
O mundo do samba e do Carnaval de Porto Alegre está de luto. Morreu, aos 81 anos, na terça-feira (13), a cantora gaúcha Maria Helena Montier. A causa da morte não foi divulgada.
Dona de voz potente e marcante, a artista foi referência no universo do samba. Maria Helena Montier iniciou a carreira no rádio, na década de 60, participando do programa Clube do Guri, da Rádio Farroupilha, ao lado de nomes como Elis Regina. Ao longo da trajetória de mais de seis décadas, gravou discos e tornou-se reconhecida no Carnaval de Porto Alegre.
Pioneira como intérprete feminina, tornou-se referência em função das passagens por Imperadores do Samba e Realeza, além das tribos carnavalescas Bororós e Comanches.
Em nota, a Imperadores do Samba prestou homenagem fazendo referência ao ano de 1975, data em que a cantora imortalizou o maior samba de exaltação da escola: "Maria Helena é a voz que nos uniu. A responsável por eternizar nosso 'Convite ao Povo', samba do mestre Wilson Ney. A música que nos define, cura, reúne e conecta, com os que estão aqui e os que continuarão presentes, em memória. Deixa saudades pelo que representou para a nossa escola e para a nossa cultura".
Já a Praiana citou a importância da artista no cenário porto-alegrense: "O Carnaval gaúcho perde mais uma grande voz, uma personalidade marcante que ajudou a construir nossa história, nossa música e nossa identidade cultural. Uma figura que brilhou no samba com seu talento, sua força e seu amor pela cultura carnavalesca".
A escola de samba Realeza destacou as características que nunca serão esquecidas: "Maria Helena foi mais do que uma voz: foi expressão de identidade, resistência e emoção. Sua interpretação inconfundível atravessou gerações, ecoando nos desfiles, nos palcos e no coração de todos que reconhecem no samba um patrimônio vivo do nosso povo. Com dignidade e entrega, ajudou a construir a história do Carnaval e a enaltecer o samba como manifestação artística e cultural de imenso valor. Sua voz está gravada na história da Realeza, pois fez de seu potente talento o condutor de desfiles emblemáticos para a comunidade rosa, lilás e branca".

A Federação das Religiões Afro Brasileiras também lamentou a morte da yalorixá: "Mantendo seu templo religioso no bairro Cefer, em Porto Alegre, há mais de 60 anos, Ela cultuava a nação Jeje-Ijexá com a disciplina e a tradição de raiz característica dos batuqueiros antigos e zelosos. Rogamos às divindades Orixás pra que a recebam em meio a luz e paz no seu retorno à massa de origem e que se ancestralize".
A despedida ocorre no Cemitério Jardim da Paz, em Porto Alegre, nesta quarta-feira (14), entre 8h e 15h.



