
Com espetáculos de teatro, dança, circo e música a preços acessíveis, entre R$ 15 e R$ 60, o Festival Palco Giratório Sesc abre sua 20ª edição nesta terça-feira (19), em Porto Alegre. Os encontros entre diferentes territórios e linguagens serão novamente a tônica do evento, que se estende até 3 de junho (veja como adquirir ingressos ao final do texto). Parte da programação será apresentada em ruas e parques, com acesso gratuito.
Nesta edição, serão 63 sessões de espetáculos apresentadas em 17 espaços culturais da Capital, destacando 60 grupos.
A curadora do Circuito Nacional do Palco Giratório e coordenadora de Artes Cênicas, Visuais e de Arte-Educação do Sesc/RS Jane Schoninger antecipa que o público pode esperar diversidade da edição deste ano, com atrações de 15 Estados brasileiros.
Um dos principais eventos de artes cênicas do Rio Grande do Sul, o Festival Palco Giratório também conta com atividades paralelas e ações formativas, como as mesas de debate do 7º Seminário Palco Giratório, que começou em abril e terá novos encontros de 26 a 28 de maio (inscrições gratuitas pelo site do seminário).
Veja, a seguir, alguns dos destaques da programação. A grade completa de atrações está no site do evento.
O que ver no 20º Festival Palco Giratório Sesc
Clássicos da MPB no ritmo do forró

O espetáculo musical O Baile da Mana Flor Convida Fernanda Copatti (nesta terça, 19/5, às 20h, no Teatro Simões Lopes Neto do Multipalco) será uma das atrações da abertura do festival. O encontro apresenta o Trio Mana Flor (SP) e a artista gaúcha Fernanda Copatti em uma proposta que articula forró, performance e música brasileira.
O trio valoriza as tradições nordestinas sob uma perspectiva contemporânea, transitando por ritmos como xote, baião e xaxado em diálogo com a música popular brasileira. Por sua vez, a cantora Fernanda Copatti acrescenta à cena música, poesia e performance.
Monólogo com Eduardo Moscovis

No monólogo O Motociclista no Globo da Morte (dias 26 e 27/5, às 20h, no Teatro Simões Lopes Neto do Multipalco), Eduardo Moscovis dá vida a um matemático metódico e avesso a conflitos que é impactado por um episódio que desencadeia tensão e reflexão.
Com texto de Leonardo Netto e direção de Rodrigo Portella, a montagem investiga as faces da violência na vida em sociedade. A curadora do Palco Giratório, Jane Schoninger, destaca:
— Acho que é um trabalho que vale muito a pena ver. Além de ser com o Eduardo Moscovis, ele foi laureado com o Prêmio Shell (de melhor ator).
A Porto Alegre do ano 2050

O espetáculo de dança '2050' — Como Será a Porto Alegre do Futuro? (dia 21/5, às 20h, no Teatro do Centro Histórico-Cultural Santa Casa), do Grupojogo (RS), trabalha com uma projeção de futuro pessimista para a cidade e para o ar que se respira aqui.
Com concepção e direção-geral de Igor Pretto e interpretação dele, Alexandre Dill e Katia Kalinka, a montagem imagina o ano de 2050 como uma época em que o Guaíba se torna um sólido aterro povoado por cassinos e espigões.
Nesse futuro distópico, a população usa máscaras contra monóxido de carbono e o Guaíba rompeu o concreto e retomou sua margem original. Já os parques e praças se tornam "centros regenerativos".
Reflexões sobre o envelhecimento

Com atuação de Cacá Carvalho, o espetáculo "70!" Leitura Cênica (dias 23 e 24/5, às 19h, na Sala Álvaro Moreyra do Centro Municipal de Cultura) aborda o envelhecimento, apresentando um ator e homem simples que fala em frente ao espelho no momento de fazer a barba.
O corpo do personagem envelhece; porém, com elegância silenciosa, poesia e divertimento. Trata-se de alguém que sabe que viver é transformar-se sem pedir licença.
— Cacá Carvalho sempre teve uma história muito importante com o festival, já esteve aqui com vários espetáculos. Ele vem para celebrar isso, trazendo essa pessoa 70+. Acho importante essa figura dele no festival — avalia Jane, do Palco Giratório.
Resgate da trajetória de uma jornalista

O espetáculo A Mulher que Virou Bode: A História Perdida de Jurema Finamour (dia 24/5, às 19h, no Teatro de Câmara Túlio Piva) resgata a história da escritora e jornalista Jurema Finamour, figura influente no jornalismo e na elite intelectual do país nas décadas de 1940 a 1960.
Motivada pelo livro Jurema Finamour, a Jornalista Silenciada (Libretos), de Christa Berger, a montagem da Rakurs Teatro (RS) com direção de Marcelo Bulgarelli e dramaturgia de Luiza Waichel constrói uma narrativa em que teatro, dança, música e recursos audiovisuais se entrelaçam.
A trilha sonora original leva a assinatura de Antonio Villeroy, com arranjos vocais de Simone Rasslan.
40 anos do Grupo Sobrevento

O espetáculo Para Mariela (dias 2 e 3/6, às 19h, na Sala Álvaro Moreyra do Centro Municipal de Cultura) comemora os 40 anos do Grupo Sobrevento (SP), propondo uma reflexão sobre os sonhos de uma vida simples e a complexidade da imigração.
Esse trabalho se baseia em histórias de crianças imigrantes bolivianas e apresenta músicas e sonoridades de diferentes regiões da Bolívia. Com dramaturgia de Sandra Vargas, que assina a direção com Luiz André Cherubini, a montagem aborda sonhos de um futuro mágico e a infância deixada para trás.
Jane, do Palco Giratório, observa:
— Para Mariela é um trabalho de um grupo de São Paulo que é referência no teatro de animação. No Rio Grande do Sul, temos isso muito forte.
Dostoiévski e Shakespeare

Entre os destaques deste ano, há peças baseadas em obras de grandes autores.
É o caso de Nastácia (dias 29 e 30/5, às 21h, no Teatro Renascença do Centro Municipal de Cultura), inspirada no romance O Idiota, de Dostoiévski. A dramaturgia de Pedro Brício foca a potência da personagem Nastácia Flíppovna (vivida por Flávia Pyramo), e a encenação de Miwa Yanagizawa lhe valeu o Prêmio Shell do Rio de Janeiro de melhor direção.
Já Sozinho com Romeu e Julieta (dias 2 e 3/6, às 21h, também no Teatro Renascença) leva à cena um ator (interpretado por Evandro Santiago) sozinho em um teatro fechado que decide reviver as cenas do último espetáculo que ensaiava antes da interrupção: Romeu e Julieta, de Shakespeare. A montagem da Trupe Ave Lola (PR) tem direção de Ana Rosa Genari Tezza.
Shows com Marcelo Jeneci e Larissa Luz

O 20º Festival Palco Giratório também apresenta shows como o do Marcelo Jeneci Trio (30/5, às 18h e às 20h, no Teatro Simões Lopes Neto do Multipalco), que vai percorrer sua discografia com novos arranjos e antecipar pitadas do próximo trabalho, previsto para o segundo semestre.

Já a cantora e atriz Larissa Luz, que foi uma das participantes do programa Saia Justa, do GNT, vai celebrar a conexão de Gilberto Gil com o rock no show Rock in Gil (3/6, às 20h, também no Teatro Simões Lopes Neto).
20º Festival Palco Giratório Sesc
- Desta terça-feira (19/5) a 3 de junho em 17 espaços culturais de Porto Alegre
- Programação: disponível no site do evento
- Ingressos: entre R$ 15 e R$ 60 por espetáculo, à venda nas unidades do Sesc/RS, nas bilheterias dos respectivos teatros (uma hora antes do início de cada apresentação, havendo disponibilidade) ou pelo site
- Parte da programação será apresentada em ruas e parques, com acesso gratuito

