
É a banda de Querida Amiga. E de A Lua e A Noite. Também de Cama Vazia. E de Chuva Cai. Asa Quebrada. Mania de Baile. Mil Vidas. Alguém Melhor do que Você. Ou, entre as mais recentes, Sabor Morango e Paixão Desenganada.
Um dos conjuntos de baile mais emblemáticos do Sul, o Brilha Som vai gravar um DVD ao vivo celebrando seus 35 anos de carreira. O show será nesta quarta-feira (22), às 21h, no Musik's Club, em Dois Irmãos, no Vale do Sinos, com entrada franca (veja detalhes ao final).
Intitulado Bailão do Brilha, o trabalho deve ser lançado ainda neste ano. Estão previstas cinco músicas inéditas (Deixa o Amor nos Levar; Travesseiro Encharcado; Todos os Dias, Todas as Noites; Louco Apaixonado e Segundo Plano) e participações de Maurício Lima e Cezar Mosena (Rainha Musical), Wagner Schneider (Corpo e Alma), Claudir Negão (ex-San Marino) e da banda Cogumelo Plutão.
Apesar de celebrar mais de três décadas, o repertório do DVD vai privilegiar os lançamentos mais recentes da banda. As seguintes faixas devem entrar: Não Tem Vida sem Você, Pra que te Quero Coração, Duvido, Esperando na Janela, Sabor Morango e Me Diz, além do medley Batom Vermelho/Pilha Fraca/Paixão Desenganada.
Vontade de renovação
Para o vocalista Alessandro Turra, a Brilha Som chega com maturidade aos 35, conhecendo melhor o seu público e o que se espera da banda. Ele acrescenta haver, ao mesmo tempo, muita vontade de renovação, de não ficar só preso aos clássicos.
— Gravamos o DVD de 30 anos há pouco tempo, em 2019, em que tocamos todos os clássicos da banda. Para esses 35, queremos marcar uma nova fase — explica Turra. — Às vezes, até nos perguntam: "Vocês não enjoam de cantar as mesmas músicas há 20 anos?". Pelo contrário, a gente tem o maior orgulho de canções que atravessaram as décadas e ainda estão aí. Mas queremos trazer novidades também, o que faz a gente se sentir na atividade.
Além de Turra, a Brilha Som é composta por Ismael Ramos da Silva (guitarra e voz), Cleyton Vasconcellos Ribeiro (teclado e acordeom), Jean da Silva (bateria), Pablo Britz (trompete, trombone e voz), Carlos Eduardo Juwer (trompete) e Cristiano Henrique de Lima (baixo).
Por que Dois Irmãos?
Sobre a escolha do local da gravação do DVD, Turra justifica que Dois Irmãos é um dos municípios em que o grupo mais se apresenta. Só neste ano, como observa o vocalista, a banda já tocou em cinco datas na cidade — todas com bom público.
— Optamos por fazer com entrada liberada porque a graça do DVD ao vivo é o público. Queremos lotar as dependências do Musik's justamente pra galera ir cantar e participar — acrescenta.
Vinte anos do disco "Sou Latino-Americano"

A Brilha Som foi fundada em dezembro de 1989, em Feliz, no Vale do Caí. Até hoje, a sede do grupo está estabelecida na cidade. Em um primeiro momento, a banda era mais voltada para a música germânica (as populares "bandinhas"), sem um vocalista definido e com muitas canções instrumentais.
Turra entrou no grupo em 1999 como guitarrista. Aos poucos, começou a participar como vocalista, dividindo a função com os outros integrantes.
Até 2005, a Brilha Som já mantinha uma posição relevante no cenário do bailão, com sucessos no nicho e circulação pelo Sul. Há 20 anos, o patamar da banda se transformou.
Primeiro, entrou o vocalista Volnei Bianchini, vindo da Miramar Show. Então, a banda lançou Sou Latino-Americano (2005), que traz sucessos como Querida Amiga, A Lua e A Noite e a própria faixa-título. Na sequência, Turra deixou a guitarra e se consolidou como vocalista.
— Começamos a fazer bastantes shows. Foi muito desgastante, eu ia perdendo a voz. Então, sugeri: "Vamos colocar um moleque para ajudar a cantar". Eu não queria largar a guitarra. Só que aí um sócio respondeu: "Se é para trazer alguém, será para tocar a guitarra. E tu vai pra frente cantar com o Volnei, formando uma dupla de cantores" — lembra o vocalista.
Bailes de até seis horas
O tempo passou, e músicos entraram e saíram da banda — Volnei, por exemplo, deixou o grupo em 2011. Turra se consolidou como o frontman da Brilha Som.
Hoje, a banda realiza, em média, 25 shows por mês, entre casas noturnas, festas de prefeituras, eventos privados etc. Aos domingos, dependendo do horário que começa, um baile da Brilha Som pode chegar até seis horas de duração.
Conforme Turra, há um carinho maior hoje em dia pelos projetos de bailão — antes, havia um certo desdém, como se fosse algo do interior, o que incluía até o uso do termo "bandinha" de maneira pejorativa para grupos desse cenário.
Contudo, ele cita que houve um boom do gênero após a pandemia, impulsionado pelas redes sociais e por sucessos como Perigosa e Linda, do Corpo e Alma, e Guardanapo, do Rainha Musical. Isso também se estendeu a hits de 20 anos atrás da Brilha Som.
— O pessoal canta a A Lua e A Noite hoje como se fosse o hit do momento. É o mesmo com Querida Amiga, que também virou meme — conta o vocalista. — É a tal da memória afetiva. A molecada cresceu com essas músicas. Hoje já maiores, quando vão para os eventos e a gente toca, é uma festa. Acabou esse lance de "bandinha é coisa da colônia". Não, cara, o bailão está aí, a gurizada segue curtindo, como uma música qualquer na playlist.
Show de gravação do DVD "Bailão do Brilha"
- Nesta quarta-feira (22), a partir das 21h, no Musik's Club (Rua São Francisco de Paula, 125), em Dois Irmãos (RS). Abertura dos portões: 19h30min
- Entrada franca
- Informações e reservas: (51) 99741-3613


