
Depois de passar por trap, piseiro, rock, funk e pagode, o Planeta Atlântida abriu espaço para o sertanejo de Zé Neto & Cristiano. A dupla subiu ao palco na madrugada deste sábado (31), transformando o festival em um ritual de sofrência coletiva.
Curiosamente, os planetários se divertiram bastante sofrendo com os sertanejos, que são especialistas em "modões de arrastar o chifre no asfalto". Com letras propícias à dor de cotovelo e melodias com forte influência da bachata, perfeitas para dançar de rostinho colado (ou com o próprio punho, no caso dos solteiros e desiludidos), Zé Neto & Cristiano comandaram um verdadeiro baile sertanejo na Saba.
Barulho do Foguete foi a canção escolhida para iniciar a passagem da dupla pelo festival. A canção narra a vitória que é ver a pessoa da qual se gosta à distância terminar o relacionamento que mantém com outra pessoa, com um refrão tão irônico quanto divertido: "Que pena que cês terminaram/ Achei que ia durar pra sempre/ Tô triste com um negócio desses/ Escuta aí o barulho do foguete".
Com desfechos bem menos felizes, Me Bloqueia e Você Beberia ou Não Beberia? deram sequência ao bailão de Zé Neto & Cristiano. Na grade em frente ao palco, adolescentes integrantes de um fã-clube da dupla foram às lágrimas, provavelmente induzidas pela sofrência que já havia se estabelecido por completo na Saba.
No instante seguinte, uma delas conseguiu pegar uma toalha atirada do palco por Zé Neto. Tudo isso ao som de Largado às Traças, um dos maiores sucessos da dupla, e em meio a uma chuva de papel picado que deixou o momento muito mais emocional. O choro não estava nem perto de cessar.
Cenas parecidas já haviam sido vistas em outras edições do festival, quando outros nomes do gênero, como Gusttavo Lima e Ana Castela, também subiram ao palco. É esse o efeito do sertanejo, o gênero mais ouvido pelos brasileiros na última década, que já há alguns anos tem espaço garantido no sempre antenado line-up do Planeta Atlântida.
Zé Neto & Cristiano mostraram na prática a universalidade do estilo com canções como Ela e Ela e Status Que Eu Não Queria, cantadas a plenos pulmões por planetários de diferentes faixas etárias — das adolescentes emocionadas na grade ao público mais maduro do setor Premium. Em seguida, engataram um "momento IBGE", fazendo o levantamento de quem estaria de folga e quem trabalharia no dia seguinte. A turma do day off ganhou, o que levou a dupla a um terceiro questionamento, mais provocativo:
— E quem não está nem aí pra porr* nenhuma?
Dando continuidade ao Censo, Cristiano quis saber a proporção de casados e solteiros na plateia. Mas foi somente uma introdução para a romântica Escondendo o Ouro, que incentivou declarações de amor entre os planetários apaixonados — e pode ter despertado gatilhos naqueles que ainda não encontraram a metade da laranja.
E foi para esse grupo que as canções seguintes se dirigiram. Com Seu Polícia e Um Mês e Pouco, Zé Neto & Cristiano retornaram à sofrência. Mas percebendo que parte do público estava desidratando de tanto chorar com as canções, os músicos solicitaram à produção que entregasse garrafas de água.
— Não é só de cachaça que a gente vive. Tem que tomar água também, galera — brincaram, demonstrando carinho e preocupação com os fãs.
Era preciso, porque a sofrência continuaria com Oi Balde e Cadeira de Aço. Já Mulher Maravilha, interpretada na sequência, fez o amor voltar a se espalhar pelo ar. "Sabe aquele amor que se multiplica?/ Quem nunca sonhou ter isso na vida?", questiona a canção.
Ainda no bloco das românticas, a dupla pediu que todos acendessem a lanterna de seus celulares e erguessem os aparelhos para cima. O motivo? Notificação Preferida, o maior sucesso de Zé Neto & Cristiano, que deu a eles a chance de descansaram a voz. Não precisavam cantar: a Saba inteira já estava fazendo isso.
Em meio a esse ápice, os sertanejos se despediram do Planeta Atlântida. E com direito a um sincero "até a próxima, se Deus quiser", impulsionado pelo show que os planetários também deram.
