
Aos 34 anos, Zudizilla é o principal nome gaúcho na cena rap nacional. Radicado em São Paulo há dois anos, o artista realiza na quinta (5) e na sexta-feira (6), em Porto Alegre, no Agulha, os primeiros shows de seu mais recente disco, Zulu, Vol. 1: De Onde Eu Possa Alcançar o Céu sem Deixar o Chão, o primeiro de uma trilogia.
Mesmo longe de seu Estado natal, o olhar se mantém em direção à cidade onde nasceu e construiu sua carreira. Pelotas, onde o trabalho foi concebido, está presente nos versos de Intro 11, faixa que abre o álbum lançado de forma independente em setembro passado: “Residente desse inferno, mas, se pensar de onde eu vim, não/ Não me iludo, pro que eu quero ainda falta muito, perna/ Quero mais do que eu tive quando era moleque, corre/ E se tiver que morrer por isso tem melhor opção? Fé”.
Ainda no “corre” e consciente de que, apesar do lugar de destaque que ocupa, tem muito a conquistar, Zudizilla comemora as vitórias dos últimos anos, sem esquecer os parceiros e amigos da cidade no sul do Estado.
— Chegar nesse lugar é muito mais que a minha realização. É a realização de vários outros caras que faleceram no meio do caminho, que foram presos, que não conseguiram chegar, que tiveram que optar entre a arte e a família, e honestamente optaram pela família. Me coloquei a serviço dessa missão, que não é só minha, é de uma galera — afirma Zudizilla.
O artista se refere não somente à sua luta pessoal, mas à do povo negro na busca para realizar sonhos e sobreviver. O tema dá unidade ao disco, como em Sintonize, em que o rapper canta: “Meu mundo funciona assim, sei que nem todos se entregam/ Uns vão nas regras do jogo/ Eu faço o dobro do que já esperam de mim”.
Zudizilla acrescenta:
— Como sou bem retinto, essa narrativa é inerente à minha pessoa. Não consigo fugir dessas temáticas porque o rap trata muito da possibilidade de o indivíduo se comunicar. E, quando tenho a possibilidade de me comunicar, quero trazer à tona essas realidades, que são transversais à minha vivência enquanto homem preto na sociedade.
Para mostrar na Capital as canções de Zulu, Vol. 1, novas composições e canções do seu disco anterior — o elogiado Faça a Coisa Certa, de 2016 —, o pelotense contará com as participações do DJ Nyack, das rappers gaúchas Cristal e B.art, do trio de Rio Grande Kiai Grupo e da cantora Luedji Luna, namorada do artista, com quem lançou, no mês passado, a canção Proveito.
Zudizilla - Lançamento do disco “Zulu, Vol.1”
Quinta (5) e sexta (6), às 22h
Agulha (Rua Conselheiro Camargo, 300)
Classificação: 16 anos
Ingressos: de R$ 35 a R$ 70, no local ou online em bit.ly/zuludata1 e bit.ly/zuludata2





