
Ozzy Osbourne morreu nesta terça-feira (22), aos 76 anos, deixando uma lacuna irreparável na história da música. A causa da morte do cantor ainda não foi divulgada.
Conhecido como o "Príncipe das Trevas", Ozzy foi o vocalista original e um dos fundadores do Black Sabbath, banda reconhecida mundialmente como a pioneira do heavy metal.
A notícia da morte veio menos de 20 dias após a última apresentação do grupo, no megashow beneficente Black Sabbath: Back to the Beginning, realizado em Birmingham, cidade natal do cantor e da banda.
Origens do Black Sabbath
O Black Sabbath surgiu no final dos anos 1960, em Birmingham, uma região industrial da Inglaterra. Tudo começou quando Tony Iommi, guitarrista, e Bill Ward, baterista, viram um anúncio em uma loja: um cantor buscava parceiros para formar uma banda. Esse cantor era Ozzy Osbourne, então com 20 anos, recém-demitido de um abatedouro após uma briga com um colega.
Os três decidiram formar um grupo. Ozzy trouxe dois músicos para a formação inicial: Geezer Butler, que já havia tocado com ele na Rare Breed, e Jimmy Phillips. Butler assumiu o baixo pouco depois.
Assim nasceu a primeira formação da banda: Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward. O grupo ainda passou por nomes como Polka Tulk Blues Band e Earth.
No início, o grupo tinha forte influência do blues. A virada aconteceu justamente quando decidiram apostar em temas mais sombrios, inspirados no terror e no ocultismo, e assumiram o nome Black Sabbath, baseado em um filme estrelado por Boris Karloff.
A estética sombria e os riffs pesados logo se tornaram a marca registrada da banda, que pavimentou o caminho para o heavy metal.
Primeiros álbuns e o auge criativo
Em fevereiro de 1970, lançaram então o álbum Black Sabbath, frequentemente apontado como o disco que inaugurou oficialmente o heavy metal.
Meses depois, lançaram Paranoid, trabalho que consagrou a banda mundialmente, com hinos como Iron Man, War Pigs e a faixa-título, que atravessariam gerações.
Nos anos seguintes, álbuns como Master of Reality (1971), Vol. 4 (1972) e Sabbath Bloody Sabbath (1973) mostraram uma banda em plena forma criativa, explorando novos timbres, letras politizadas e melodias intensas.
Daí, o grupo se tornou sinônimo de som pesado, inspirando músicos em todo o mundo e consolidando uma legião de fãs fiéis que os seguiriam ao longo das próximas décadas.
Tensões, excessos e a saída de Ozzy Osbourne
O sucesso, porém, também teve seu preço. Assim como muitas bandas da época, a convivência entre os integrantes ficou cada vez mais difícil devido ao abuso de drogas e álcool.
As tensões internas atingiram o ápice em 27 de abril de 1979, quando Ozzy foi expulso. Mesmo afastado da banda, sua influência seguiu sendo uma referência no gênero, e sua carreira solo também atingiria grande êxito.
Após a saída de Ozzy, o Black Sabbath recrutou Ronnie James Dio, ex-vocalista do Rainbow.
Com ele, a banda gravou álbuns importantes como Heaven and Hell (1980) e Mob Rules (1981), que atualizaram a sonoridade e ajudaram a manter o Sabbath relevante em um cenário musical que mudava rapidamente.
Anos 1980 e 1990: mudanças constantes
Os anos seguintes foram marcados por idas e vindas e experimentações com novos vocalistas, como Ian Gillan (Deep Purple), Glenn Hughes e Tony Martin.
Apesar da instabilidade, álbuns como Born Again (1983), Seventh Star (1986) e Headless Cross (1989) mostraram que a banda ainda tinha fôlego criativo e mantinha uma base de fãs dedicada.
Ozzy seguia em carreira solo e também consagrava os seus próprios sucessos, com canções como Mr. Crowley e Crazy Train.
Reunião da formação clássica e o álbum 13
Nos anos 2000, o Black Sabbath voltou a reunir sua formação original para turnês históricas, embora sem o baterista Bill Ward, que se afastou por divergências contratuais e problemas de saúde.
Em 2013, a banda lançou 13, primeiro álbum de estúdio em quase duas décadas, produzido por Rick Rubin, que recuperou a sonoridade crua e pesada do Sabbath original.
O disco foi sucesso de público e crítica, alcançando o topo das paradas em países como Estados Unidos e Reino Unido.
A última vez que a banda esteve em Porto Alegre, foi em 2016, com o show da The End Tour. Foi a única vinda à Capital com a formação original, visto que em 1992, o grupo tocou sem Ozzy.
Cinco anos antes, Ozzy protagonizaria, em show solo, um momento emblemático no Gigantinho, ginásio do Inter. O cantor abriu o show enrolado em uma bandeira do Grêmio.

Despedida final
No último dia 5 de julho, o Black Sabbath subiu ao palco pela última vez, com a formação original, no estádio Villa Park, em Birmingham.
O evento, batizado de Black Sabbath: Back to the Beginning, com direção do guitarrista Tom Morello, foi acompanhado presencialmente por dezenas de milhares de fãs e assistido online no mundo inteiro.
Ozzy, sentado em um trono preto, emocionou o público ao cantar clássicos e agradeceu.
— Vocês não têm ideia de como me sinto. Obrigado do fundo do meu coração — disse o cantor.
O megashow contou ainda com participações especiais de artistas e bandas como Guns N’ Roses, Slayer, Tool, Pantera, Alice in Chains e Metallica.
A arrecadação ultrapassou 200 milhões de dólares, destinados a causas sociais, tornando-se o show beneficente mais lucrativo da história.
*Produção: Murilo Rodrigues



