
Anunciada nesta terça-feira (22) como patrona da 71ª Feira do Livro de Porto Alegre, Martha Medeiros diz que se sente "realmente preparada" para exercer a função, tendo conquistado "uma história dentro da literatura que justifique ser homenageada".
Aos 63 anos, a escritora e colunista de Zero Hora é a nona patrona da história da Feira. A última vez que uma mulher foi eleita para o posto havia sido em 2019, quando a escritora Marô Barbieri foi homenageada.
A Feira do Livro deste ano será realizada de 31 de outubro a 16 de novembro na Praça da Alfândega.
Martha recebe a homenagem no ano em que completa 40 anos de trajetória na literatura, tendo como marco inicial a publicação de seu primeiro livro, Strip-Tease.
Hoje, acumula mais de 30 títulos lançados, entre poemas, crônicas e ficção. No ano passado, completou 30 anos como colunista de Zero Hora.
Leia a entrevista com Martha Medeiros
Como você recebeu o convite para ser patrona da 71ª Feira do Livro de Porto Alegre?
A Feira faz parte da minha vida. Recebi esse convite com muita, mas muita alegria. Isso não é só uma frase de efeito, porque neste ano estou realmente celebrando tudo que foi trabalhado lá atrás.
São 40 anos não só de escrita de colunas, mas de livros, parcerias musicais e peças teatrais. Acho que tenho uma representatividade cultural extensa, expandida, acreditando que a literatura é a base de todas as artes.
Vai ser uma Feira muito legal. Pretendo participar bastante, estar lá todos os dias se possível, pois é uma maneira de retribuir tudo que a literatura fez para mim.
No ano passado, você comentou em entrevista que, durante anos, recusou o convite para ser patrona. O que a fez mudar de ideia?
Não é que eu recusei, pois nunca fui convidada. O que aconteceu é que, anos atrás, existia outra metodologia de escolha que envolvia 10 candidatos e depois é que se escolhia. Isso demandava um tempo, era uma época que, para mim, era difícil me dedicar a uma certa competição. Então, preferia não participar.
Agora é diferente: existe uma escolha única feita por um pessoal, o que faz a gente se sentir ainda mais prestigiada. É um momento de vida em que me sinto realmente preparada, com uma história dentro da literatura que justifique ser homenageada.
Qual sua lembrança favorita da Feira do Livro?
Tenho uma lembrança muito boa da minha primeira sessão de autógrafos. Eu era uma total desconhecida, lançando meu primeiro livro de poemas. Já tinha lançado em uma livraria, onde foram todos os amigos, parentes, todo mundo. Uma semana depois, era a vez da Feira do Livro, mas caiu um toró daqueles, de afugentar todo mundo.
Os amigos não estavam lá, porque já tinham ido na primeira sessão. Estavam ali praticamente só eu e a minha mãe. Mãe não foge da raia, né? Então, surgiu na minha frente o Ruy Carlos Ostermann com um livrinho na mão, pedindo a minha dedicatória.
Aquilo, para mim, foi um gesto de elegância e generosidade. Eu nem conhecia o Ruy, só da mídia, mas não tinha nenhuma amizade com ele. Ali eu realmente comecei a sentir a importância dessa troca entre veteranos e iniciantes. Foi muito emocionante para mim.
Em 70 edições da Feira, entre mais de 60 pessoas que foram patronas, você é a nona mulher. O que isso representa?
Representa mais uma porta aberta para que novas mulheres venham. Afinal, em 71 edições, foram só nove mulheres, a coisa ainda não está equalizada.
Acho que temos que buscar isso, porque tem muitas mulheres gaúchas excelentes escrevendo. Tenho confiança de que isso irá inspirar para que outras mulheres também recebam a sua homenagem, além de conseguirem inspirar mais mulheres a escrever, a ler, a continuar essa corrente de literatura feminina, que sempre foi muito forte.
Você lançará algum livro na Feira?
Há um box com dois livros da coleção Dose Única, que é uma "venda casada". É um compilado da minha obra em 40 anos, ilustrada pelo Daniel Konde. Junto nesse box há também um livro do Luis Fernando Verissimo.
Tu não tens ideia do que significa para mim ter um lançamento conjunto com o meu mestre, que sempre considerei o papa da crônica. Como ele não terá condições de participar, estarei autografando com o Pedro Verissimo (cantor e filho de Luis Fernando), que é o curador da parte dele.
Provavelmente vou autografar também pela minha editora, a L&PM, que está relançando os livros mais vendidos que eu publiquei com ela em versão pocket, como Feliz por Nada e Doidas e Santas.




