
Uma das principais atividades fomentadoras das artes cênicas no país, o Circuito Nacional Palco Giratório Sesc terá, pela primeira vez, o seu lançamento realizado em Porto Alegre. A Capital será o ponto de partida para uma programação que percorrerá 113 municípios brasileiros durante o ano.
Para marcar esse momento, a cidade receberá, desta terça-feira (14) a sexta-feira (17), uma mostra com espetáculos e atividades formativas, realizados em diferentes locais. A programação é uma prévia do circuito que percorrerá o Brasil.
Entre os destaques, estão os espetáculos gaúchos Frankinh@: Uma História em Pedacinhos, do Coletivo Gompa, e Bando, da companhia Máscara EnCena, além de Corpos de Tambor, do Coletivo Croa (Pará), e Infinito, da Márcio Fidelis Cia. de Dança e do Cooxia Coletivo Teatral (Bahia).
Também estarão presentes as montagens convidadas Maria Peçonha, da Cia. Gente Falante (RS), e Encruzilhada, de Assaury Hiroshi (RS), além da roda de samba e pagode Caçamba, formada majoritariamente por mulheres e pessoas LGBTQIA+.
Lançamento de documentário
Outro destaque é o lançamento do documentário Amir e Tizumba, Tizumba e Amir, dirigido por Paula Lagoeiro. Com 15 minutos de duração, a produção homenageia os artistas Amir Haddad (RJ) e Maurício Tizumba (MG), que participarão de debate após a exibição em Porto Alegre (veja a programação abaixo).
As atrações são gratuitas, e os ingressos já podem ser retirados no site do Palco Giratório ou presencialmente nas unidades Sesc/RS.
Amostra da produção brasileira
As montagens foram selecionadas como um recorte da produção contemporânea brasileira, abordando temas como identidade, memória e coletividade.
— Existe um mecanismo no projeto que chamamos de intercâmbio. Com o circuito, possibilitamos que um grupo do Rio Grande do Sul possa circular por outros Estados brasileiros. Assim, estabelecem-se redes, seja de trabalho, de linguagem artística, de processos ou de culturas — afirma Jane Schoninger, coordenadora de Artes Cênicas, Visuais e de Arte-Educação do Sesc/RS e curadora do Circuito Nacional do Palco Giratório.
O circuito, que começou em 1998, já contou com a participação de 412 grupos de todas as regiões brasileiras, oferecendo cerca de 10 mil apresentações a um público estimado em mais de 5 milhões de espectadores.
Apenas em 2025, cerca de cem artistas de 16 grupos se envolveram com as atividades promovidas pelo Sesc, apresentando-se para um público de 208 mil pessoas.
Em 2026, a iniciativa reunirá 16 grupos de teatro, dança e circo de 12 Estados brasileiros.
Atrações no Rio Grande do Sul
As cidades gaúchas que receberão espetáculos do Circuito Palco Giratório são:
- Alegrete
- Camaquã
- Canoas
- Carazinho
- Caxias do Sul
- Gravataí
- Ijuí
- Montenegro
- Passo Fundo
- Pelotas
- Porto Alegre, que receberá também o Festival Palco Giratório
- Rio Grande
- Santa Rosa
- São Leopoldo
Festival terá Eduardo Moscovis
A escolha da Capital para abrigar o lançamento do circuito nacional se dá por um momento de celebração: os 20 anos do Festival Palco Giratório em Porto Alegre.
A diferença entre o circuito e o festival é que o primeiro é uma espécie de turnê nacional dos grupos que ocorre durante todo o ano em diversas cidades do Brasil. Já o festival é uma reunião de espetáculos durante um período específico em Porto Alegre (em geral, em maio), incluindo montagens que participam do circuito, produções gaúchas selecionadas e outras especialmente convidadas.
— O festival ocorre também em outras cidades do país, mas o de Porto Alegre é o mais consolidado, o maior e o primeiro. Ele é sistemático e nunca teve interrupção — observa Jane. — Então, esse lançamento aqui é para evidenciar essa referência para todo o Brasil como uma programação especial dentro do projeto Palco Giratório.
O festival deste ano, que ocorre de 19 de maio a 3 de junho, terá sua programação divulgada na noite desta terça-feira (14), junto com a cerimônia de lançamento do circuito nacional. O Sesc entregou um spoiler de uma das atrações: o elogiado monólogo O Motociclista no Globo da Morte, com Eduardo Moscovis, dirigido por Rodrigo Portella a partir do texto de Leonardo Netto.
Programação da mostra de lançamento do Circuito Palco Giratório
Nesta terça-feira (14)
Frankinh@ – Uma História em Pedacinhos, do Coletivo Gompa (RS)
- No Teatro Simões Lopes Neto do Multipalco Eva Sopher (Rua Riachuelo, 1.089 — Centro Histórico), às 19h30min
- O espetáculo é inspirado livremente na obra Frankenstein, de Mary Shelley, e combina teatro, dança, artes visuais e trilha sonora original para abordar temas como crescimento, solidão, bullying e aceitação
Nesta quarta-feira (15)
Première do documentário Amir e Tizumba, Tizumba e Amir
- Na Cinemateca Capitólio (Rua Demétrio Ribeiro, 1.085 — Centro Histórico), às 10h
- A produção aproxima as trajetórias de Amir Haddad e Maurício Tizumba, destacando suas contribuições para o teatro de rua, a arte coletiva e as manifestações populares. A sessão será seguida por um bate-papo com Haddad e Tizumba
Espetáculo de dança Encruzilhada (RS)
- No Teatro Renascença do Centro Municipal de Cultura (Avenida Erico Verissimo, 307 — Menino Deus), às 20h
- Criada por Assaury Hiroshi, a obra investiga a ideia de um "corpo-samba" como expressão de resistência, a partir de uma trilha executada ao vivo
Nesta quinta-feira (16)
Maria Peçonha, da Cia. Gente Falante (RS)
- No Teatro do Goethe-Institut (Rua 24 de Outubro, 112 — Independência), às 10h
- O espetáculo de teatro de bonecos conta a história de uma artesã que, ao longo da vida, constrói bonecas e narrativas, até se transformar em uma figura marcada por acontecimentos inesperados
Bando, do grupo Máscara EnCena (RS)
- Na Travessa dos Cataventos da Casa de Cultura Mario Quintana (Rua dos Andradas, 736 — Centro Histórico), às 18h
- A intervenção cênica, em formato de cortejo, leva um coro mascarado a ocupar o espaço urbano, dialogando com experiências recentes de crise, como a pandemia e as enchentes no Rio Grande do Sul
Corpos de Tambor, do Coletivo Croa (PA)
- No Teatro Carlos Carvalho da Casa de Cultura Mario Quintana (Rua dos Andradas, 736, 2º andar — Centro Histórico), às 19h
- A obra mistura danças populares amazônicas, como carimbó e lundu marajoara, com danças urbanas, como breaking e krump, criando uma experiência cênica baseada na força dos batuques e na transformação do corpo pelo ritmo
Nesta sexta-feira (17)
Infinito, da Márcio Fidelis Cia. de Dança e do Cooxia Coletivo Teatral (BA)
- No Teatro Oficina Olga Reverbel do Multipalco Eva Sopher (Rua Riachuelo, 1.089 — Centro Histórico), às 15h
- Voltado ao público infantil, o espetáculo acompanha a jornada de um menino que, após a perda da avó, percorre um caminho de descobertas sobre memória, ancestralidade e espiritualidade
Grupo Roda Caçamba (RS)
- No Boteco do Paulista (Rua Riachuelo, 230 - Centro Histórico), às 18h
- Apresentação do grupo formado majoritariamente por mulheres e pessoas LGBTQIA+, que traz ao palco uma roda de samba marcada pela valorização da representatividade e pela releitura de repertórios tradicionais
Programação paralela
Em paralelo, também haverá a sétima edição do Seminário Palco Giratório, que propõe um espaço contínuo de reflexão, troca e produção de conhecimento, conectando práticas artísticas, pesquisa e pensamento crítico no campo das artes cênicas. A programação está no site do Palco Giratório.
Ingressos gratuitos
A programação da mostra e do seminário é gratuita, e os ingressos para as atividades já podem ser retirados presencialmente nas unidades Sesc/RS ou pelo site do Palco Giratório.



