Não há idealismo puro o suficiente que não possa sucumbir à ambição. Em Todos os Homens do Rei (Record), o escritor norte-americano Robert Penn Warren constrói uma intrincada trama política mostrando como as tentações do poder subvertem uma pretensa virtude.
Toda semana, um jornalista do Grupo RBS irá compartilhar na seção O que Estou Lendo a sua paixão por livros por meio de dicas do que estão lendo no momento.
A história se passa na Louisiana, um estado do sul dos Estados Unidos, em plena depressão econômica dos anos 1930. Numa terra esquecida pelo governo, a honestidade de um tesoureiro que denuncia uma licitação suspeita acaba atraindo a atenção das forças políticas.
Cooptado para concorrer a governador, ele logo percebe que está sendo manipulado pelo próprio partido. Após cortar os vínculos com a elite local, revela-se um orador incendiário, cujos discursos inflamados atraem cada vez mais votos. Ao chegar ao poder, constrói uma máquina eleitoral movida por clientelismo, corrupção e chantagem.
Narrado por um jornalista que acompanha a trajetória de ascensão e queda do governador, Todos os Homens do Rei é considerado o maior romance político da literatura norte-americana.
Com 600 páginas, o livro ganhou o prêmio Pulitzer e deu origem a um longa-metragem consagrado com o Oscar de melhor filme de 1949.
Embora escrita há quase cem anos, a obra segue atual, um enredo magnetizante sobre intriga, traição, paixão e ódio, no qual a demagogia e o populismo fazem transbordar todo tipo de desgraça que as armadilhas da democracia conseguem atrair.

"Todos os Homens do Rei", de Robert Penn Warren
- Record, 612 páginas, R$ 119,90
- Tradução: Mônica Reis



