O filme Metrópolis (1927), de Fritz Lang (1890-1976), é precursor da ficção científica no cinema. Com estética futurista, o longa-metragem é uma das maiores referências do expressionismo alemão.
A obra do cinema mudo foi inspirada no livro de mesmo nome, publicado em 1926 pela alemã Thea Von Harbou (1888-1954). Ela era casada com Lang na época e escreveu o roteiro do filme em parceria com ele.
O romance aborda a desigualdade social entre classes. Em uma cidade futurista, os abastados vivem na superfície. No subterrâneo, os trabalhadores são escravos de máquinas que funcionam para manter o luxo dos ricos.
Na trama, que se passa em 2026, o burguês Freder — filho do dirigente da cidade — se apaixona por Maria, líder espiritual dos trabalhadores e responsável por cuidar dos filhos deles.
Com receio de uma rebelião, o pai de Freder contrata um cientista para criar um robô com a aparência de Maria para semear a discórdia e destruir a reputação da líder dos operários.

Envolvimento com o nazismo
Impressionado com a película, Adolf Hitler queria Lang como diretor de filmes do Partido Nazista. O cineasta jamais aceitou e preferiu deixar o país.
Porém, Thea filiou-se ao partido e presidiu a Associação Alemã de Autores de Filmes Falados.
Após a Segunda Guerra Mundial, a escritora foi presa e obrigada a remover escombros do conflito para os britânicos. Uma marca difícil de ser dissociada de sua obra-prima.
Toda semana, um jornalista do Grupo RBS irá compartilhar na seção O que Estou Lendo a sua paixão por livros por meio de dicas do que estão lendo no momento.

"Metrópolis", de Thea von Harbou
- Editora Aleph, 416 páginas, R$ 134,90 (livro físico) ou R$ 47,20 (e-book)
- Tradução de Petê Rissatti
