
Uma lenda da música uruguaia acompanhará a filha, que mescla tradição e modernidade, no Chisme Festival. No evento que está previsto para ocorrer este sábado (15), no Jockey Club do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, Julieta Rada e Rubén Rada subirão ao palco juntos pelo legado do candombe.
Cantora, compositora e produtora, Julieta tem 35 anos e nasceu na Argentina, mas cresceu no Uruguai. Em seus trabalhos, ela explora as raízes da música afro-uruguaia – em especial, o candombe –, ao mesmo tempo que combina o ritmo com funk, rock, R&B e soul.
Aos 82 anos, Rubén é um dos principais nomes da história da música uruguaia. O cantor e percussionista revolucionou o candombe ao conectá-lo com o rock nos anos 1960, o que foi batizado como candombe beat. Com dezenas de discos lançados ao longo da carreira, também transitou por outros ritmos em variados projetos – jazz, soul, cha-cha-cha, entre outros.
Aliás, em 2021, Rubén lançou As Noites do Rio / Aerolineas Candombe, com a maioria das faixas compostas por Ronaldo Bastos. O disco é também uma homenagem a mãe do músico, Carmen María Silva, natural de Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul.
— Fiz esse disco pensando nela. Um dia me dei conta: nunca cantei nenhuma canção para minha mãe. Queria dar esse gosto para ela cantando em português — relata Rubén.
O formato do show do Chisme trará Julieta cantando com o pai como convidado, mas com músicas que abrangem a trajetória dos dois – pelo lado da cantora, ela adianta que deve entrar no repertório faixas do disco Candombe, lançado no ano passado.
— Vai ser lindo. Todas as canções de Julieta são lindas e boas — enaltece o pai. — As minhas são divertidas e atrativas também. Nós vamos tocar como se fosse o show da nossa vida. Se, por exemplo, 30 pessoas saírem felizes do recital, ficarei muito feliz.
Julieta completa:
— Que o público escute o candombe, sinta a música uruguaia e goste tanto que tenhamos que voltar muitas vezes (risos).
Apesar das influências do pai e o mesmo gosto pelo candombe, a cantora busca encontrar sua própria voz artística desde o início da trajetória. Seu primeiro disco, Afrozen (2012), já apontava esse caminho ao explorar uma sonoridade mais pop. Em Candombe, ela promove uma fusão do ritmo com funk, R&B, tango, entre outros. Ao mesmo tempo, ela segue uma tendência que Rubén trabalha há décadas.
— Incorporei toda a sonoridade que herdei do meu pai. Porém, queria encontrar o meu próprio som — explica Julieta. — Tinha muitas influências de música pop, como Stevie Wonder e Michael Jackson, que é o que me movia e continua me movendo. Porém, isso é um aprendizado que tive com ele. Meu pai sempre tocou candombe, mas, ao mesmo tempo, era versátil e fusionou estilos.
Sobre tocar no Brasil, a cantora frisa:
— Estamos conectados por essa mesma raiz da música negra, o que é algo lindo de compartilhar. Somos irmãos musicais.
Rubén, por sua vez, sempre manteve uma forte conexão com a música brasileira desde os anos 1960. Em 1969, participou do IV Festival Internacional da Canção, no Rio de Janeiro. Para ele, as escolas de toda a América Latina deveriam ensinar português.
— Deveria ser estudado o português assim como é feito com o inglês, pois o Brasil é maravilhosamente grande em sua música — ressalta.
Chisme
Realizado pela produtora Gana&Voga, o Chisme tem como objetivo amplificar a ideia musical do Pampa, que vai além do som relacionado ao nativismo – incluindo também candombe e música eletrônica.
A segunda edição do evento contará com mais de 10 atrações musicais se revezando em um palco montado em meio ao hipódromo, além de uma pista de dança e outras experiências.
Além de Julieta e Rubén, a programação no palco principal conta com Nina Nicolaiewsky e a Sucinta Orquestra (formada por Clarissa Ferreira, Bibiana Turchiello, Miriã Moreira Farias, Gabi Vilanova e Luyra Dutra), Nei Lisboa, Emily Borghetti apresenta o espetáculo Chula, a dupla argentina Perotá Chingó e o grupo colombiano Frente Cumbiero (veja o horário dos shows abaixo).
Chisme Festival 2025
- Quando: sábado, 15 de novembro
- Horário: das 13h até a meia-noite
- Abertura dos portões: 13h
- Roda de Milonga: 14h
- Onde: no Jockey Club do Rio Grande do Sul (Avenida Diário de Notícias, 750)
- Ingressos a R$ 90 (inteira) pelo site Tri
Programação
Palco
- 15h20min — Nina Nicolaiewsky & Sucinta Orquestra
- 16h40min — Nei Lisboa
- 18h — Perotá Chingó (ARG)
- 19h20min — Emily Borghetti
- 20h20min — Julieta Rada convida Rubén Rada (UY)
- 21h40min — Frente Cumbiero (COL)
Pista
- 17h20min — Festa Problemón
- 18h40min — Chancha Via Circuito (ARG)
- 19h40min — Miss Tacacá (PA)
- 21h — Festa Coice
- 22h20min — Clementaum (PR)





