Há histórias que ajudam a entender por que o Planeta Atlântida ultrapassa o status de festival e se consolida como memória afetiva de grande parte do público. E isso se aplica ao casal Priscila Rocha, biomédica de 39 anos, e Jackson Salermo, publicitário de 42 anos, que acompanham o evento há 20 anos — atravessando fases da vida, mudanças de rotina e até a chegada dos filhos.
A relação de Jackson com o festival começou ainda em 2001, quando integrou a equipe responsável pela limpeza do local. Foi nesse contexto que ele teve o primeiro contato com os bastidores: camarins, palcos e passagens de som fizeram parte dessa vivência inicial.
— Trabalhava com limpeza e conseguia ver os artistas passando o som antes de fazer o grande show da noite. Desde o primeiro (Planeta), já foi extremamente marcante na minha vida — relembra Salermo.
Antes mesmo de ir como público, o Planeta Atlântida já circulava no ambiente familiar de Priscila, pela televisão.
O primeiro Planeta vivido pelo casal aconteceu em 2005, de forma impulsiva e improvisada. Priscila ainda não conhecia o festival de perto quando viu imagens no Jornal do Almoço, em um sábado ao meio-dia. A decisão veio ali.
— Eu tinha um dinheiro guardado numa caixinha. Fui lá, contei o que eu tinha, o pai dele emprestou o carro e a gente se mandou. Sem ter onde dormir e sem saber como ia voltar — conta Priscila.
O improviso virou marca registrada. Desde então, dormir no carro passou a ser parte da experiência. Mesmo com o passar dos anos, o casal nunca adotou outra estratégia.
— A gente vai lá e faz a mesma coisa que fez naquele ano, então virou meio que tradição para nós — conta o publicitário.
Entre tantas edições, alguns shows ficaram marcados de forma especial. Para Priscila, o mais simbólico foi o Charlie Brown Jr.
— Ver o Chorão foi inesquecível. Ele conversou, deu ensinamentos sobre a vida. Não era só música. A gente tem tatuagem do Charlie Brown juntos — diz a biomédica.
Jackson concorda, mas amplia o repertório: Natiruts, Flo Rida, Carlinhos Brown, Matuê e NX Zero, aparecem como capítulos de uma longa trajetória.
Em 2013, já com um bebê a bordo, tudo indicava um ponto final na tradição planetária. Não foi. Para eles, o Planeta sempre vale o investimento, independentemente da forma de pagamento — e da fase da vida.
— Quando eu fiquei grávida, a gente achou que não ia mais ir, por causa da criança e da questão financeira — diz Priscila.
A ideia durou pouco. Nem 11 meses depois, eles já estavam novamente na Saba.
Hoje, a relação com o festival atravessa gerações: a família já projeta levar o filho, que daqui a dois anos completa 14, idade mínima para o evento.
No ritmo do festival, Priscila também costuma querer chegar cedo e aproveitar cada detalhe. Jackson acompanha, mesmo reconhecendo os limites do corpo com o passar dos anos.
— A gente é parceiro. Quer ver essa banda? Vamos. Quer ir pra outro palco? Vamos juntos — resume Salermo.
Ao longo de duas décadas, o Planeta Atlântida deixou de ser apenas um evento no calendário para se tornar o cenário ideal para diferentes momentos da vida do casal.



