa de casamento adentrou a madrugada).
Por fim, João transformou a Saba em uma grande quadrilha. Virou festa junina, com um pout-pourri contendo canções de São João.
Piseiro, romantismo, solos de rock, Carnaval, São João. Em uma apresentação descontraída e carismática, João dominou o palco e fez o que quis com o Planeta. É o nome que une todas as tribos: jovens e o público mais veterano estavam cantando e dançando suas músicas. Fãs da Anitta batiam leque em reverência ao cantor.
Foi o homem do Planeta.
