Há 40 anos, o rock nacional viveu uma espécie de florescimento. Discos de diferentes artistas e grupos deixaram profundas marcas em toda uma geração. É dessa efervescência musical que trata o livro 1986 – O Ano que o Rock Nacional Acertou (Farol 3 Editores), de Karina Faria, Lauro Arreguy e Chico Izidro.
A publicação apresenta 40 álbuns com reproduções das capas, fichas técnicas e as listas das faixas. Além dos três autores, convidados também escrevem sobre os vinis mais expressivos. A seleção dos discos partiu de uma curadoria pessoal dos autores e inclui coletâneas e álbuns gravados ao vivo.
O evento de lançamento será no dia 11 de setembro, às 18h30min, na Cinemateca Paulo Amorim da Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre (veja detalhes ao final).
A obra já está à venda em pontos como Toca do Disco, Zeppelin, Back in Black e na banca de revistas Fronteira. Também é possível adquiri-la por meio do Instagram. O valor é R$ 64,90.
Reportagem em revista foi inspiração

O músico Lauro Arreguy, 47 anos, conta que a ideia surgiu quando ele leu uma entrevista na revista Rolling Stone, em 2006, sobre os 20 anos de 20 discos marcantes de 1986:
— Aí me perguntei por que nunca haviam feito um livro sobre isso. Quando fez 30 anos, pensei no projeto. Mas depois veio a pandemia e chegaram os 40 anos. Aí comecei a fazer uma curadoria de discos e chegamos a 40 — relata. — 1986 foi o ano que o rock virou mainstream.
O trabalho dos autores envolveu selecionar colaboradores para escrever sobre os discos lançados em 1986. Há textos de jornalistas como Juarez Fonseca, Roger Lerina, Daniel Soares, Igor Natusch e Luiz Gonzaga Lopes.
Entre os álbuns elencados, estão clássicos como Longe Demais das Capitais, dos Engenheiros do Hawaii; Dois, do Legião Urbana; O Futuro É Vortex, de Os Replicantes; Selvagem?, de Os Paralamas do Sucesso; O Concreto Já Rachou, do grupo Plebe Rude; e a coletânea Rock Grande do Sul, com várias bandas.
Também há discos como Na Luz da Conquista, da banda Astaroth, que não existe mais. Esse álbum, por sinal, é comercializado por colecionadores em feiras e pode custar R$ 800.
A radialista Karina Faria, 39, diz que a curadoria acabou sendo um processo relativamente fácil porque Arreguy tem em casa os 40 discos que foram selecionados.
— Estou "quarentando" junto com esse livro. Está sendo muito especial — compartilha ela, que nasceu em 1986.
Rifa ajudou a viabilizar publicação
O jornalista Chico Izidro, 60, explica que os discos foram direcionados para os colaboradores de acordo com as preferências de cada um em relação aos estilos musicais. Houve reuniões semanais, trocas de mensagens e encontros ao longo de um ano.
— Tivemos a ideia de fazer uma rifa e fomos atrás de patrocinadores para levantar fundos para os prêmios — relata Izidro.
Segundo os autores, cerca de 95% dos custos do livro foram financiados com os números vendidos na rifa. A tiragem teve 800 exemplares.

— Como é um livro que foi muito marcante para as pessoas que participaram dessa época, estamos atrás de pessoas como Evandro Mesquita, Lobão e Os Replicantes para entregar um exemplar em mãos — diz Arreguy.
Os autores também pensam em presentear com o livro bandas que estão em turnês comemorativas de discos lançados há 40 anos, como Ira! (Vivendo e Não Aprendendo) e Capital Inicial (disco que leva o nome do grupo).
4 discos imperdíveis de 1986
"Cabeça Dinossauro", dos Titãs, segundo Chico Izidro:
"Para mim, é o disco-mor do rock brasileiro. É fenomenal. Pós-ditadura. Letras icônicas. Tem a letra da minha vida, que é Igreja. Como ateu, né. Eu ouvi essa música com 20 anos e disse: 'É isso aí'."

"Todas ao Vivo", de Marina Lima, segundo Karina Faria:
"Sem sombra de dúvida, ela foi a grande mulher à frente de todo aquele período, que era consumido por grandes mãos másculas. Só o riff inicial de Pra Começar explica tudo".

"Rádio Pirata ao Vivo", do RPM, segundo Lauro Arreguy:
"Eu não diria que é o melhor, mas, para mim, é o que mais representou o que foi 1986. Revolucionou tanto na questão técnica quanto na gravação. Paulo Ricardo, Luis Schiavon, Fernando Deluqui e Paulo Pagni praticamente viraram os Beatles brasileiros. Em qualquer lugar do país eles eram amados. O rock virou mainstream no Brasil por causa desse disco."

"Okay My Gay", de João Penca e seus Miquinhos Amestrados, segundo Lauro Arreguy:
"Esse é uma questão pessoal, gosto muito. É um pouco esquecido, mas é um baita de um disco. Acho que vale as pessoas revisitarem ele e darem mais uma chance."

Lançamento do livro "1986 – O Ano que o Rock Nacional Acertou"
- Dia 11 de setembro, às 18h30min, na Cinemateca Paulo Amorim da Casa de Cultura Mario Quintana (Rua dos Andradas, 736, térreo), em Porto Alegre
- Entrada gratuita
- O livro estará à venda por R$ 64,90


