
Promovendo espetáculos de teatro e dança, além de oficinas, a primeira edição do Festival Palco Indígena começa nesta quinta-feira (6) em Porto Alegre. Até domingo (9), o evento oferece atividades abertas ao público com entrada franca.
A programação conta com performances de artistas dos povos Kaingang e Mbyá Guarani da capital gaúcha, além de Baniwa, do Amazonas; Kariri, do Ceará; e Bororo, do Mato Grosso (veja ao programação completa ao final).
Há nomes locais como Nayane Gakre, o grupo Tupẽ Pãn (ambos Kaingang) e o grupo Tekoa Anhetengua (Teko Guarani). De outros Estados, há a atriz, performer e pesquisadora Lilly Baniwa (AM), a artista e antropóloga Kiga Boé, do povo Bororo (MT), além de Barbara Kariri, Idiane Crudzá e Kawrã, do povo Kariri (CE), que integram a Coletiva Flecha Lançada.
As apresentações serão no Teatro Renascença e no Parque Farroupilha (Redenção), na região central da cidade, além de localidades descentralizadas no território Kaingang Retomada Gãh Ré (Morro Santana) e o Guarani Tekoa Anhetengua (Lomba do Pinheiro).
Intercâmbio entre artistas indígenas
Realizado pela produtora Tela Indígena, o festival tem como base a ideia de que toda a cidade é palco, assim como toda a cidade é indígena. Tendo iniciado em 2017, a produtora começou como um coletivo de antropólogos que se conheceram em um grupo de pesquisa da UFRGS.
No começo, a Tela Indígena promovia a exibição de produções audiovisuais de autores indígenas. Até que a antropóloga e bailarina Geórgia Macedo, umas das fundadoras, passou a ter contato com outros artistas indígenas das artes cênicas em circuitos pelo país. Ao conhecer outras possibilidades de expressão e de criação de imagens para além do audiovisual, surgiu a ideia de construir um festival trabalhando com artistas locais e de outras partes do Brasil.
— É uma grande oportunidade para a realização de um intercâmbio entre artistas indígenas da região e de fora. Também é uma maneira de apresentar esses artistas ao público não indígena do Rio Grande do Sul. Aqui, pouco se conhece sobre a diversidade dos povos indígenas — destaca Geórgia. — É uma possibilidade de conhecer trabalhos novos, instigando os imaginários dos espectadores, que vão poder estar em contato com essas obras cênicas.
Geórgia acrescenta que o festival tem como função demarcar Porto Alegre como palco indígena. Portanto, ela ressalta que houve um cuidado para incluir espetáculos e performances que não dependessem apenas de salas de teatro, mas pudessem ocorrer ao ar livre. Também se buscou diferentes povos para a programação.
— Mostra uma diversidade de possibilidades de ser indígena, né? E de criar enquanto artista indígena.
Outras informações podem ser obtidas no site oficial e na página do Instagram do evento.
Programação do Festival Palco Indígena
Todas as atrações ocorrem em Porto Alegre, com entrada franca
Nesta quinta-feira (6)
- 19h – Abertura com apresentação de dança do Grupo Teko Guarani no saguão do Teatro Renascença (Av. Erico Verissimo, 307)
- 20h – Espetáculo de dança Água Redonda e Comprida no Teatro Renascença (Av. Erico Verissimo, 307). Haverá distribuição de ingressos a partir das 19h
Nesta sexta-feira (7)
- 10h - Roda de conversa com as artistas indígenas Lilly Baniwa (AM), Kiga Boe (MT) e Angélica Kaingang (RS) na Sala Alziro Azevedo do Departamento de Arte Dramática da UFRGS (Rua Gen. Vitorino, 255). O encontro propõe um diálogo aberto entre as artistas e o público, refletindo sobre o que significa retomar os palcos e a cidade como artistas indígenas
- 17h - Espetáculo de teatro Ané das Pedras na Retomada Gãh Ré (Rua Natho Henn, 55, no Morro Santana)
Neste sábado (8)
- 10h - Oficina Escutar as Pedras — A Performatividade da Memória na Cena na Retomada Gãh Ré (Rua Natho Henn, 55, no Morro Santana). Ministrada pela artista e escritora indígena Kariri e pela fundadora da Coletiva Flecha Lançada Barbara Matias (CE). Inscrições gratuitas pelo Instagram: @telaindigena
- 15h - Espetáculo de teatro Ser-Huma-Nós na Terra Indígena Anhetengua (Beco dos Mendonças, 357, na Lomba do Pinheiro). Criação e atuação da indígena Lilly Baniwa
- 16h30min – Oficina Teatro Como uma Forma de Pussangar na Terra Indígena Anhetengua (Beco dos Mendonças, 357, na Lomba do Pinheiro). Não é necessária inscrição prévia
Neste domingo (9)
9h30min - Apresentação de dança e canto com o grupo Tupẽ Pãn (Kaingang), próximo aos arcos no Parque da Redenção
10h - Encerramento com grafismos no espetáculo Imedu/Aredu em TRANSito, próximo aos arcos no Parque da Redenção. Conduzido pela artista e antropóloga Kiga, do povo Boé (Bororo), do Mato Grosso, o espetáculo é permeado por grafismos corporais com resgate de dados, experiências pessoais da artista e vivências de indígenas LGBTQIAPN+




