
Quando Ana Carolina decidiu revisitar a própria trajetória, não foi só para fazer uma festa de aniversário musical, foi para abrir um baú cheio de lembranças que ainda fazem barulho. Celebrando 25 anos de uma das carreiras mais marcantes da música brasileira, a artista desembarca em Porto Alegre nesta quinta-feira (11) para transformar o Teatro do Bourbon Country numa grande pista de conexão entre passado e futuro.
Dona de hits que atravessam gerações, ela apresenta na Capital a turnê 25 Anas, dividida em cinco atos não cronológicos — A História, A Paixão, A Memória, O Reencontro e A Celebração. No palco, tudo se mistura: sucessos, teatralidade, projeções em LED e aquela intensidade dela que parece abraçar a plateia. É quase como assistir a um filme sobre suas diferentes eras, mas ao vivo e de pertinho.
Com 13 álbuns, oito DVDs e 13 turnês no currículo, Ana mergulhou ainda mais no próprio universo criativo ao lançar recentemente Ainda Já, um EP 100% autoral, só com faixas inéditas assinadas por ela. O título entrega o clima do momento: celebrar o que já foi vivido enquanto abre passagem para o que ainda está nascendo. Antes disso, ela rodou o Brasil e o mundo com a turnê Ana Canta Cássia — Estranho Seria se Eu Não Me Apaixonasse por Você, homenagem a Cássia Eller (1962-2001) que emocionou mais de 400 mil pessoas.
Nesta entrevista, a cantora mineira destrincha o momento criativo que vive, revelando descobertas pessoais, novas ousadias musicais e a construção da turnê 25 Anas.
Entrevista com Ana Carolina
O EP Ainda Já fala do encontro entre passado e futuro. Que descoberta recente sobre você mesma acabou entrando nesse trabalho?
Eu acho que, desde a turnê anterior, Ana Canta Cássia, uma homenagem de peito aberto à minha grande ídola, sinto uma reconexão muito forte com o meu próprio universo musical. Foi como revisitar a minha essência e, ao mesmo tempo, entender para onde eu queria ir. Esse sentimento acabou se acentuando em todo o processo de produção e composição do meu EP Ainda Já e também na construção da minha atual turnê, 25 Anas.
A grande descoberta, pra mim, foi perceber com mais clareza a importância desses 25 anos de carreira: olhar pra trás com carinho e gratidão, honrando tudo o que construí, mas mirando adiante com uma vontade enorme de criar coisas novas, de explorar vários caminhos. É um ciclo bonito de reconhecer o passado e me abrir para o que vem.
O que você enxerga hoje, sobre seus primeiros sucessos, que talvez não enxergasse naquela época?
Não sei se chamaria de uma visão diferente, mas de uma evolução e continuidade do olhar. Quando olho para trás, vejo uma Ana Carolina com um desejo enorme de compor e cantar, mas ainda sem entender a dimensão disso tudo. Hoje, com a perspectiva dos anos, entendo que aquelas canções foram o caminho para que eu chegasse até aqui, e funcionam como uma linda ponte para o que está por vir. Hoje, pra mim, é mais claro ainda o amor ao fazer musical. Tenho uma gratidão imensa por cada música, cada parceria, cada fase. Eu não seria a artista que sou hoje se não tivesse honrado todas essas obras que me trouxeram até esse momento de celebração.
Existe alguma ousadia musical que você tinha medo de fazer, mas acabou se aventurando?
Ao longo da minha carreira, me permiti e sigo me permitindo experimentar sonoridades na medida em que novas parcerias foram surgindo. Tenho ao meu lado, até hoje, aqueles que me ajudaram a construir minha identidade musical, como (os compositores) Antonio Villeroy, Edu Krieger e mais recentemente o Bruno Caliman. Mas também nessa minha nova etapa estou me conectando com uma geração de compositores inédita pra mim, como o Umberto Tavares, Jefferson Júnior, Ariel Donato, Carol Marcílio, Pedro Breder, Tiê Castro e Juliano Valle.
O mais interessante desse processo é encontrar o caminho do meio: aquilo que preserva minha identidade, meu jeito de cantar e compor, mas que também acolhe a energia e a sonoridade desses novos parceiros. É uma troca que me alimenta e me desafia.

A turnê tem forte apelo visual e teatral. Como você enxerga o papel da estética na forma como o público "sente" a música?
Fundamental. O ao vivo sempre foi muito importante pra mim e acho que a estética potencializa essa conexão. No caso dessa turnê, existe uma narrativa pensada por mim e pelo diretor Jorge Farjalla, que acompanha a linha do tempo da minha carreira. É quase como uma síntese visual das minhas fases. O público sente isso no primeiro olhar: antes mesmo da música começar, já existe uma atmosfera que diz muita coisa.
Porto Alegre te recebe agora com um show em formato pista. O que muda na energia quando todo mundo pode dançar e chegar mais perto?
Muda bastante! Quando o público está em pé, dançando, cantando alto, a troca fica mais intensa. Eu sinto a vibração subir de um jeito diferente. Fica mais solto, mais caloroso, mais elétrico.
Se o público pudesse sair do show levando uma única sensação, qual você gostaria que fosse?
Que saísse emocionado. Mas não só pela intensidade das músicas... Emocionado pela celebração, pela alegria, pelo repertório. É um show pra viver com o coração aberto e, se possível, pra sair mais leve.
Pode falar um pouco sobre a sua ligação com o Rio Grande do Sul?
Ah, o Rio Grande do Sul sempre ocupou e ocupará um lugar carinhoso demais na minha história. Não existe turnê minha que não passe por aí e volto quantas vezes o público quiser me receber. Os gaúchos são afetivos, presentes, cantam tudo comigo. Eu adoro estar por aí. É sempre especial.
Ana Carolina apresenta a turnê "25 Anas"
- Quando: nesta quinta-feira (11), às 21h
- Onde: Teatro do Bourbon Country (Avenida Túlio de Rose, 80), em Porto Alegre
- Quanto: ingressos a partir de R$ 140, em uhuu.com (com taxas) e na bilheteria do teatro (sem taxas)



