
Quase 30 anos se passaram desde que as meias e os tênis brancos usados pela professora Fernanda Montenegro, 47 anos, tornaram-se marrons ao fim da maratona de shows que marcaram aquele 9 de fevereiro de 1996. O mesmo ocorreu com o shortinho listrado que ela vestia para combinar com as amigas, com quem dividiu o look e a experiência inesquecível de acompanhar o nascimento do Planeta Atlântida, o mais longevo festival de música do sul do Brasil.
— Fomos com a mesma roupa, mas choveu, e nós encerramos a noite todas sujas. Até isso foi legal. Para nós, tudo era novidade. Éramos adolescentes indo pela primeira vez a um festival de música, longe dos nossos pais, sentindo a liberdade de estar em um evento daquele tamanho — lembra.
Fernanda participou do primeiro dia do festival, que ocorreu em 9 e 10 de fevereiro de 1996, na Saba, em Xangri-Lá — mesmo local onde, em 30 e 31 de janeiro de 2026, o Planeta celebrará os seus 30 anos. O ingresso foi um presente dado pela mãe, porque ela havia acabado de passar no vestibular da UFRGS.
— Eu lembro da felicidade que senti quando ganhei o ingresso, pois eu queria muito ir. Era fã da Rádio Atlântida, como sou até hoje. Também lembro que fizemos toda uma logística, porque não tínhamos casa na praia. Lembro de pegar tranqueira na Estrada do Mar, de dormir na calçada esperando a minha mãe me buscar depois do show. Tudo foi muito especial. Sou muito orgulhosa de dizer para todo mundo que eu fui no primeiro Planeta Atlântida — diz ela, que ainda participou de outras edições.

Realização de um sonho
A jornalista Renata Lages, 48 anos, também faz questão de contar a todos que esteve na primeira edição do Planeta Atlântida. Contudo, ela participou do segundo dia de festival. O motivo tinha nome e sobrenome: Fernanda Abreu, a grande ídola da versão adolescente de Renata, que subiu ao palco do primeiro Planeta Atlântida no sábado.
— Era o show mais esperado para mim. Eu era muito fã da Fernanda Abreu, cantava todas as músicas, achava ela maravilhosa. Também assisti a Rita Lee e Titãs, dois shows incríveis. Foi a realização de um sonho para mim, que nunca tinha ido a um grande show — conta.
Renata lembra do encantamento que sentiu com cada mínimo detalhe do festival — da descontração na fila de espera pela abertura dos portões da Saba até a experiência de usar um banheiro químico pela primeira vez. Além dos shows, a edição contou com atrações como pistas de roller, kart indoor e paredão para montanhismo.
— Eu estava tão empolgada que tudo parecia muito legal. Para mim, foi uma noite muito mágica. Eram milhares de jovens reunidos em um lugar tranquilo, sem nenhum tipo de risco, para fazer festa e curtir aquele momento único — diz.
Poucos meses depois, Renata conheceu o marido. Ele também participou do primeiro Planeta Atlântida, mas, por uma confusão do destino, esteve na Saba somente na sexta-feira. O desencontro virou motivo de brincadeira entre os dois, que "tiraram o atraso" indo ao festival juntos nos anos seguintes.
Os dois completam 30 anos de relacionamento em 2026. E é claro que o start das comemorações será dado na Saba.
— Para nós, o Planeta Atlântida é muito especial. A história do nosso relacionamento acompanhou o festival. Eu até já peguei férias para a gente poder aproveitar a edição do ano que vem — conta Renata.
— O que eu acho mais bacana do Planeta é que a experiência sempre é diferente. Mesmo que tu vá todos os anos, cada edição é única — completa a jornalista, que sonha em ver Fernanda Abreu subir novamente ao palco do festival.
Despedida dos Mamonas Assassinas
Clarissa Barreto, 46 anos, também escolheu ir ao primeiro Planeta Atlântida no sábado, mas para assistir à apresentação dos Titãs. A publicitária conta que seu namorado da época desejava ir na sexta-feira, em razão do show do grupo Mamonas Assassinas, mas ela conseguiu convencê-lo a optar pelo segundo dia, alegando que teriam outras oportunidades para ver o grupo paulista.
Porém, menos de um mês depois, os músicos morreram em um acidente aéreo. O show no Planeta Atlântida de 1996 foi um dos últimos feito pela banda.
— Ele (ex-namorado) pegou no meu pé o resto da vida por ter perdido esse show dos Mamonas — revela Clarissa.
— Nós éramos duros, não tínhamos dinheiro para ir nos dois dias. Mas queríamos fazer parte, porque na época todo mundo só falava disso. Porto Alegre não recebia muitos shows, e o Planeta trouxe a possibilidade de, em um único final de semana, você assistir a vários artistas. Foi uma coisa incrível para a época — lembra Clarissa.

Já o advogado Giancarlo Chiapinotto, 44 anos, assistiu de perto à apresentação dos Mamonas Assassinas. Ele foi ao primeiro Planeta Atlântida justamente por conta da banda, pela qual ele e o irmão eram fascinados. A mãe levou os dois para assistirem ao show dos ídolos.
A experiência, segundo Chiapinotto, foi inesquecível:
— Eu e meu irmão éramos muito fãs dos Mamonas, tínhamos tudo deles. Foi o primeiro show que eu fui na vida, aos 14 anos, e foi incrível. Pulamos o tempo todo, cantamos todas as músicas. Lembro de termos ficado muito perto do palco. Logo depois, infelizmente, houve o acidente com o avião.
Depois do pontapé inicial em 1996, Chiapinotto perde as contas de quantas outras vezes já esteve no Planeta Atlântida — inclusive, em idade adulta.
— Para mim, continua sendo legal, pois o Planeta evoluiu muito. Há mais palcos e mais coisas para fazer, o que te dá a opção de transitar por vários setores. Também há espaços com um maior conforto e opções diferenciadas de gastronomia. Hoje, para mim, o Planeta é uma experiência, não somente um festival de música — diz.
Rito de passagem
Clarissa Barreto também esteve em diferentes edições e observa a evolução pela qual o festival passou. Ela recorda que, em 1996, o clima era totalmente despojado, e ninguém tinha dimensão do que o Planeta Atlântida viria a se tornar nos anos seguintes.
— Vai parecer clichê, mas a sensação que a gente tinha era de estar em Woodstock. Eu lembro de assistir ao show dos Titãs sentada no chão, muito perto do palco, coisa que hoje seria impossível pela proporção que o festival tomou.
Para ela, o que não mudou foi o papel de "rito de passagem" ainda desempenhado pelo Planeta Atlântida:
— Eu acho muito legal perceber que o festival continua sendo esse ritual de saída da infância, como foi para mim lá em 1996. O Planeta foi um marco para várias gerações de jovens gaúchos.
A jornalista Cláudia Fleury, 43 anos, compartilha do mesmo ponto de vista. Para ela, o festival representou uma virada de chave, marcando a transição da infância para a adolescência.
A longevidade do Planeta Atlântida ela atribui à capacidade de reinvenção do festival, que garante o sucesso de todas as edições.
— É uma energia única.

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Em 2026, o Planeta Atlântida completa 30 anos e vai agitar o litoral norte gaúcho nos dias 30 e 31 de janeiro. Anitta, Alok, Matuê, Jota Quest e João Gomes são algumas das atrações confirmadas. Os ingressos estão disponíveis no site planetaatlantida.com.br e nas lojas Renner credenciadas.
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