
Muito antes de dar nome ao espetáculo que apresenta neste sábado (12), dentro da programação do 33º Porto Alegre em Cena, e que já está com ingressos esgotados, Eu Apenas Queria que Você Soubesse já ocupava lugar especial na vida de Sandra Pêra. Foi essa a música que Gonzaguinha (1945–1991) escolheu para acompanhar a atriz e cantora no caminho para a sala de parto, quando nasceu Amora Pêra, filha dos dois. Décadas depois, a canção voltou a ganhar novos significados e se tornou o centro de um espetáculo que une música, memória e teatro.
Baseado no álbum homônimo lançado pela Biscoito Fino em 2025, o espetáculo reúne 17 canções e passeia por diferentes momentos da carreira de Gonzaguinha. No palco, Sandra é acompanhada por uma banda formada por guitarra, teclado e acordeon, baixo e bateria. A direção musical é assinada por Paula Leal e Amora, que também participa da apresentação ao lado da mãe.
Segundo a atriz, a ideia do projeto surgiu logo depois que ela gravou um álbum dedicado à obra de Belchior, em 2021. O convite para revisitar Gonzaguinha veio da própria gravadora.
— A Kati de Almeida Braga, da Biscoito Fino, perguntou por que eu não fazia o Gonzaguinha. Fiquei muito excitada com a ideia. Aí falei com a Amora, e o resto veio naturalmente. Escolhemos músicas lindas. Depois, no show, passei a contar também um pouco da minha história com ele — explica ela.
Repertório Lado B
Embora o repertório passe também por sucessos como O Que É, O Que É? e Coração, a cantora diz que não queria apenas as "músicas mais óbvias" e por isso construiu o show a partir de composições menos conhecidas para apresentar um Gonzaguinha além dos grandes clássicos e mostrar como sua obra permanece atual:
— A música do Gonzaguinha é moderna, eterna. Ele tinha um poder impressionante sobre as palavras. São letras dificílimas de cantar porque são muitas palavras, muito bem escolhidas.
É muito bonito pensar em tudo o que esse homem escreveu ainda tão jovem, com tanta inteligência, tanta política e tanto amor.
SANDRA PÊRA
Atriz e cantora
Parceria entre mãe e filha
Além de assinar a direção do espetáculo, Amora também sobe ao palco em um dos momentos mais emocionantes da apresentação. Sandra conta que, mesmo sabendo exatamente quando a filha entra em cena, ainda se surpreende:
— Quando ouço a voz dela entrando, vem um nó na garganta. Junto daquela entrada vem toda a nossa história. Eu penso: “Rídiculo, não vai chorar agora”. Mas é muito emocionante. Nós somos mulheres de palco muito mais do que mãe e filha. Ela montou praticamente todo o roteiro do espetáculo, é muito exigente, e isso me dá muita segurança.

Raízes artísticas
Filha do ator Manuel Pêra, irmã de Marília Pêra e neta da atriz Antônia Marzullo, a relação de Sandra Pêra com a arte começou cedo.
— Sempre vi as pessoas da minha casa fazendo tudo. O teatro sozinho não dava. Então você canta, você dança, você escreve, você dirige, você se vira. Foi assim que eu aprendi. Eu acreditava que só quem fazia teatro era feliz. Hoje eu sei que não é assim, mas aquela Sandra era muito feliz fazendo o que amava — conta.
Essa versatilidade levou Sandra da televisão ao teatro, da direção à música, passando por As Frenéticas, grupo que ajudou a transformar a cena musical brasileira nos anos 1970. Ainda assim, ela diz que é o palco, independentemente do formato, o lugar onde continua se reconhecendo:
— Tudo o que eu sei aprendi ali em cima. É onde eu me sinto livre. Neste momento, essa liberdade está na música.
Antes de seguir para a Capital, o espetáculo passou por Pelotas, cidade que ocupa um lugar afetivo, já que parte da família Pêra tem origem no Rio Grande do Sul, o que faz com que cada retorno à região seja também um reencontro com as próprias raízes.
— Eu adoro o Sul. A família Pêra é de Pelotas, tem gente em Porto Alegre também. Sempre fico muito feliz quando volto para cantar aqui. Tem muitas histórias e muitas lembranças.
Amanhã, ela espera que o público saia do teatro conhecendo não apenas o repertório de Gonzaguinha, mas também uma faceta diferente de sua própria trajetória.
— As pessoas vão para ouvir Gonzaguinha, vão ver uma ex-Frenética, a irmã da Marília Pêra. Mas eu gostaria que elas saíssem conhecendo a Sandra Pêra que está ali naquele palco. É essa Sandra que eu quero que elas levem consigo.
Serviço
Eu Apenas Queria que Você Soubesse – A Música de Gonzaguinha, com Sandra Pêra
- Quando: sábado (12), às 19h
- Onde: Teatro do Goethe-Institut (Rua 24 de Outubro, 112, Moinhos de Vento)
- Ingressos esgotados
*Sob supervisão e orientação de Cristiane Bazilio




