
A Feira do Livro se encerra com um fim de semana dedicado a um dos temas centrais do evento ao longo desta 63ª edição, a presença da cultura negra e a herança africana nas artes e na literatura. O ponto alto dessa programação será a mesa do escritor nigeriano Wole Soyinka, na manhã de domingo, uma atividade promovida pela Bienal do Mercosul dentro da Feira, mas inclui também mesas e um seminário no domingo.
Wole Soyinka vem a Porto Alegre trazido pela organização da Bienal do Mercosul, que também tem a África como um de seus pontos centrais de debate. Marcada para o período de 5 de abril a 4 de junho de 2018, a exposição deve discutir as influências culturais dos três vértices históricos da América Latina – as matrizes europeia, americana e africana. O autor africano fará sua palestra no domingo, e também estará em um debate sobre sua obra no sábado, às 15h30min, na Pinacoteca do Margs (leia mais detalhes aqui). Para o presidente da 11ª Bienal do Mercosul, Gilberto Schwartsmann, Soyinka é um autor emblemático para discutir os temas propostos pela exposição este ano.
– Ele usa a cultura africana para fazer literatura universal. Além disso é um símbolo como líder em direitos civis e humanos. Acima de tudo, é um homem da paz, da luta intelectual. Ele tem obras que abordam pela literatura e pela linguagem o tema do Triângulo do Atlântico e coloca em questão o embate entre a influência da tradição e o poder transformador do novo – comenta Schwartsmann.
A Feira fez da presença negra um tema de discussão ao longo de toda esta 63ª edição. Algumas das principais atrações deste ano, responsáveis por mesas concorridas e comoventes, estavam dentro dessa linha, como a apresentação da escritora Conceição Evaristo, no dia 8 de novembro.
Seminário discute África e literatura infantil
No sábado, a matriz africana da cultura brasileira também será debatida em um colóquio marcado para o Memorial do RS. Das 9h até as 20h, serão debatidas as alternativas para tornar a África mais presente na escola desde cedo no ensino de literatura, as obras infantis que tratam da herança africana no país e como o contato desde cedo com o tema pode ensinar a convivência com a diferença. Entre os participantes, estão o escritor, ilustrador e arte-educador Celso Sisto e a escritora e professora Jane Tutikian, patrona da Feira do Livro de Porto Alegre em 2011.
