Quais são as imagens e os rostos que vêm à mente quando se pensa em filmes, séries e livros sobre guerras? De quem são as vozes que narram os horrores, as histórias épicas e os crimes hediondos dos conflitos que assolaram o mundo ao longo dos séculos?
Se os relatos de guerra são majoritariamente contados do ponto de vista masculino, a autora Svetlana Aleksiévitch subverte essa lógica e coloca as mulheres como protagonistas em A Guerra Não Tem Rosto de Mulher.(Companhia das Letras).
Se o imaginário coletivo e as produções literárias e cinematográficas sobre guerras costumam retratar mulheres apreensivas à janela ou no jardim de casa, à espera de seus maridos, filhos e pais, na obra de Svetlana o leitor encontrará histórias de mulheres que saíram de casa para pegar em armas, comandar tanques, fazer suturas e carregar soldados mortos e feridos.
Ao todo, quase 1 milhão de mulheres se juntaram ao Exército soviético para combater a Alemanha nazista.
Vencedora do Nobel de Literatura de 2015, Svetlana reúne, em primeira pessoa, os relatos de franco-atiradoras, enfermeiras, voluntárias e militares das mais diversas patentes, muitas delas jamais procuradas para contar suas histórias.
A Guerra Não Tem Rosto de Mulher é o resultado de um árduo e riquíssimo trabalho jornalístico. A autora conquistou a confiança de centenas de mulheres e teve acesso às histórias mais íntimas e traumáticas de uma época marcada pelo horror, pela violência, pelo frio e pela sujeira, mas também por ideais, camaradagem e, sobretudo, humanidade.
Toda semana, um jornalista do Grupo RBS irá compartilhar na seção O que Estou Lendo a sua paixão por livros por meio de dicas do que estão lendo no momento.

"A Guerra Não Tem Rosto de Mulher", de Svetlana Aleksiévitch
- Companhia das Letras, 392 páginas, R$ 97,90 (livro físico) e R$ 39,90 (e-book)
- Tradução de Cecília Rosas


