
Quem tem o hábito de visitar regularmente a Feira do Livro de Porto Alegre já deve ter percebido: o espaço infantojuvenil é um dos mais concorridos na Praça da Alfândega. Professores chegam acompanhados de dezenas de crianças, e pais ajudam os filhos na escolha de novas leituras.
Os pequenos observam as capas coloridas e transformam o ambiente em uma algazarra de gritos e diversão. Mas, afinal, o que tem sido mais procurado nas bancas dessa área?
Na Z Comics, a criançada encontra uma ampla variedade de opções, que vão desde mangás até histórias em quadrinhos. O livreiro Vitor Zandomeneghi comenta sobre o que oferece aos jovens leitores no espaço infantil:
— Livros de arte, cultura pop, pintura, graphic novel, mangás, literatura para jovens, HQs de heróis da Marvel e DC Comics, com muitos cânones na área dos quadrinhos.
Com anos de experiência no setor livreiro, Zandomeneghi observa que, atualmente, há uma variada oferta de leituras voltadas tanto para meninas quanto para meninos, o que não era tão comum.
— Temos uma produção muito legal para meninas, coisa que não existia anteriormente. No século 21, houve essa mudança e direcionamento para o público feminino, o que é excelente — constata.
O livreiro afirma que o carro-chefe de vendas na banca é, “sem sombra de dúvida”, o mangá One Piece, uma série japonesa escrita e ilustrada por Eiichiro Oda, considerada a mais longa do mundo. Ele também destaca outra coleção bastante procurada:
— O Blue Lock (dos autores Yusuke Nomura e Muneyuki Kaneshiro), que é de futebol e a gurizada no Sul gosta muito. Tem um grande alcance inclusive na formação do público leitor. Pois o menino e a menina que começam lendo quadrinhos certamente se tornam leitores. Porque não leem um só, leem toda a coleção.
"Literatura de verdade"
A AMA Livros, por exemplo, não trabalha com obras de colorir – geralmente apontadas como fenômeno de vendas entre os pequenos – nem com livros-brinquedos. A proposta da distribuidora é oferecer livros infantis de caráter literário:
— O nosso livro mais vendido é A Pedra que Corria, da contadora de histórias aqui da Feira, que é a Bárbara Catarina (obra escrita em coautoria com Marilia Pirillo) — menciona o livreiro Antônio Schimeneck.
Schimeneck avalia que as vendas e a movimentação de público foram melhores do que em 2024. Ele comenta que as crianças costumam chegar à barraca em busca de livros de colorir e faz a seguinte observação:
— O público infantil procura livros de colorir, o que não temos. A gente tem só aquilo que ninguém quer: literatura de verdade.
Literatura indígena e afro
Para o livreiro Sérgio Brandão, da Livraria e Editora SVB, as crianças ainda procuram bastante os livros de colorir. Entretanto, a literatura indígena e afro têm despertado o interesse dos jovens leitores, conforme observa.
— Quando eles vêm com os pais, estes os ajudam na escolha. Pegam o que sai na mídia, coisas segmentadas, assim como livros indígenas. Livros da cultura africana vendem muito. Até pelo fato de estarmos no mês da Consciência Negra — ressalta Brandão.
De acordo com o livreiro, a Feira do Livro representa o "auge de vendas" para o setor, com uma movimentação intensa de leitores ávidos por diferentes obras.
— Sempre é um evento maravilhoso, além de encontrarmos amigos e escritores — conclui.
Os expositores da área infantil e juvenil ficam localizados no lado da Praça da Alfândega mais próximo à Rua Siqueira Campos. A Feira do Livro segue aberta até o próximo domingo (16), das 10h às 20h, com entrada gratuita. A programação completa está disponível no site do evento.



