
Uma noite para três filhos reverenciarem o pai. Também para o pai celebrar sua prole. Todos juntos no mesmo palco. É o que farão Os Fagundes nesta quinta-feira (14), a partir das 21h, no Teatro do Bourbon Country, em Porto Alegre. Trata-se do show De Filho para Pai, em homenagem ao Dia dos Pais, celebrado no último domingo (10). Os ingressos estão esgotados.
A apresentação integra o projeto Noites Gaúchas, realizado pela Maragata Assessoria Artística, que visa enaltecer a música regional do Rio Grande do Sul. O evento é acessível, contando com audiodescrição, tradução em Libras e abafadores de som.
No palco, os filhos Neto, Ernesto e Paulinho estarão acompanhados do pai, Bagre Fagundes, para cantar músicas que fazem parte do legado da família, como Origens, Galpão Crioulo e Canto Alegretense. Completam o grupo Matheus Kleber no acordeom, Rafa Marques na percussão e Tamires Duarte no contrabaixo.
O título do show vem da canção De Filho pra Pai, de Ernesto e Vaine Darde, que enaltece o progenitor e reflete a proposta do espetáculo: "Pois é, pois é, a fruta não cai longe do pé/ Pois é, pois é, filho de bagre por certo peixinho é". Ernesto sublinha:
— É uma homenagem e uma forma de agradecimento ao nosso "véio", que nos ensinou a amar a música e a cultura do Rio Grande. Só temos gratidão de poder subir ao palco com o pai.
Por sua vez, Bagre parafraseia um verso da música: "a fruta não cai longe do pé”. Aos 85 anos, ele segue "corujando" os filhos.
— Qualquer pessoa pode imaginar a minha alegria em estar com eles no palco, com uma adiantada idade — comemora. — Estarei com o meu filho mais velho (Neto), que é o líder musical e artístico da nossa família. Também estará o meu filho mais novo (Paulinho), que é também um líder no que se trata de arranjos e da música em si. E o Ernesto é um dos artistas mais completos que temos.
Distinção para Bagre
Além de dividir o palco com os filhos, Bagre tem outro motivo recente para se orgulhar: em maio, recebeu a Ordem do Mérito Cultural do governo federal. A homenagem é a maior distinção entregue a quem contribui para o desenvolvimento da cultura no país. Ernesto representou o pai na cerimônia realizada no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, recém reformado.
Neto chama atenção para outra característica do patriarca: a generosidade. Por exemplo, menciona que o pai é coautor de Canto Alegretense junto com seu tio Nico Fagundes (1934-2015), mas, em vez de cantar a própria composição, que virou um dos maiores clássicos do cancioneiro do Estado, ele o chamou para interpretá-la.
— O pai toca gaita, violão, compõe. Ele, sim, é um artista completo. Contudo, procurou repartir conosco e nos dar essa oportunidade por meio da música — diz Neto.
Paulinho ressalta que a música é como uma oração para os quatro, como uma bênção divina. Aliás, o músico destaca outra presença familiar no palco, esta em forma de memória:
— É importante lembrar que todas as vezes que nós estamos tocando juntos o tio Nico está lá conosco (Nico foi integrante original do grupo Os Fagundes). Está no nosso coração. Suas palavras nos unem como família e nos remetem ao nosso lugar, que é o Alegrete.
Emoção redobrada
Além das canções que marcaram a vida dos Fagundes, o público pode esperar aqueles elementos conhecidos da família: bom humor, simpatia, causos e destreza musical. Porém, o show desta quinta tem um elemento diferente: a emoção.
No começo do ano, Bagre esteve internado por conta de um AVC transitório. Em julho, foi a vez de Ernesto, que ficou 23 dias hospitalizado por conta de uma diverticulite aguda.
Entre os quatro, há um consenso de que todo show necessita de muita concentração, mas a apresentação desta quinta necessitará de uma atenção reforçada, pois há uma carga emocional que vai além da música. Ernesto brinca:
— Qualquer coisa que a gente começar a falar pode nos emocionar. Não queremos perder a emoção, mas também não queremos perder para o emocional. Porque senão vira um chororô (risos).
Neto completa:
— Aquilo que sempre entregamos para as outras pessoas, de fazer o pessoal se emocionar, se arrepiar, agora precisamos encarar com calma. Pode rolar o bumerangue da emoção.
Ao que Bagre arremata:
— Senta que o leão é manso!




