
Sucesso de crítica e público, o espetáculo Nasci pra Ser Dercy volta a Porto Alegre integrando a programação do 27º Porto Verão Alegre. Protagonizado pela atriz gaúcha Grace Gianoukas, o monólogo tem autoria e direção de Kiko Rieser.
As sessões serão neste sábado (24), às 17h30min e às 20h, e no domingo (25), às 18h, no Teatro Simões Lopes Neto do Multipalco Eva Sopher (veja detalhes sobre ingressos ao final).
Contando com a voz em off de Miguel Falabella (por meio de gravação), a peça gira em torno da história de Vera, uma atriz que entra no estúdio para interpretar o papel de Dercy Gonçalves. Contudo, ela se revolta com o roteiro proposto, que estereotipa a artista. Aos poucos, Vera começa a se transformar em Dercy.
Em cartaz desde 2023, Nasci pra Ser Dercy rendeu a Grace os prêmios Shell e APCA (da Associação Paulista de Críticos de Arte) de melhor atriz e I Love Prio do Humor de melhor performance. Kiko recebeu o Prêmio Bibi Ferreira na categoria de melhor dramaturgia original.
Em entrevista a Zero Hora, Grace falou sobre Dercy e o sucesso do espetáculo.
Leia a entrevista com Grace Gianoukas

O espetáculo desmistifica Dercy, que foi estereotipada por falar palavrões. Na verdade, foi uma atriz complexa, com muitas coisas interessantes em sua trajetória. O que a torna única?
Ela começou a se destacar em uma época em que as mulheres se comportavam de forma muito recatada, envolta naquela caretice do patriarcado brasileiro que está aí até hoje.
Com muito bom humor e originalidade, ela trazia temas populares para o palco. Levava o teatro para o povo. Muitas pessoas que a criticavam frequentavam espetáculos mais burgueses, com influência europeia.
Foi uma militante da liberdade das pessoas serem o que quiserem ser, uma militante anti-hipocrisia, o que era suficiente para deixá-la como uma criatura apavorante para todo o sistema machista e patriarcal.
Com o tempo, Dercy foi sendo estereotipada como a velha louca que só falava palavrão. Só que, com muita inteligência, percebeu que isso a diferenciava de centenas de artistas que estavam se encaixando em padrões.
GRACE GIANOUKAS
Atriz
Abriu caminhos para outras também?
Isso. Ela não só picou caminho na mata para outras mulheres como também construiu um timing de comédia brasileiro que hoje muita gente imita, mas não sabe que foi Dercy quem criou.
Existe um antes e depois de Dercy no teatro brasileiro?
Correto. Ela trouxe esse improviso e essa vivacidade que desenvolveu no teatro de revista. Influenciou artistas respeitadíssimos, como Fernanda Montenegro, Marília Pêra, Marco Nanini, Jorge Fernando e Paulo Autran.
Antigamente, as pessoas falavam de forma mais impostada, com influência do teatro clássico inglês. Quando ela foi fazer essas comédias, difundiu um jeito mais coloquial de se fazer teatro. O público amou.
No contexto atual, percebes que a voz de Dercy pode ser até mais subversiva hoje do que antes?
Acho que sim. Dercy é uma pioneira das liberdades. Dentro de muitos conceitos que hoje a gente entende sobre a sociedade, ela não estava nessa discussão do que é politicamente correto ou incorreto.
Dercy dizia o que pensava, inclusive exagerava, mas não perdia uma piada. Eu a vejo como exemplo de como enfiar o pé na porta da caretice.
GRACE GIANOUKAS
Atriz
O espetáculo é sucesso de crítica e público por onde passa. Com Nasci pra ser Dercy, você conquistou os prêmios Shell e APCA de melhor atriz. Como tem sido tamanho reconhecimento?
Quando li o texto, achei bacana, mas fiquei com medo. Nunca tinha interpretado uma pessoa que já existiu. Falei para o Kiko (Rieser, autor e diretor da peça) que eu não sabia imitar ninguém. Ele respondeu que estava tudo bem, não queria que eu imitasse mesmo.
À medida que fui pesquisando sobre Dercy, fui me apaixonando por ela. Nunca tinha me aprofundado para conhecê-la.
GRACE GIANOUKAS
Atriz
Quando vou para o palco, procuro fazer justiça à Dercy. Tenho esse espetáculo para mim como uma missão para todas as pessoas transgressoras. Mostrar que elas não estão sozinhas. Uma missão de honrar todas as mulheres que viveram na época de Dercy, as nossas avós, as nossas bisavós, honrar todas as mulheres que estão ainda sofrendo violências nessa sociedade patriarcal.
Nesse contexto, os prêmios validam essa minha força, mas não vou para o palco sozinha. Vou para o palco com todas essas histórias e com todas essas mulheres.
Nasci pra Ser Dercy
- Neste sábado (24), às 17h30min e às 20h, e domingo (25), às 18h, no Teatro Simões Lopes Neto do Multipalco Eva Sopher (Rua Riachuelo, 1.089), em Porto Alegre
- Ingressos a partir de R$ 120 (inteiro) pelo site do Porto Verão Alegre
- Desconto de 50% para sócios do Clube do Assinante e um acompanhante
- Duração: 80 minutos



