Contrariando quem já havia declarado sua falência. Contrariando quem o acusa de ser envelhecido. Contrariando quem já havia fechado a tampa de seu caixão. Sim, o rock ainda pulsa – e novas bandas e artistas continuam surgindo no Rio Grande do Sul.
Não se trata apenas de amigos reunidos em uma garagem tocando covers de outras décadas. Há projetos autorais distintos, explorando diferentes ritmos e possibilidades. Alguns, inclusive, têm conquistado notoriedade além do Mampituba, no cenário alternativo nacional.
Aproveitando o ensejo do Dia Mundial do Rock – data exclusivamente celebrada no Brasil –, a reportagem de Zero Hora selecionou 12 bandas e artistas que surgiram no Estado nos últimos 10 anos. E há mais por aí.
Supervão

- Fundação: 2016
- Cidade: São Leopoldo
- Integrantes: Mário Arruda (vocal e guitarra), Leonardo Serafini (guitarra), Olímpio Machado (baixo) e Rafaela Both (bateria)
Qual é estilo musical da banda?
Leonardo Serafini: É o indie rock – especialmente o indie festivo dos anos 2000 – e o pós-punk dos anos 1980. As bandas que a gente mais gosta são Strokes, Arctic Monkeys, Libertines, The Kills, Sonic Youth e Jesus and Mary Chain. Entre as mais recentes, destacamos Fontaines D.C. e Wet Leg. Sempre compusemos em português e nos autoproduzimos, o que acaba influenciando bastante o nosso som.
O que você gostaria que soubessem sobre o projeto?
Leonardo Serafini: Sempre estivemos ligados à cena alternativa do rock e do indie, tanto em Porto Alegre quanto no restante do Brasil. É como se fosse uma experimentação coletiva sobre som, afeto e sobre como fazer as coisas acontecerem. Em 2024, lançamos nosso segundo álbum, Amores e Vícios da Geração Nostalgia, e seguimos sempre em movimento, somando novas parcerias e nos reinventando a cada fase.
Bella e o Olmo da Bruxa

- Fundação: 2016
- Cidade: Porto Alegre
- Integrantes: Pedro Acosta (guitarra e vocal), Felipe Pacheco (guitarra e vocal), Júlia Garcia (baixo) e Ricardo de Carli (bateria)
Qual é estilo musical da banda?
Pedro Acosta: Ouvimos muito tanto o emo comercial dos anos 2000 quanto o emo do meio-oeste estadunidense (midwest emo). Se fosse para rotular, dá para dizer que fazemos um som que transita entre o rock alternativo, o indie rock e, segundo alguns, até o emo.
O que você gostaria que soubessem sobre o projeto?
Pedro Acosta: Somos uma banda fora do eixo Rio-São Paulo, que está conseguindo fazer muitos shows pelo Brasil sem nenhum tipo de investimento brutal. Gravamos um disco que vai sair nos próximos meses, que foi todo custeado de forma independente. A ideia é que esse trabalho traga ainda mais notoriedade para a banda, que a gente consiga realizar projetos cada vez maiores e, principalmente, aqui mesmo na nossa cidade.
Isotopxs

- Fundação: 2019
- Cidade: Porto Alegre
- Integrantes: Déo ou MC DDN (vocal e guitarra). DJ Spieker (vocal, dj e guitarra), Rafael Mafuz (baixo) e Henry Kroww (vocal e bateria)
Qual é estilo musical da banda?
Déo: Um liquidificador frenético, recheado de referências, podendo misturar bases de emocore e nu metal com diferentes vertentes do funk — especialmente os proibidões carioca e paulista, com aquele clima de submundo, ritmo acelerado e batida mandela. Henry curte Mötley Crüe, uns bagulhos do emo e muito trap. Já sou um grande ouvinte de Sade, d.silvestre, Escabroso e MC Magrinho. Spieker curte Death Grips e Converge. Mafuz é um cara de peso, curte The Mars Volta, Tool e o favorito dele do Metallica é o Reload.
O que você gostaria que soubessem sobre o projeto?
Déo: Que a gente odeia o capitalismo. Foi a emergência da luta de classes que nos trouxe à tona e a gente só vai parar quando derrubar o sistema burocrático burguês.
Ovo Frito

- Fundação: 2020
- Cidade: Porto Alegre
- Integrantes: Tita (vocal), Pedro (guitarra), Jô (baixo) e Régis (bateria)
Qual é estilo musical da banda?
Pedro: Nós fazemos rock alternativo brasileiro. Nossas influências são Os Mutantes, Tim Bernardes, Beatles, Marina Sena, Boogarins, Crumb, entre outras. Também temos influências de outros ritmos imbuídos. É difícil encaixar um projeto como o nosso – em que cada música soa diferente – dentro de um único estilo.
O que você gostaria que soubessem sobre o projeto?
Pedro: É a realização do nosso sonho coletivo. Tudo o que fazemos é de coração. Ano passado perdemos tudo na enchente, mas, mesmo assim, lançamos nosso segundo EP. Ainda estamos em processo de reconstrução, mas seguimos firmes porque este é nosso sonho.
Quem é Você, Alice?

- Fundação: 2017
- Cidade: Porto Alegre
- Integrantes: Conrad Fleck (bateria e vocal), Vitor Pires (baixo e vocal) e Milena Vardaramatos (guitarra e vocal)
Qual é estilo musical da banda?
Milena Vardaramatos: Transita entre shoegaze, post-hardcore, rock alternativo e emo. Atualmente, procuramos explorar uma sonoridade mais madura e sóbria.
O que você gostaria que soubessem sobre o projeto?
Milena Vardaramatos: Estamos em um formato mais coletivo e horizontal. Buscamos uma dinâmica mais harmônica, com um palco onde cada um possa se destacar à sua maneira. Temos certeza de que isso se refletiu bastante nas novas faixas que vamos lançar em breve.
Projeto Hare

- Fundação: 2017
- Cidade: Porto Alegre
- Integrantes: Adara Araújo (vocal), Arthur Nedel (guitarra e vocal), Noam Mendes (guitarra e vocal), Otavio da Rosa (baixo) e Leonardo Casagrande (bateria)
Qual é estilo musical da banda?
Arthur Nedel: A gente bebe do suco do My Chemical Romance no nosso estilo sonoro; dos Rolling Stones e do Led Zeppelin vem a atitude e a referência mais clássica. E, aqui do RS, o TNT é a banda favorita da gurizada.
O que você gostaria que soubessem sobre o projeto?
Arthur Nedel: Essa banda é a junção de jovens artistas que cresceram em ambientes semelhantes e imprimem em suas obras uma verdadeira fotografia musical da fase em que estavam. Existem dois álbuns lançados: o primeiro retrata a adolescência e todos os sentimentos efervescentes que a acompanham; o segundo, a confusão de ser um jovem adulto lidando com estudos, trabalho e amor. O terceiro álbum já está no forno, sendo testado em shows pelo RS e por SP.
Sem Carisma

- Fundação: 2023.
- Cidade: Porto Alegre
- Integrantes: Eduarda (guitarra e vocal), Marthina (guitarra base e vocal), Karem (baixo e vocal) e Renata (bateria e backing vocal).
Qual é estilo musical da banda?
Karem: Temos influências bem mistas, como Sonic Youth, Bikini Kill, Pixies, Cansei de Ser Sexy, PJ Harvey, Patti Smith e The Smashing Pumpkins.
O que você gostaria que as pessoas soubessem sobre o projeto?
Karem: O mais importante é que as pessoas saibam que a gente se diverte muito tocando juntas, independentemente de as músicas terem ou não uma grande qualidade técnica. É quase uma terapia. A gente se encontra para ensaiar e, às vezes, acaba passando metade do tempo fofocando, falando da vida. É nessas conversas que surgem as letras, sempre ligadas às situações tragicômicas que a gente compartilha. A música é consequência desses encontros.
Jaydson

- Em atividade desde: 2022
- Cidade: Porto Alegre
- Integrantes da banda: Jaydon (vocal e guitarra), Marcel Bittencourt (baixo), Renato Siqueira (bateria) e Rodrigo Ferreira (guitarra)
Qual é estilo musical da banda?
Punk rock, hardcore melódico, grunge e rock alternativo.
O que você gostaria que as pessoas soubessem sobre o projeto? Jaydon: Meu primeiro disco, Live Fast, Die Old, começou a ser gestado lá no final dos anos 1990, quando tinha uma banda. Só que, com o tempo, cada integrante foi para um lado, e segui compondo, sempre pensando que, quem sabe, um dia reuniria tudo em um trabalho. Foi isso que aconteceu: comecei a me organizar um pouco depois da pandemia.
Não dá para dizer que o álbum se encaixa em um único gênero, porque as músicas trazem elementos de várias influências. É um trabalho feito com muita paixão, especialmente por realizar algo que eu queria ter feito há muito tempo.
Shaun

- Fundação: 2019
- Cidade: Porto Alegre
- Integrantes: Eduardo Comerlato (guitarra), Eliéser Lemes (bateria), Joana Luna (voz e percussão), João Carneiro (voz), John Vitto (guitarra e voz), Lucas Juswiak (baixo) e Samuel Kirst (teclado e voz)
Qual é o estilo musical da banda?
João Carneiro: Um rock meio dançante, meio enfumaçado (risos). É uma mistura do som de Madchester e das bandas daquela época, como The Stone Roses e Happy Mondays, com Mutantes, Gorillaz, The Clash, Primal Scream, Planet Hemp, entre outros. A gente costuma descrever, de brincadeira e com carinho, como um tropical Madchester. Estamos gravando nosso primeiro disco (finalmente!), e a banda está se encontrando ainda mais dentro do rock, definindo a nossa sonoridade e linguagem.
O que você gostaria que as pessoas soubessem sobre o projeto?
João Carneiro: O clima da banda é muito legal. Rola bagunça, mas a gente tem se empenhado muito nos shows e nos ensaios. Estamos sempre falando de futebol, música, política. Então a banda também acaba sendo um espaço onde desenvolvemos várias ideias.
Nosso primeiro disco vai trazer justamente temas que a Shaun ainda não tinha abordado, porque estamos vivendo um momento muito bom de troca de ideias e criação musical. Todo mundo está contribuindo e se ajudando.
A Virgo

- Fundação: 2017
- Cidade: Novo Hamburgo
- Integrantes: Rafa Decarli (guitarra, vocal, saxofone e sintetizador), Victor "Vitinho" Tavares (guitarra, sintetizador e vocal), Patrick Bruxel (baixo e backing vocal), Guilherme "Nino" Moraes (bateria e backing vocal)
Qual é o estilo musical da banda?
Rafa Decarli: Começamos com uma psicodelia tropical, caminhamos para o indie no nosso primeiro álbum, Sofá 7, e agora em Dois Verões ou A Viagem de Sífero, seguimos uma vibe mais de rock alternativo psicodélico. Nesse disco, nos influenciamos bastante por Stereolab e Mombojó, mas também bebemos muito de Homeshake, Connan Mockasin, Júpiter Maçã e por aí vai.
O que você gostaria que as pessoas soubessem sobre o projeto?
Rafa Decarli: Lançamos um disco realmente muito legal nesse ano – Dois Verões ou A Viagem de Sífero –, de forma independente, autoproduzido, mixado e masterizado por nós mesmos. É um trampo que vale a pena conferir pra nos conhecer de verdade.
Théo Fetter

- Em atividade desde: 2021
- Cidade: Porto Alegre
- Integrantes da banda: Théo Fetter (vocal e guitarra), Fred Mattos (bateria), Guilherme Leindecker (baixo) e Bruno Bauer (guitarra)
Qual é o estilo musical da banda?
Théo Fetter: Gosto de dizer que minhas músicas são uma mistura do indie rock americano, com aquela pegada mais barulhenta, e do rock gaúcho, com melodias super chicletes e divertidas. Gosto tanto dos dois estilos que componho em ambos os idiomas.
O que você gostaria que as pessoas soubessem sobre o seu projeto?
Théo Fetter: Estou próximo de vários lançamentos legais, e queria que as pessoas ficassem de olho. Vem muita coisa boa por aí.
Hibizco

- Tempo de atividade: 2018
- Cidade: Porto Alegre
- Integrantes da banda: Raquel Pianta (vocal e guitarra); Yan Maia (vocal e guitarra); Fran Goya (baixo) e Bernardo Cecchetto (bateria)
Qual é o estilo musical da banda?
Raquel Pianta: Nosso som gira em torno do pop rock. O último single, Melhor Que Eu (Deixa Pra Lá), é o melhor exemplo de como a sonoridade do álbum, que vamos lançar no início do ano que vem, foi se encaminhando. A gente se libertou para explorar o pop rock com brasilidades e percussões, passando até por climas melancólicos que lembram os anos 1990, batidas disco, muitos riffs e vozes com influência do emocore. Posso dizer que hoje o nosso som vai de Oasis a Fresno, de Chic a Blink-182.
O que você gostaria que soubessem sobre o projeto?
Raquel Pianta: Para além do carinho que colocamos nas nossas músicas, desde a composição até a produção, também cuidamos da estética e da comunicação com o mesmo olhar atento. Priorizamos a qualidade e a intenção do que vamos entregar ao mundo do que a quantidade. Fazemos música para, quem sabe, deixar a vida das pessoas um pouco melhor. Quem embarcar nessa jornada com a gente ainda vai receber muita música, shows e outras formas de arte e comunicação.


