
Em uma Porto Alegre tão pouco acostumada com grandes shows internacionais, era o tipo de informação prévia que impressionava: "consta que a aparelhagem de som do grupo, ligada em volume médio, tem um raio de alcance de cerca de 10 quilômetros", anunciou Zero Hora às vésperas do show do Van Halen no Gigantinho, no dia 1º de fevereiro de 1983.
O grupo americano era um dos principais nomes do hard rock naquele começo dos anos 1980, destacando-se em especial pela presença do guitar hero Eddie Van Halen, que morreu nesta terça-feira (6) — ele era reverenciado como um dos melhores de todos os tempos no instrumento —, e do performático vocalista David Lee Roth. A presença de artistas desse porte, no auge da fama, era rara até mesmo no Brasil, situação que começou a mudar com o o festival Rock in Rio, em 1985. Antes disso, a passagem pelo país de nomes como Genesis, Rick Wakeman, Kiss e Queen era muito rarefeita.
O Van Halen promovia à época desta turnê sul-americana do álbum Diver Down e impressionou o público que lotou o Gigantinho com o imenso aparato cenográfico e o enérgico show de duas horas em altíssimo volume, iniciado com David Lee Roth saltando sobre o palco ao som de Romeo Delight, petardo do álbum Women and Children First (1980).
— Estamos em Porto Alegre e é trilegal — saudou o vocalista.
"Espantoso, ensurdecedor e avassalador, o show do Van Halen no Gigantinho foi uma avalanche de tecnologia a serviço do rock’n’roll", sentenciou a crítica publicada em ZH.
Entre os fãs, a grande diversão foi comentar nas semanas seguintes quem ficou com os ouvidos zunindo por mais tempo, tamanho foi o volume do show que fez o Gigantinho tremer como poucas vezes em sua história.
