
De volta ao Planeta Atlântida (não o dos macacos), o Jota Quest quer ver a rapaziada rodando na pista e sentir, mais uma vez, o calor dos planetários de diferentes gerações que acompanham a banda. Os mineiros, sempre na moral, sabem que poucas coisas atravessam o tempo como um refrão em que todo mundo canta junto – e reconhecem o papel do festival na construção dessas memórias.
Rogério Flausino, Marco Túlio Lara, PJ, Paulinho Fonseca e Márcio Buzelin se preparam para a 16ª apresentação no Planeta Atlântida, marcada para sexta-feira (30). O grupo é a atração nacional com mais participações na história do festival, realizado anualmente no Litoral Norte. Nos corações dos integrantes, boas lembranças do Rio Grande do Sul fazem morada:
— Foram tantas histórias! Mas a primeira vez a gente nunca esquece. Foi um momento tão mágico da nossa vida pessoal e artística. A gente tinha acabado de chegar de Minas Gerais, com um CD na frente e outro atrás, como a gente brinca. Tudo muito novo, do zero. Em pouco mais de seis meses, a gente tocou em vários lugares do Estado. Nos convidaram para estar no Planeta Atlântida como uma banda que ainda não tinha projeção nacional — lembra Flausino.
Para o vocalista, foi nesse momento que o Jota Quest ganhou força no Sul. De lá para cá, outros episódios marcaram os cinco artistas e os fãs, como quando Tim Maia rebatizou a banda. Flausino também cita, entre o top 3 de melhores momentos dessa relação, o show com o Skank e, ainda, a apresentação que contou com Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, integrantes originais da Legião Urbana.
— Foi uma coisa muito linda, porque a gente levou esses encontros para o palco do Planeta Atlântida — resume o cantor.
No documentário Planeta Atlântida: 30 Verões Criando Memórias, fotos, vídeos e entrevistas ajudam a ilustrar a grandeza desses momentos para a história do festival. Flausino não esconde o carinho e a gratidão que sente por esse grande evento do Rio Grande do Sul.
A última vez que a banda subiu ao palco da estrutura montada na Saba, em Xangri-lá, foi em 2023. Na época, os meninos ainda celebravam o aniversário do álbum de estreia e rodavam pelo Brasil com a turnê Jota25. Três anos depois, com outro disco no forno, o grupo segue em busca do frio na barriga e da conexão com o público, mantendo a essência do Jota Quest.

No aeroporto, em ritmo de viagem, Rogério Flausino conversou com a reportagem de Zero Hora sobre as expectativas para o próximo Planeta Atlântida e o momento atual do Jota Quest.
Confira a entrevista completa
Após tantos shows por aqui, ainda existe espaço para surpresa?
Tudo pode acontecer e o Planeta Atlântida sempre trouxe isso. Essa edição é muito especial: além de celebrar os 30 anos do festival, o primeiro disco da banda também faz 30 anos em 2026. A gente lutou para estar no palco nesta data especial. Na virada do ano passado, a gente ligou e falou que fazia questão de estar aqui.
O Planeta Atlântida sempre funcionou como um termômetro de gerações. Como vocês enxergam essa convivência entre passado e presente na construção do Jota Quest de hoje?
É um paralelo interessante, porque o Planeta Atlântida também, como festival, precisou se adaptar aos novos tempos, à chegada de novos estilos musicais e de novas ondas. É um festival família. O Planeta sempre soube lidar com essa coisa da passagem do tempo e por isso está mais forte do que nunca.
Nós somos os mesmos caras, unidos pelo gosto musical que nos aproximou e pelo nosso tesão pela música pop de forma geral – além do rock, da soul music e da black music. Tudo o que orbita em torno disso faz do Jota Quest o que ele é hoje. E isso também torna a nossa presença especial. Depois de tanto tempo, uma banda conseguir chegar e tocar para um público gigante e diverso e entregar uma hora de show legal para a rapaziada é algo muito significativo.
O que os anos de estrada e essa proximidade com o festival gaúcho ensinou a vocês sobre a longevidade da arte e da música brasileira?
Entendemos que a coisa não é uma ciência exata, que precisamos manter as portas abertas para o novo sempre, para que essa energia continue fluindo entre público, plateia, músicos e artistas, O festival tem feito isso.
Às vezes, um determinado artista segue evoluindo para o seu próprio público, que também envelhece com ele. Às vezes, ele consegue perpetuar também para as novas gerações. O que, de certa forma, é ainda mais difícil, mais complexo. Estamos tentado. Eu até brinco que, como no futebol, se você não chutar a bola para o gol, ela não vai entrar. Então ficamos chutando. Uma hora a bola entra.

Em que momento da vida tu achas que o Jota Quest está hoje? Mais contemplativo, inquieto, criativo...?
Fomos uma banda inquieta durante muito tempo e isso chama a criatividade. Nosso último álbum, por exemplo, é muito diverso e moderno. Tem um pouquinho de cada coisa que o Jota Quest gosta. Quando terminamos a turnê de 25 anos, resolvemos buscar alguma coisa que não tínhamos feito.
Já falávamos em fazer um álbum em homenagem ao Tim Maia há muito tempo, então resolvemos gastar a nossa inquietude e criatividade para reler a obra de um cara que achamos fantástico. Está ficando muito lindo. Respeitamos o original, mas trouxemos algum elemento novo. Estamos preparando o lançamento. Estamos nessa fase de contemplar o que já fizemos, buscar novas referências. Um impulso por meio da nossa própria história.
O que move o Jota Quest hoje?
O frio na barriga. Fizemos uma turnê de 25 anos, que foi a maior turnê que a banda já fez. Começou pelas casas clássicas, mas terminou nos estádios. O primeiro estádio da carreira do Jota Quest não poderia ser em outro lugar. Foi aí, em Porto Alegre, no Beira-Rio. Foi fantástico e o frio na barriga estava na décima potência. O desafio foi muito grande, gerou um prazer incrível.
A curiosidade pelo novo, isso é o que nos move. Acho que move todos os artistas. É fantástico poder viver tudo isso agora, depois de tanto tempo.
E tu, Flausino, que experiência musical, entre as que o Jota Quest ainda não realizou, tu sonhas em viver nos próximos anos?
Temos feito música pop, que às vezes é mais dançante, outras é mais rock. Cada hora vai para um lado. Se tivéssemos seguido apenas como uma banda de soul, funk e disco, muitas coisas não teriam acontecido. Deixamos a banda aberta para não ficar hermética. O Jota Quest tem que continuar seguindo a intuição.
Não dá para acertar sempre, precisa chutar a bola para o gol. Com tanto tempo de estrada, erros e acertos, entendemos que não é uma ciência exata e que precisamos estar o tempo inteiro se remexendo para ver se a coisa acontece. Não dá para planejar tudo.
Se o Planeta Atlântida fosse uma música do Jota Quest, qual seria o verso que melhor traduz essa relação com o público gaúcho e essa presença histórica no festival?
Tem uma frase que amo e é uma das mais conhecidas: “dias que não deixaremos para trás”. São aqueles momentos que você vai levar para sempre. Vejo a história do Planeta desta maneira: momentos inesquecíveis que você vai levar para sua vida inteira, com seus amigos, família, seja com quem for.
Para nós, isso se multiplica, porque são emoções que vivemos entre nós, mas profissionalmente também é a nossa história. São dias que não deixaremos para trás. E estamos chegando, hein!



