
O rapper Oruam voltou a se envolver em polêmica com as autoridades. Agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), da Polícia Civil do Rio de Janeiro, acusam o artista de atirar pedras contra uma viatura na noite de segunda-feira (21), quando os agentes cumpriam mandado de busca e apreensão contra um adolescente que estaria na casa do rapper.
O alvo dos policiais era suspeito de atuar como segurança de Edgar Alves de Andrade, traficante conhecido como Doca e apontado como um dos chefes do Comando Vermelho (CV), segundo o g1. Ele estaria na casa de Oruam, na zona oeste do Rio de Janeiro, na noite de segunda.
O adolescente de 17 anos e Oruam — que não era alvo de mandados — foram abordados no momento em que saíam da casa do artista. Quando o menor era conduzido à viatura, os policiais foram atacados com pedras. Em meio à confusão, ele conseguiu escapar e Oruam o acompanhou. O rapper deve ser indiciado por quatro crimes, de acordo com o chefe de Polícia Civil do Rio de Janeiro, delegado Felipe Curi.
— Como já era quase madrugada, obviamente nós não poderíamos entrar na residência dele. Ficamos ali esperando a movimentação. Ele saiu da casa e, já em via pública, foi feita a abordagem — detalhou Curi em entrevista ao Bom Dia Rio, da Globo.
Na sequência, os policiais entraram na residência de Oruam e prenderam um suspeito de ter atirado as pedras contra a viatura. O homem, cuja identidade não foi revelada, foi autuado em flagrante por resistência, desacato, lesão corporal e dano ao patrimônio público.
Um policial ficou ferido durante a confusão. Após o ocorrido, Oruam postou um vídeo nas redes sociais em que afirmava estar no Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, e que "mais de 20 viaturas" foram até a casa dele.
— Oruam viu da varanda da casa dele e começou a tacar pedras em cima dos policiais. Acertaram a viatura e machucaram o policial que acompanhava o Moysés (Santana, delegado da DRE) — afirmou Curi.
O artista também compartilhou vídeos em seu perfil no Instagram, por meio dos stories (que desaparecem após 24 horas), mostrando alguns momentos da confusão. Em alguns registros, é possível ver pessoas atirando pedras contra os policiais.
Indiciamento
Curi afirmou que Oruam deverá responder por seis crimes após a confusão:
- Associação para o tráfico de drogas
- Tráfico de drogas
- Lesão corporal
- Resistência qualificada
- Dano ao patrimônio público
- Desacato
— Ele está sendo indiciado, no dia de hoje, por associação para o tráfico de drogas, por ligação direta dele com a facção criminosa Comando Vermelho. Após esse evento, ele fugiu e se escondeu no Complexo da Penha. Gravou um vídeo que é uma confissão — declarou em entrevista à Globo.
Quem é Oruam
Mauro Davi dos Santos, 25 anos, é considerado um dos principais nomes no cenário do funk e trap nacional. Somente no Spotify, o carioca soma mais de 13 milhões de ouvintes. Nas músicas, Oruam costuma falar sobre ostentação, sexo, a vida em comunidades e o pai, o traficante Marcinho VP.
O cantor já colaborou com nomes como Chefin, MC Ryan SP, MC Daniel, Xamã e Ludmilla, além de ter integrado, em 2022, o Poesia Acústica 13, um dos principais projetos do rap nacional. Oruam assinou contrato com a Mainstreet Records, gravadora criada pelo rapper Orochi.
O gosto por ostentação do rapper ultrapassa as letras das músicas. Ele já foi visto em um carro avaliado em R$ 2,6 milhões, comprou um gato da raça Savannah F1, que pode custar até R$ 120 mil, e costuma compartilhar nas redes sociais a convivência com cantores, jogadores de futebol e outras personalidades famosas. Oruam já publicou diversas fotos com Neymar, que recentemente voltou ao Santos.
Apesar de nunca ter convivido com o pai, Oruam já declarou publicamente a admiração por ele. Marcinho VP, apontado como líder do Comando Vermelho, está preso desde 1996. No ano passado, o rapper subiu no palco do festival Lollapalooza usando uma camiseta com o rosto do familiar e a palavra "liberdade".
Ele foi preso em fevereiro, por abrigar um foragido da Justiça em sua casa. No entanto, foi solto no mesmo dia.

