
A Capital terá um setembro movimentado culturalmente. Enquanto no Parque Mauricio Sirotsky Sobrinho estará ocorrendo o tradicional Acampamento Farroupilha, 13 palcos da cidade receberão as atrações do Porto Alegre em Cena, que ocorre entre os dias 10 e 20 do mês que vem.
A 33ª edição do evento contará com 46 espetáculos — 15 a mais do que no ano anterior. São montagens de teatro, circo, dança e música de diversos Estados, como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Pernambuco, Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Goiás e Minas Gerais, além de 16 peças do Rio Grande do Sul. Atrações internacionais da Argentina e do Canadá também estão confirmadas.
A programação completa do evento foi divulgada nesta terça-feira (11) e os ingressos começam a ser vendidos nesta quarta (12), às 17h, pelo site portoalegreemcena.com.br, com valores populares que partem de R$ 25.
De acordo com o coordenador-geral da mostra, o diretor teatral Luciano Alabarse, esta edição será uma celebração às artes cênicas do Brasil. A ideia é que o festival navegue do sertão ao Pampa, refletindo sobre as inquietações, contradições e transformações do país, guiado por distinções a grandes escritores nacionais.
— Tenho que destacar a presença de diferentes Estados fora do eixo Rio-São Paulo na programação. É muito importante para a gente ver que há vida inteligente e criativa no Brasil inteiro. Inclusive, o teatro pernambucano homenageia o nosso Caio Fernando Abreu em duas montagens com aquele sotaque gostoso. Também teremos uma ocupação de Guimarães Rosa na Terreira da Tribo — conta Alabarse.
Esse protagonismo para o escritor de Santiago marca os 30 anos de sua morte, completados em fevereiro, e reverencia sua contribuição fundamental para a literatura nacional. Já Grande Sertão: Veredas, obra-prima de Guimarães Rosa que completa 70 anos de lançamento, será celebrado com uma montagem distribuída ao longo de três dias na programação do Em Cena.

Destaques nacionais
A curadoria do Porto Alegre em Cena deste ano contempla produções que abordam temas como envelhecimento e etarismo, corpo, racismo, violência, maternidade, pertencimento, memória, desejo e solidão. E, como de costume, a programação conta com um desfile de grandes nomes das artes nacionais.
Em Lia Lia, por exemplo, Camila Pitanga divide o palco pela primeira vez com Bete Coelho, em uma adaptação do romance de Caetano Galindo. A trama reconstrói a vida de Lia por meio de fragmentos, memórias e sensações, desafiando convenções narrativas tradicionais para refletir sobre a complexidade da identidade e da existência humana.
Elogiadíssima pela crítica e sucesso de público, a peça Choque! Procurando Sinais de Vida Inteligente, dirigida por Gerald Thomas, conta com impactante monólogo de Danielle Winits. A obra se estabelece como uma reflexão sobre as irracionais contradições humanas, o papel da mulher na sociedade e os dilemas da vida contemporânea.
Taís Araújo encara o seu primeiro solo com Mudando de Pele, interpretando uma mulher movida por um desejo de ruptura profunda. O espetáculo é dirigido por Yara de Novaes, que também apresenta outra montagem no festival: Mãos Trêmulas, com Cleide Queiroz e Plínio Soares.
Ainda se destacam na programação Dora, comédia escrita por Thereza Falcão, protagonizada por Grace Gianoukas com direção de Gilberto Gawronski, assim como uma vibrante leitura de Gabriel Villela para o clássico Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna.
— A cidade é a fiel fiadora do festival. Não parece que já se passaram 33 anos e, ao mesmo tempo, a experiência acumulada é extraordinária. A gente já trouxe a Porto Alegre os principais nomes do teatro do mundo, alguns que já se foram, como Peter Brook, Pina Bausch, Patrice Chéreau. Este ano, estamos reverenciando toda essa história bonita que o festival tem. Então, resolvi homenagear o teatro brasileiro pela excelência das encenações que estão sendo criadas — comenta Alabarse.
Assim, o festival ainda trará para a cidade As Centenárias em uma versão musical inédita, protagonizada por Juliana Linhares e Laila Garin, que revisitam a obra de Newton Moreno a partir de uma perspectiva contemporânea. São incorporadas 16 canções originais compostas por Chico César, que conduzem a narrativa, sob direção de Luís Carlos Vasconcelos.

Música e dança
Alabarse reforça que o Em Cena não descuidou da missão de entregar para o público uma programação que abrace a música e a dança. Tanto que a abertura do festival contará com uma apresentação inédita do espetáculo La Pampa Grande, encontro musical de gaúchos e argentinos que costumam transitar entre as fronteiras.
O show reunirá Dolores Solá, Liliana Herrero, Carlos Villalba, Hique Gomez, Arthur de Faria, Vitor Ramil, Pedro Longes e Nina Nicolaiewsky. Eles cantam e tocam diferentes repertórios, acompanhados pelos violonistas argentinos Diego Rolón e Pedro Rossi e pelo percussionista brasileiro Giovanni Berti.
Já na parte da dança, o festival contará com dois espetáculos internacionais, diretamente do Canadá. O primeiro é Cherepaka, obra da companhia Nadère Arts Vivants, com concepção e performance de Andréane Leclerc, que usa o contorcionismo para explorar os limites do corpo humano e questionar a realidade.
O outro é Confession Publique, solo da companhia Mayday, criado por Mélanie Demers para a intérprete Angélique Willkie. A obra articula dança, teatro, palavra, canto e música em uma experiência cênica de alta intensidade, que mergulha em temas como privacidade, segredo, memória, identidade, vulnerabilidade e poder.

Gaúchos em cena
Das 46 montagens que compõem o Em Cena deste ano, 16 são oriundas do Rio Grande do Sul. As peças são assinadas por coletivos de cidades como Canela, Caxias do Sul, Ivoti e Pelotas, além da capital gaúcha.
A seleção inclui montagens voltadas tanto para o público adulto como infantil, com produções que transitam por múltiplas linguagens artísticas, como palhaçaria, dança e teatro de sombras.
Os dias e horários de cada espetáculo serão divulgados juntamente com a abertura da venda dos ingressos do festival, nesta quarta-feira.
— Sugiro que todos os interessados nas artes cênicas leiam essa programação com atenção, porque vão ter que escolher muito bem. Ficou tão rica que, às vezes, temos duas, três peças no mesmo dia e que são obrigatórias. É tão plural que cada um faz o Em Cena que quer, conforme o seu gosto pessoal — completa Alabarse.
Espetáculos confirmados
Internacionais
- La Pampa Grande (Brasil/Argentina)
- Cherepaka – Nadère Arts Vivants (Canadá)
- Confession Publique – Mayday (Canadá)
Nacionais
- Auto da Compadecida – Grupo Maria Cutia (BH)
- Freud e o Visitante – Grupo Tapa (SP)
- Mudando de Pele – Quintal Produções (RJ)
- As Centenárias – Laila Garin, Juliana Linhares e Leandro Castilho (RJ)
- Mãos Trêmulas – Catarina Milani e Victor Nóvoa (SP)
- Eddy – Violência & Metamorfose – Polifônica Cia (SP)
- A Aforista – Cia. Stavis-Damaceno (PR)
- Riobaldo – Teatro das Mentirinhas (RJ)
- No Meio do Redemunho – Teatro das Mentirinhas (RJ)
- O Julgamento de Zé Bebelo – Teatro das Mentirinhas (RJ)
- Eu Apenas Queria que Você Soubesse – A Música de Gonzaguinha – Sandra Pêra (RJ)
- Imorais – Bando de Nada Coletivo de Teatro (PE)
- Lia Lia – Teatrofilme (RJ)
- O Homem Decomposto – Realejo Produções Culturais (RJ)
- Balada de um Vagabundo – A Música de Waly Salomão – Jussara Silveira e Sylvia Patricia (BA)
- Só João – Arthur Nestrovski e Celsim (SP)
- Hip Hop Hamlet – Aventura (SP)
- HBLYNDA em TRANSito – HBLYNDA Morais (PE)
- Que Muito Amou – Cênicas Cia de Repertório (PE)
- Dora – Inova Brand (RJ)
- Choque! Procurando Sinais de Vida Inteligente – Danielle Winits (RJ/SP)
- Tchau, Amor – Inquieta Cia (CE)
- Até Cansar o Cansaço – Juliana Linhares (RN)
- Gota d'Água – No Tempo – Cia. Coisas Nossas de Teatro (SP)
- Pela Noite – Noz Produz (PE)
- Clemente – Andreia Pires e Vinicius Arneiro (CE)
- Dança Boba – Ateliê do Gesto (GO)
Locais
- Sarau Voador – Literatura e Improvisos Transcriados – Para Caio F. – Companhia de Solos & Bem Acompanhados (Porto Alegre)
- Ser Tão – Eclipse (Porto Alegre)
- Entre Dois, Uma Canção – Cia Municipal de Dança (Porto Alegre)
- Todas as Minhas Mortes – Cômica Cultural (Porto Alegre)
- M.E.D.E.I.A – Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz (Porto Alegre)
- A Vingança é um Jardim Selvagem – Cia. Rústica (Porto Alegre)
- Corpomundo – Cia. de Teatro e Dança Fábrica de Sonhos – Arte, Inclusão, Diversidade e Pertencimento (Porto Alegre)
- Katchaku Katchaka: Era uma Vez em Odjéidjé – Loua Pacom (Porto Alegre)
- 7 Cidades – Cia de Arte La Negra Ana Medeiros (Porto Alegre)
- Geppetto – Máscara EnCena (Porto Alegre e Caxias do Sul)
- Kaiu da Kombi – Ponto de Cultura Kombinação (Canela)
- Um Leão na Sala de Aula – Cia Gatelupa (Porto Alegre)
- Riso de Mãe é Coisa Séria – Fiandeiras Artes da Cena (Ivoti)
- AUTODescrição – Tudo o que eu não vejo – Cia. Reverbo (Porto Alegre)
- Criaturas da Literatura – Cia Teatro Lumbra (Porto Alegre)
- Bayle da Obra – Moracos Manicongo (Pelotas)
Porto Alegre em Cena – Festival Internacional de Artes Cênicas
- Quando: de 10 a 20 de setembro
- Palcos: Centro Histórico-Cultural Santa Casa, Estúdio Stravaganza, Galpão Floresta Cultural, Sala Álvaro Moreyra, Teatro Renascença, Teatro Bruno Kiefer, Teatro Carlos Carvalho, Teatro Oficina Olga Reverbel, Teatro Simões Lopes Neto, Terreira da Tribo, Salão de Atos da PUCRS, Teatro do Goethe-Institut e Zona Cultural
- Ingressos: à venda a partir das 17h desta quarta-feira (12) pelo site portoalegreemcena.com.br
- Preços: a partir de R$ 25

