Os clássicos são clássicos por um motivo. São obras atemporais, como Frankenstein, de 1818, que tem muitos paralelos com os dias de hoje, mesmo escrita há mais de 200 anos.
O romance gótico de Mary Shelley ganhou uma recente adaptação para o cinema, do diretor Guillermo del Toro, que concorreu ao Oscar de melhor filme em 2026 e conquistou três estatuetas: direção de arte, maquiagem e cabelo, e figurino.
Para quem gostou do premiado filme ou pretende assisti-lo, o livro também é uma boa pedida. A história tem dois principais personagens, que são os narradores: criador e criatura. Na obra, o leitor acompanha Victor Frankenstein, um cientista obcecado em desvendar o segredo da vida.
Depois de muitos experimentos e pesquisa, ele é bem-sucedido: consegue criar um ser vivo a partir de partes de corpos humanos reunidas. Contudo, Frankenstein fica horrorizado com o resultado e abandona sua criação.
Rejeitada por seu criador e excluída da sociedade por conta de sua aparência pavorosa, a criatura fica triste e solitária. À medida que sofre com a crueldade das pessoas, o personagem acaba ficando mais amargo e desenvolvendo um desejo de vingança. No final, o criador sofre as consequências disso, e boa parte da trama já é conhecida.
Apesar de o romance explorar aspectos sobrenaturais e ficção científica, é possível conectar a história com questões atuais que nossa sociedade enfrenta. Victor Frankenstein representa o estereótipo do cientista obcecado, que deixa a ambição tomar conta e ignora os limites éticos e as consequências de sua criação.
A narrativa reflete o medo de que a tecnologia se torne um monstro incontrolável, fazendo uma crítica à falta de regulação do desenvolvimento tecnológico. O romance se passa no contexto da Revolução Industrial, período de constante dualidade entre a evolução científica acelerada, de um lado, e o receio de ultrapassar os limites da natureza, do outro.
Essa tensão da época remete muito às discussões atuais sobre uso ético da inteligência artificial. O debate traz à tona a necessidade de responsabilização das big techs por trás dessas plataformas.
E o interessante é que a obra surgiu a partir de um desafio entre amigos escritores, que decidiram escrever histórias de terror para passar o tempo e ver quem criava a história mais promissora. Foi assim a origem de Frankenstein, que suscita reflexões valiosas.
Toda semana, um jornalista do Grupo RBS irá compartilhar na seção O que Estou Lendo a sua paixão por livros por meio de dicas do que estão lendo no momento.
"Frankenstein", de Mary Shelley
- Disponível no Brasil por diferentes editoras, como Companhia das Letras, DarkSide, Planeta Minotauro e Zahar


