
O que mata mais o amor: excesso de paz ou de fervor? Essa é uma das questões levantadas por Paula Gicovate no romance Notas Sobre a Impermanência (editora Faria e Silva).
A autora entrega, em 120 páginas, diferentes nuances sobre esse tema complexo e fascinante. Aqui vale uma menção honrosa para a "trilha sonora", com as músicas ouvidas pela protagonista. Há até uma playlist no Spotify (vale ouvir!).
Toda semana, um jornalista do Grupo RBS irá compartilhar na seção O que Estou Lendo a sua paixão por livros por meio de dicas do que estão lendo no momento.
O livro traz a história de Lia, arrebatada por um amor indisponível, que a coloca no lugar de amante. Gicovate arquiteta com precisão imagens e sensações de amor nas páginas, sem julgar ou romantizar as escolhas da personagem.
Ao mesmo tempo em que Lia se alimenta do frisson em encontros permeados por generosas fatias de desejo e tesão, frustra-se ao saber que não pode ter a companhia de Otto em um domingo qualquer.
Desconfortável, Lia escapa para Barcelona. Foge do fim da relação. De lá, troca e-mails de amor com Otto, enquanto vive novas experiências e reflexões. Como o fato de ter inveja do ex que, após terminar com ela, se casa com a nova companheira. Não pelo casamento, mas por não saber como se tem certeza de que quer estar com alguém para o resto da vida.
Fácil de ser compreendido, o livro pode ser lido em poucas, mas intensas horas. No fim, é impossível não ter empatia por Lia, mesmo com sua dualidade. Ela nos embriaga com a magia do amor, mas nos lembra o quanto ele é frágil e nos faz questionar: vale a pena permanecer?

"Notas Sobre a Impermanência", de Paula Gicovate
- Editora Faria e Silva, 120 páginas, R$ 60 (livro físico) e R$ 42 (e-book)



