A inteligência artificial já faz parte do cotidiano de muitas pessoas que trabalham com música – seja na edição, na criação de timbres ou na organização de projetos. No entanto, para quem vive o processo de composição dentro do estúdio, a tecnologia ainda está longe de substituir a sensibilidade humana.
É o que afirmam o artista Luka Pumes e o produtor musical e DJ Colombo Pires, conhecido como CP no Beat. Parceiros de estúdio, eles descrevem a criação musical como um fluxo constante entre letra, melodia e experimentação, em que uma música pode nascer de uma frase solta, de um acorde ou de uma batida improvisada.
— Ir e voltar até chegar o mais perto da perfeição possível, destacando que nenhum atalho tecnológico substitui esse processo — explica Luka.
CP lembra que ferramentas de IA já fazem parte dos softwares de produção há anos, mas ganharam protagonismo com sistemas capazes de gerar vocais, batidas e melodias completas a partir de comandos simples.
— Para usar a IA, precisa de um humano operando. Ela facilita, mas não substitui. É como o autotune dos anos 1990: uma tecnologia que somou, não tirou espaço de ninguém — afirma CP.
Para CP, a principal mudança está na velocidade. Já Luka ressalta que nenhuma rapidez tecnológica substitui a profundidade criativa – e cita artistas que, segundo ele, mostram como a música nasce de referências filosóficas e sociais que a inteligência artificial ainda não consegue captar.
— Tem filosofia, de fato, na música do Filipe Ret. As pessoas às vezes ignoram que, por trás de um sucesso, existe um pensamento traduzido ali — afirma Luka.
Ele menciona também o rapper FBC e o álbum Sim, Amor, o Perdão é a Tecnologia como reflexo do espírito do tempo.
— Isso está muito naquele álbum do FBC. Ele fala sobre ansiedade, insônia, hábitos de consumo, amor líquido… tudo isso que faz parte da nossa geração. E olha o nome do disco: o amor, o perdão é a tecnologia — explica o artista.
Nos estúdios, a discussão sobre músicas geradas integralmente por IA se relaciona menos à tecnologia e mais ao comportamento de consumo. Viralizar por volume ou novidade não significa permanecer.



