
Uma mistura de Torto Arado com Cem Anos de Solidão, Mata Doce (Alfaguara, 2023), da escritora baiana Luciany Aparecida, traz a sensação de se estar assistindo ao desaparecimento de uma comunidade marcada pelo coronelismo e outras lembranças da escravidão.
Finalista no Prêmio Jabuti e vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura, o livro conta a história de Maria Teresa — que, ao longo do enredo, se torna Filinha Mata-Boi — em um contexto de pobreza e restrições na comunidade de Mata Doce, mas também de muito amor vindo de suas mães e do noivo, Zezito.
Toda semana, um jornalista do Grupo RBS irá compartilhar na seção O que Estou Lendo a sua paixão por livros por meio de dicas do que estão lendo no momento.
Entre dúvidas sobre a própria origem e conflitos locais, um episódio traumático muda a vida de Maria Teresa. Vamos, aos poucos, conhecendo os fantasmas que a rodeiam e o desvendar desses mistérios.
Mata Doce permite uma leitura fluida, intensa e bonita, que apresenta a força das mulheres e dá indícios sobre como o passado ainda atravessa o presente.
Em 304 páginas de um texto poético que mistura crenças, fantasia e história, Luciany Aparecida nos faz ouvir (ou ler) as vozes daqueles que costumam ficar às margens e, com frequência, não são ouvidos.

"Mata Doce", de Luciany Aparecida
- Alfaguara, 394 páginas, R$ 79,90 (livro físico) e R$ 39,90 (e-book)

