
A música-tema do Planeta Atlântida, cantada em coro por multidões de planetários ao longo das últimas três décadas, nasceu antes mesmo de o evento existir — e em tempo recorde. A composição é de Juliano Cortuah, ex-vocalista e guitarrista da banda gaúcha Harmadilha, que deu vida à canção que viria se tornar uma espécie de patrimônio imaterial do verão gaúcho em menos de 15 minutos.
— Muito rapidamente a música veio inteira na minha cabeça. Foi como se ela existisse desde sempre dentro de mim — lembra Cortuah.
O músico foi convidado por Alexandre Fetter a criar uma canção que representasse o festival que a Rádio Atlântida estava ainda estudando realizar no verão de 1996, para marcar os seus 20 anos. Sem muitas referências de como seria o evento — tampouco da proporção que o Planeta tomaria já na primeira edição —, ele buscou elementos que unissem verão, praia e música.
Para iniciar o processo criativo, Cortuah lembra de imaginar uma caminhada na beira da praia, ao pôr do sol. A cena acabou virando a base da música, que inicia com os versos descritivos: "O Sol brilha no mar e reflete/ A beleza que passa na areia/ É verão e o que importa é sorrir e ser feliz".
— Depois desse primeiro verso, só fluiu. Na mesma noite eu já fiz as programações e, pela manhã, chamei a banda para gravar. À tarde, já combinei de mostrar para o Fetter. Ele me falou: "Cara, tu é maluco? Como assim a música já está pronta?" (risos). Foi tudo muito rápido. Quando ele ouviu, não quis mudar nada — narra o compositor.
Já para criar a melodia da canção — o que inclui os inconfundíveis acordes de sua introdução —, o músico se inspirou em clássicos do rock dos anos 1980 que considera "verdadeiras músicas de festival". Um exemplo é Jump, de Van Halen — canção que, para Cortuah, "foi feita para ser cantada em grandes palcos, diante de multidões".
A música-tema do Planeta Atlântida também. Ou melhor, o hino, como pontua o compositor:
— Quando se compõe um jingle, o movimento clássico é que ele faça sucesso, mas em algum momento se torne descartável. Já um hino é para sempre. A música do Planeta não nasceu como um hino, mas se tornou, por causa do amor das pessoas. É cantada pelas multidões há 30 anos, conhecida até por quem nunca foi ao festival. Para mim, é muito doido pensar no que essa música se tornou. Eu não tinha a menor ideia.

O primeiro indicativo de que a música-tema viraria um hino veio já nos momentos iniciais da primeira edição do festival. Junto aos parceiros da banda Harmadilha — formada também por Álvaro Lutti (baixo), Edward Follmann (teclado), Giba Nunes (guitarra) e Renato Shneider (bateria) —, Cortuah foi responsável por abrir os trabalhos do Planeta Altântida de 1996.
A Harmadilha foi a primeira atração a subir ao palco, entoando seu repertório autoral e, é claro, a música-tema do festival. Para Cortuah, a experiência foi inesquecível.
— Lembro da sensação física que senti quando pisei pela primeira vez naquele palco com a Harmadilha. Era um público de quase 40 mil pessoas na nossa frente, algo que a gente nunca tinha experimentado. Quando puxamos a música do festival, as pessoas não cantaram, elas urraram. Foi uma coisa muito louca, da qual eu jamais vou esquecer.
Cortuah diz que o Planeta Atlântida foi um divisor de águas para ele e os companheiros. A banda fez um show completo no festival, o que oportunizou que o público conhecesse o repertório do grupo, que ainda engatinhava na cena musical da época. A partir disso, diversas portas se abriram para a Harmadilha.
— Eu sou muito grato ao Alexandre Fetter por isso. Ele nos deu a chance de mostrar o nosso trabalho e isso mudou tudo. Tocamos três anos consecutivos no palco principal do festival, o que nos trouxe uma visibilidade absurda. Tanto que uma canção nossa foi parar na trilha da novela Andando nas Nuvens, da TV Globo, e a gente acabou se mudando para o Rio de Janeiro — lembra o ex-vocalista.

A Harmadilha encerrou sua caminhada de banda em 2000. Cortuah permaneceu vivendo em terras cariocas e, dois anos depois, integrou o elenco da primeira temporada do reality show Fama.
Hoje, o compositor da música-tema do Planeta Atlântida tem seu próprio estúdio no Rio de Janeiro e atua como compositor e produtor de grandes artistas, além de integrar a equipe do Estrela da Casa. E também já foi três vezes nominado ao Grammy.
Cortuah acredita que o pontapé inicial de tudo isso foi dado no palco do Planeta Atlântida. O músico participou de diversas edições do festival, seja acompanhando artistas ou curtindo como planetário, e diz que fará o possível para estar presente na edição de 30 anos, que ocorre nos dias 30 e 31 de janeiro de 2026, na Saba, em Xangri-Lá.
— Tenho muito orgulho de fazer parte de uma história tão grandiosa quanto a do Planeta Atlântida — expressa.
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Em 2026, o Planeta Atlântida completa 30 anos e vai agitar o litoral norte gaúcho nos dias 30 e 31 de janeiro. Anitta, Alok, Matuê, Jota Quest e João Gomes são algumas das atrações confirmadas. Os ingressos estão disponíveis no site planetaatlantida.com.br e nas lojas Renner credenciadas.
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